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PRODUÇÃO

Alimentos e energia: os setores de economia que diferenciam o brasil do mundo

Confira a coluna de Michel Constantino desta terça-feira (28)

Michel Constantino

28/06/2022 00:05

 

A pandemia, guerra entre Ucrânia e Rússia e as restrições de fluxos financeiros entre os países, estão mudando as prioridades do mundo. Com uma agenda ambiental e social forte até o período antes da pandemia, hoje estamos acompanhando uma mudança na forma de tratar os setores que impactam o meio ambiente, como o de energia. 

Estados Unidos e Alemanha, e grande parte de países europeus estão retornando o uso de carvão e termelétricas para garantir suas atividades produtivas e aquecimento residencial. Os Estados Unidos abriram a possibilidade de produzir alimentos em áreas de preservação, enquanto Alemanha retirou suas metas de redução de carbono até 2030.

Com a produção de alimentos e insumos comprometida pela guerra entre Rússia e Ucrânia e suas respectivas restrições de produção e compra, o mundo se viu desabastecido de produtos essenciais como alimentos e combustíveis, além da falta de insumos para a própria produção de alimentos.

Nesse caso, a falta da oferta desses produtos está impondo às pessoas com menor poder aquisitivo, a pior taxa possível, que é o aumento generalizado dos preços. Um exemplo é a Argentina, que pensou que poderia aumentar seus estoques internos, restringindo a exportação, e hoje tem uma das maiores taxas de inflação do mundo.

Nesse contexto mundial, esse e os próximos anos serão desafiadores para as pessoas e seus orçamentos familiares, pois, não é simples conter preços e baixar preços numa situação onde há falta, ou seja, oferta de produtos essenciais. 

O Brasil está no centro desses dois setores, com privilegiada condição de produção, seja para produtos da agricultura familiar, seja para a agricultura e pecuária para exportação, as políticas públicas devem continuar voltada para aumentar a eficiência desses processos produtivos, incluindo tecnologias que reduzem custos e impactos ambientais. 

Em relação à energia temos a matriz energética mais limpa e barata, e estamos inserindo a passos largos a energia solar nas residências e empresas, além do hidrogênio verde, que no nordeste já é importante fonte de produção e exportação. 

As empresas que estão investindo no Brasil já promovem as melhores práticas ESG, como é o caso da Arauco Celulose, que em Mato Grosso do Sul, irá investir R$ 20 bilhões, e será autossuficiente em energia, usando fonte renovável, com capacidade de geração de 400 megawatts (MW) a partir do reaproveitamento de biomassa. A energia excedente, ou 200 MW, será comercializada no mercado livre.

O Brasil se tornou o centro estratégico do mundo nos setores de energia e alimentos, com vantagem comparativa notória, cada vez mais iremos acompanhar um aumento dos investimentos estrangeiros diretos no país (IED) com foco nesses setores e na diversificação da matriz produtiva e energética.