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“O ovo da serpente, à exemplo do que já ocorreu na República de Weimar, parece estar prestes a explodir no Brasil”

de CELSO DE MELLO, ministro do STF, emprestando o título do filme de Bergman sobre ascensão do nazismo
02/06/2020 06:00 - Giba Um


“O ovo da serpente, à exemplo do que já ocorreu na República de Weimar, parece estar prestes a explodir no Brasil”,  
de CELSO DE MELLO // ministro do STF, emprestando o título do filme de Bergman sobre ascensão do nazismo.

 

Se a gestão de Eduardo Villas Boas foi pontuada pelo espírito da chefia e por excesso de comunicação, a postura do atual chefe das Forças Armadas, general Edson Pujol é diferente.  

Mais: ele fala pouco (ou nada), não quer arriscar em nenhum deslize verbal em um ambiente em que o presidente da República fricciona as Forças Armadas (relembrando a possibilidade de um golpe militar).

 
 

Mais uma para a conta

A modelo Isabeli Fontana, 36 anos, emplaca mais uma campanha para sua conta, ela é garota-propaganda da grife de moda de vestidos de noivas e para festa Ali Younes. As fotos foram feitas antes da pandemia, ela aparece em trajes luxuosos em diversas cores. No mês passado Isabeli participou de um desfile virtual idealizado por Carine Roitfeld que arrecadava fundos para o desenvolvimento de tratamentos da covid-19. A modelo frisou que a quarentena tem servido para ela e seu marido se conhecerem ainda mais. “Dá um choque às vezes, mas normal, nada de diferente. A gente nunca dormiu brigado até hoje. E mesmo com qualquer choque, a gente sempre resolve e sempre dá risada quando se olha”.

Outra reforma

O governo prepara agora a reforma patrimonialista. Será o lançamento de amplo programa de desmobilização de ativos da União, servindo de pé de apoio para a retomada economia pós-pandemia. O governo poderia criar um orçamento específico para investimentos, notadamente na infraestrutura, a partir de um funding obtido com concessões, privatizações e venda de imóveis. Os recursos ficariam circunscritos ao financiamento de projetos novos. Outro ponto importante seria a modelagem do programa, que dependeria da utilização de sofisticados instrumentos financeiros, como recebíveis e debêntures com garantias públicas. Desde que chegou ao governo, Paulo Guedes fala na privatização do Banco do Brasil. Na polêmica reunião ministerial de 22 de abril, com direito a um palavrão, Guedes voltou ao assunto querendo acelerar a venda. Ele tem pronto estudos sobre a privatização do BB há meses. Guedes também acredita que, no pós-pandemia, a venda de uma grande estatal, além de fôlego (a Wells Fargo é o primeiro grande candidato), abriria o caminho para compor na retomada do desenvolvimento.

 
 

Boa forma

A atriz Carol Macedo, 26 anos vive mostrando sua boa forma nas redes sociais, durante esta quarentena. Ela que tem aproveitado os momentos de isolamento social com o namorado, disse que a rotina mudou e revelou que nos primeiros dias fez uma grande faxina. Vaidosa ela cortou seus próprios cabelos e gostou do resultado. “Tento manter essa rotina saudável, mas também atendo essas minhas vontades e não me cobro tanto. Beber muita água! A água é a melhor aliada para saúde do corpo, da pele, de tudo!”.

Trotando

A figura de Jair Messias, de camisa esporte e jeans, montando a cavalo e cercado de seguranças (todos de máscaras, menos o presidente), saudando apoiadores de um movimento a favor do governo, foi devida exportada para jornais do mundo inteiro e ganhou grande espaço na CNN Internacional. o The Guardian o comparou a um ator de cinema fazendo o papel de um mocinho de filme de faroeste nos anos 50 e que “faltou apenas o chapéu e o revolver”.

In – Kiwi
Out – Figo

 
 

Jogo de cena

É pouco provável que o pedido de abertura do processo contra Flávio Bolsonaro no Conselho de Ética do Senado prospere. O clã Bolsonaro conta com o aliado Jayme Campos (DEM-MT), presidente do colegiado, para barrar a iniciativa. O argumento para a blindagem já está dado: a acusação de que a Polícia Federal vazou informações da Operação Furna da Onça para Flávio remete a um episódio anterior à sua eleição para o Senado.

Olho no TSE

Jair Bolsonaro voltou a falar, em live com o jurista Ives Gandra Martins, no famoso artigo 142 da Constituição que permite a intervenção das Forças Armadas em outros poderes para garantia da lei e da ordem, desde que solicitada por um poder que se julga sem condições de funcionar. Seria um “poder moderador”, vizinho do “estado de sítio”, mas segundo os analistas de plantão, primeiro passo para um golpe de Estado. Juristas veem essa alternativa como única caso as Forças Armadas sejam chamadas. Augusto Heleno (GSI) e Fernando Azevedo e Silva (Defesa) já foram notas na defesa da democracia.

CÂNTICOS

Em Brasília, as manifestações começaram na madrugada com o movimento 300 do Brasil, liderado pela blogueira Sara Winter, uma das investigadas no inquérito das fake news, acendendo tochas, usando máscaras e entoando cânticos de guerra, em frente ao STF. Pela manhã, sem máscara, Bolsonaro se reuniu com apoiadores na Esplanada dos Ministérios.

Tom de ameaça

Nas últimas horas, pai e filho se encarregaram de despejar nos ouvidos dos brasileiros duas frases com certo tom de ameaça. No cercadinho do Planalto, Jair Bolsonaro diz que “tudo aponta para uma crise” e o filho Eduardo, ratifica com alteração, frase anterior: “Quando eu disse que não seria surpresa se as Forças Armadas forem convocadas queria dizer quando as Forças Armadas forem convocadas”. Ele também reza na cartilha do artigo 142.

ATÉ HITLER

Bolsonaro está uma fúria com Celso de Mello, ministro do Supremo, que agora resolveu comparar o Brasil à Alemanha sob Hitler e dizer que é preciso resistir “à destruição da ordem democrática”. Antes, o magistrado disse que a intervenção militar, como defendem apoiadores de Bolsonaro, nada mais é senão a instauração de uma “abjeta ditadura”.

Confrontos

Pela primeira vez desde o início da pandemia, grupos críticos do governo ocuparam as ruas em oposição a manifestantes favoráveis a Bolsonaro. Os novos atos, com gritos em prol da democracia, foram puxados por torcedores de clubes de futebol, como Corinthians, Flamengo e Palmeiras, a maior  parte vestindo preto. Em são Paulo e Rio, o encontro dessas vozes com os apoiadores de Jair Messias e com a polícia levou a confrontos. À certa altura, ninguém sabia exatamente qual era seu bloco – e nem a polícia.

“Cartel do bem”

As empresas aéreas Latam, Gol e Azul queriam criar uma espécie de “code share” para a venda conjunta de bilhetes – mas com operações separadas. Um passageiro poderia comprar no mesmo site e pagando de uma única vez, trechos diferentes e operados por companhias diferentes. Dificuldade de operacionais e de tecnologia enterraram a ideia. Outra ideia – apelidada de “cartel do bem” – era dividir entre si cidades e horários evitando sobreposições e poupando recursos nesse momento de crise. O Cade jamais aprovaria essa solução.

GASTOS

Para se ter melhor ideia do que acontece no mercado da aviação: uma empresa como a Gol, por exemplo, tem despesas mensais em torno de R$ 400 milhões, enquanto suas receitas têm ficado abaixo de R$ 100 milhões durante a pandemia. O BNDES não quer abrir financiamentos e as empresas podem aguentar entre seis meses a um ano.

MISTURA FINA

  • QUEM estava no helicóptero com Bolsonaro, no domingo, sobrevoando manifestações a seu favor e contra o Congresso e o STF era o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. Havia sido convidado (único) do presidente “para sentir de perto as emoções dos protestos”.
  • HOJE, 2,9 mil militares atuam no Executivo, 1.595 do Exército, 680 da Marinha e outros 622 da Forças Aérea Brasileira. Mais: 42% da estrutura da Presidência é ocupada por militares, lotados especialmente no Gabinete da Segurança Militar.
  • JAIR Bolsonaro agora tem usado, repetidamente uma gravata azul com pequenos fuzis enfileirados. Acha que é ideal para a ocasião. Ganhou de presente do filho Eduardo, numa de suas idas aos Estados Unidos.
  • O PRÓXIMO prefeito do Rio (e pode ser o mesmo Marcelo Crivella) vai encontrar a prefeitura da cidade, depois de fechar 2020, com um rombo de R$ 10 bilhões. O número leva em conta a forte queda de arrecadação e o fato de já ter entrado em 2020 com um déficit orçamentário de R$ 1 bilhão e restos a pagar de R$ 4 bilhões.
  • MICHEL Temer foi objeto de denúncia e jamais perdeu a fleuma; Dilma foi impedida de governar e nunca ameaçou qualquer tribunal ou casa legislativa; Lula foi julgado e acabou preso, depois de ser denunciado em cinco casos de corrupção; e FHC foi denunciado por compra de votos na emenda da reeleição e nunca ameaçou virar o barco. Eram outros tempos.
  • O ESTADO de saúde do ex-deputado Eduardo Cunha é delicada. É grande a possibilidade de que ele permaneça preso em regime domiciliar mesmo depois do fim da pandemia. Ele foi operado de hemorroidas e tem sérios problemas coronários.
  • ROBERTO Jefferson (PTB) tenta fazer a cabeça de Jair Bolsonaro pela recriação do Ministério do Trabalho. Cristiane Brasil, filha de Jefferson, foi indicada para Pasta no governo de Michel Temer. Só não assumiu porque o STF barrou a nomeação, por antecedentes dela.  
  • GOVERNADORES do Nordeste estão montando um dossiê com as “fake news” de que  têm sido alvo e os perfis propagadores de ataques nas redes sociais. O material será enviado ao ministro Alexandre de Moraes. É mais munição contra o “gabinete do ódio”.

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.