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SAÚDE EM ALTA PERFORMANCE

Entenda o que é cancelamento, e seus efeitos na saúde mental

Cancelamento: a prática que pode causar depressão nos cancelados, e grandes tombos nos canceladores
03/05/2021 09:50 - Cauê Marques


Prática é nociva tanto para os que são alvo de ataques nas redes sociais, quanto para os que cancelam;

A entrevistada do programa Saúde em Alta Performance desta segunda-feira (3) é a neurocientista terapeuta Glaucia Benini. 

O cancelamento, prática que se difundiu nos últimos três anos nas redes sociais, e que tornou-se nociva para muitas pessoas - conhecidas ou não -  assassinando reputações, é o tema central da entrevista.

Conforme Glaucia, apesar do surgimento da prática em 2017, nos Estados Unidos, com a difusão da hashtag #metoo para que mulheres relatassem seus casos de abusos sexuais, o que permitiu que poderosos executivos e diretores do cinema fossem processados por abuso sexual, prática desviou-se de seus propósitos depois de difundida, não somente nos EUA, mas também no Brasil e em outros países.

“A prática acabou sendo banalizada, sendo usada em atitudes banais, do cotidiano. 

Pessoas começaram a ser canceladas por muito pouca coisa”, explica Glaucia Benini.

“Hoje, quando uma afirmação vai contra os ideiais de um determinado grupo, é o suficiente para se cancelar a imagem da pessoa que fez a afirmação”, analisa.

Glaucia lembra que o cancelamento deixa vulnerável todos, até mesmo o cancelador. 

“Todos nós temos erros, e isso pode tornar-se uma brecha para que sejamos cancelados”.

A consequência é a vulnerabilidade e o medo: “Isso favorece que as pessoas fiquem com muito medo de expor suas opiniões”, afirma.

Para os que são cancelados, as consequências são exclusão, depressão, síndrome do pânico, dentre outros males. 

Para os canceladores, os efeitos negativos é o que nas redes sociais é chamado de “tombo”. 

Uma grande queda causada pela falsa sensação de poder.