Colunistas
ARTIGOS

A nova modelagem social

Em suma, tentam substituir a falta de carisma por populismo

Da Redação

30/06/2022 07:30

Gaudêncio Torquato - Jornalista  

A sociologia política tem sido a fonte para análise dos fenômenos contemporâneos. Em seus imbricados fios, veem-se os impulsos, os movimentos, os avanços da globalização, enfim, a ruptura com a velha ordem mundial.

Um pouco de história. Entre 1945 e 1989, logo após a 2ª Guerra e até a queda do Muro de Berlim, vivíamos dentro de uma moldura desgastada. Quase desabando da parede.

O ciclo de degradação teve como ingredientes fenômenos que balançaram a vida econômica das Nações, entre eles, as crises do petróleo, que puxaram para baixo o crescimento, e a migração de polos industriais para centros de custos menores e menos sujeitos às crises políticas.

Com a debacle do sistema socialista, o neoliberalismo econômico deu um salto e os EUA passaram a ser o centro de irradiação de ideários. A globalização mostrou suas facetas, homogeneizando e integrando processos, quebrando fronteiras internacionais, impondo uma nova ordem. Que atingiu em cheio modos de pensar e agir, comportamentos sociais e políticos, movimentos das margens da sociedade.

Os blocos econômicos formados, empuxados pelos avanços das telecomunicações e sistemas de transportes, ditaram suas conveniências, como a presença mínima do Estado na economia, a redução de gastos públicos, a tessitura do bem-estar social.

Nessa onda, emergiram fenômenos centrípetos, ou seja, das margens para o centro, de lá para cá, sob a alavanca de movimentos transformadores.

Exemplo é a Primavera Árabe, uma árvore que multiplicou sementes no planeta, proporcionando nova concepção na ordem da política e dos costumes. 

Protestos e urros de revolta passaram a ser ouvidos ali e aqui, disseminando a ideia de que a sociedade queria ascender na escada da razão, sem perder a emoção. A maré de protestos produziu uma revolução no Oriente Médio e no continente africano, puxando as populações para as ruas e derrubando ditadores.

O alvo, expresso no discurso de rebeldia, foi sempre a melhoria das condições de vida. Nesse ponto, adiciono ao pano de fundo outros acontecimentos, alguns bem descritos por Roger Gérard Schwartzenberg em seu livro “Sociologia Política”: o declínio das ideologias, o arrefecimento partidário, o arrefecimento das bases, o declínio dos Parlamentos.  

Em paralelo, novos polos de influência – sindicatos, associações, federações, grupos, núcleos, setores e áreas – entraram na arena de luta pelo poder.

Os eleitores, desconfiados da velha política, procuraram novos barcos e remos para navegar na desafiante travessia. Buscaram suas entidades de referência – as organizações acima citadas. É este o novo horizonte, onde se abre o Tempo das Paixões Tristes, livro de François Dubet, um dos maiores sociólogos da França.