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“Não tem esse negócio de câmbio a R$ 1,80. Era todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo a Disneylândia, uma festa danada”

Paulo Guedes, ministro da Economia, sobre a alta do dólar
14/02/2020 06:00 - Giba Um


“Não tem esse negócio de câmbio a R$ 1,80. Era todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo a Disneylândia, uma festa danada”  

de PAULO GUEDES // ministro da Economia, sobre a alta do dólar. 

 

Três meses depois da entrada em vigor da reforma da Previdência o sistema de cálculo dos benefícios do INSS ainda não foi atualizado com as novas regras de aposentadoria.

Mais: enquanto isso, a fila de espera para análise de pedidos de concessão de benefícios passa de 1,7 milhão, sendo 1,1 milhão acima do prazo máximo legal de 45 dias. 

 

 
 

Muitos desafios

Fazendo sucesso com a personagem Vitória na novela Amor de Mãe, Taís Araújo, 41 anos, foi escolhida como garota-propaganda da Animale Brasil. Rotulada de mulher forte ela explica por que não se considera assim. “Não me considero uma mulher forte, mesmo. Me considero uma mulher que está aí lutando com as demandas da vida. Não sou forte o tempo inteiro, tenho muitos momentos de fragilidade. O que posso dizer é que, sem sombra de dúvidas, é que o que me fortaleceu e me fez encaixar na vida foi a maternidade”. Quando o assunto é maternidade completa: “É entender que nós podemos amparar, acolher, direcionar, mas que cada um tem a sua trajetória. Eu posso trabalhar para que a vida dos meus filhos seja a melhor possível, mas aquela vida não é minha. A maternidade apresenta muitos desafios”.

Combustível adulterado

O combustível do “posto Ipiranga” está adulterado: depois de atacar 13 milhões de servidores públicos chamando-os de parasitas, agora ataca sete milhões de empregados domésticos (92% são mulheres) ao comentar a alta do dólar, achando que elas não tem direito de ir à Disneylândia porque são pobres – e aproveitavam quando a moeda estrangeira estava cotação baixa. O Brasil é o país que mais possui empregadas domésticas do mundo: são 3 para cada grupo de 100 habitantes, à frente da Índia (2 para cada grupo de 100).  O ministro Paulo Guedes vê o dólar bater seu recorde, cotado a quase R$ 4,5 e acha que “faz bem para o país”, incentivando as exportações. Para as domésticas, que acreditam que não consigam mais ir à Disneylândia, recomenda “ir a Cachoeira do Itapemirim conhecer onde Roberto Carlos nasceu”. E mais uma vez, como aconteceu há dias com os servidores chamando-os de parasitas, Guedes garante que não quis ofender ninguém, que não queria dizer nada que disse ou fez comparações.

 
 

Pronta para folia

Sabrina Sato, 39 anos – em plena forma, um ano e pouco depois o nascimento de sua filha Zoe –  já declarou que ama carnaval e que vai desfilar “até quando o corpo aguentar”. Rainha da escola Vila Izabel, do Rio e rainha de bateria da Gaviões da Fiel, em São Paulo ela compartilhou fotos de um ensaio que está sendo feito por dois fotógrafos (Mar+Vin e Fernando Tomaz). E conta que para estar em forma em cada aula que faz perde em média 500 calorias: “Estou mais leve, menos cansada, depois que parei de amamentar me sinto mais preparada e com mais fome de samba de aulas”.

Não gosta

Para líderes sindicais que acompanham as falações delirantes de Paulo Guedes e que não conseguiram impor modificações na reforma da Previdência, o ministro da Economia “não gosta de pobres” e não se importa com desempregados, a ponto de querer lhes extorquir um pedaço do seguro-desemprego. Essas mesmas lideranças acham que o problema maior de Paulo Guedes é que “ele nunca bateu um prego” de produção: viveu sempre do mercado financeiro e “nunca colocou a mão na massa”.

 
 

Quebra do silêncio

O senador Flávio Bolsonaro resolveu quebrar o silêncio sobre a morte de Adriano da Nóbrega. Em seu Twitter, ele revela que soube que existem pessoas querendo acelerar a cremação do corpo do miliciano (Adriano sempre quis ser cremado). E pede que isso seja evitado. Especialistas de assuntos fúnebres mandam avisar o senador que em caso de morte violenta, ou seja, pessoas mortas por tiros, facadas ou até enforcamento são proibidas de serem cremadas até que a Justiça descarte qualquer possibilidade de crime e libere.

 

In – Bolsa de couro

Out – Bolsa de veludo

 

Correndo atrás

Desde o isolamento do vive Hamilton Mourão e a demissão do general Santos Cruz, Bolsonaro vinha esvaziando os militares no governo. Na época, seu guru Olavo de Carvalho dizia que a contribuição dos militares se limitava a “cabelos pintados e voz impostada”. Agora, com Mourão no comando do Conselho da Amazônia e Braga Netto convidado para a Casa Civil, Bolsonaro tenta sua reaproximação com as Forças Armadas. Outro sinal foi a nomeação do general Luiz Eduardo Ramos para a Secretaria do Governo.

CURRÍCULO

O distanciamento de Bolsonaro dos militares aconteceu em 2019, com vários generais sendo demitidos pelo governo. A queda mais surpreendente foi a de Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-secretário do Governo e apontado como o militar de maior currículo e mais admiração interna do Exército. Motivo: ele não admitia interferência de Carlos Bolsonaro em seu território. Hoje, estuda convite de várias legendas para um primeiro voo eleitoral.

Desde a ditadura

A ida do general Braga Netto, atual Comandante do Estado-Maior do Exército, para a Casa Civil cria uma situação inédita: desde a fim da ditadura, o posto será ocupado por um militar, o que não ocorria desde os tempos do general Golbery do Couto e Silva, que deixou o governo Figueiredo em 1981. Hoje, o governo Bolsonaro passa a ter nove militares entre 22 ministros. Detalhe: a Casa Civil, se tem muito trabalho burocrático, tem também a missão de negociação com o Congresso.

EMBAIXADOR

Entregando o Ministério da Cidadania para Onyx Lorenzoni, Osmar Terra poderá ser brindado com a embaixada brasileira em Ottawa, capital do Canadá. Por coincidência, seu filho de 13 anos, já foi matriculado em escola canadense. O problema é que o atual embaixador, Pedro Bório, foi nomeado há apenas dez dias. E ele batalhava para ser embaixador em Washington.

Outra infecção

O afastamento de Onyx Lorenzoni da Casa Civil para o Ministério da Cidadania também atende as reclamações de Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde, que registrava um outro tipo de infecção nesse período de alerta diante do coronavírus. Irritando Mandetta, Lorenzoni queria assumir o comando do gabinete  de crise montado pelo governo para tratar do assunto. Chegou a anunciar que pacientes suspeitos de contaminação seriam encaminhados para Anápolis ou Florianópolis sem Mandetta saber.

Cobiçado

Em alta no governo Bolsonaro e nas pesquisas extraoficiais, onde quase sempre aparece em primeiro lugar na corrida presidencial, o ministro Sérgio Moro é cobiçado por vários partidos. Há quem garanta que até Aliança pelo Brasil (existente só no papel) está de olho nele, pensando nas eleições de 2026 para o Planalto.

Um dos partidos mais empenhados em ter Moro em seu quadro é o Podemos. Álvaro Dias pré-candidato na corrida presidencial de 2022 diz que abriria mão da disputa para Moro. “Se o Moro vem para o partido hoje, é evidente que ele é o candidato natural, é o mais popular. Isso pela sua trajetória como juiz, e não no governo Bolsonaro. O Podemos certamente terá candidato próprio a presidente. Posso ser candidato de novo. Mas o candidato será o que tiver a maior possibilidade de vitória”.

POUQUINHO ALTO

O presidente Jair Bolsonaro conversou com os jornalistas sobre a alta do dólar. Ele disse “um pouquinho alto” e completou: “De vez em quando, eu converso com o Roberto Campos Neto. Vocês sabem que eu entendo pra burro de economia, sabem disso. E está dando certo a economia por causa disso, porque eu não interfiro”. E se irritou ao ser questionado sobre a fala de Paulo Guedes. “Pergunta para quem falou isso. Eu respondo pelos meus atos”.

MISTURA FINA

  • O SECRETÁRIO especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marco Troyjo, figura respeitada, deve ser indicado pelo Brasil para a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento. O comando do BID ficará vago este ano, com o término do terceiro mandato do diplomata e empresário colombiano Luis Alberto Moreno.
  • O EX-governador do Rio, Sérgio Cabral chorou ao saber que seu acordo de delação premiada havia sido homologado por Edson Fachin. E chorou novamente quando soube que o procurador-geral da República, Augusto Aras, entrou com recurso para tentar anular a homologação.
  • ALÉM do Aliança pelo Brasil, que ainda nem existe oficialmente e do MDB, também do DEM (entenda-se: ACM Neto) colocou uma ficha de filiação na mão de José Luiz Datena. Ele vai conversando com todo mundo, faturando R$ 700 mil por mês e blefando, dizendo que vai e na hora H, recua, faz outra exigência e cai fora. E vai mantendo seu “show político” e segurando a audiência na Band.
  • AINDA a investida de Paulo Guedes sobre as empregadas domésticas que estavam “indo muito a Disneylândia” com o dólar baixo: ele mesmo passou parte de suas férias de janeiro em Orlando, com direito a passeios pelo parque.
  • O SENADOR Major Olímpio decidiu encabeçar manifesto cobrando de seus pares a “aprovação imediata” da proposta que tramita no Senado para garantir a prisão de condenados em segunda instância. Já distribui documento assinado por 32 dos 81 senadores – e de partidos diferentes.
  • ATACADO pelo deputado Glauber Braga, do PSOL, que o acusou de ser “capanga” das milícias, o ministro Sérgio Moro respondeu à calúnia: “No projeto da lei anticrime, propusemos que milícias fossem qualificadas expressamente como organizações criminosas. Propusemos várias outras medidas contra o crime organizado. O PSOL de Freixo e Glauber foi contra todas elas”.
  • A MINISTRA Damares Alves quer assumir a TV Escola que o ministro Abraham Weintraub despreza e transformá-la numa espécie de TV Família. Já conversou com Regina Duarte sobre a possibilidade de abrigar produções artísticas desenvolvidas pela área da Cultura do governo. Regina, contudo, quer a TV Escola debaixo da Secretaria da Cultura e sob sua direção.

(Colaboração: Paula Rodrigues)

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Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".