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O agro na escola

Lá em Sorriso, vi a meninada sorrir. Eles se sentiram orgulhosos de presenciarem um Brasil que dá certo

Da Redação

20/06/2022 07:30

Xico Graziano - Integrante do Conselho Científico Agro Sustentável

Convidado pelo Clube Amigos da Terra (CAT), estive nesses dias na cidade de Sorriso, norte de Mato Grosso. Fui participar do lançamento de um projeto sensacional intitulado “O Agro na Escola”.

Com parceria da Secretaria Municipal de Educação, participam do projeto escolas públicas e privadas. Durante um dia, em três aulas, com auditórios repletos, lecionei para professores e alunos do ciclo fundamental. Muitos estudantes do Instituto Federal de Mato Grosso também lá estavam. Foram cerca de 500 pessoas.

“O Agro na sua vida. Sorria” era o título da minha aula. Ao prepará-la, como ponto de partida a constatação de que o município de Sorriso é o maior produtor de soja do mundo. Sim, incrível, do mundo.

Dessa forma, comecei por fazer uma pergunta simples: por que os agricultores plantam soja?

Descobri que mesmo lá, no coração do Brasil rural, muita gente, dos pequeninos aos adultos, desconhece coisas básicas sobre nossa agropecuária. Falta, na escola, e por consequência na sociedade toda, informação sobre a importância da produção rural na nossa vida.

Voltando para São Paulo, ocorreu-me escrever essa espécie de crônica para contar, ao público mais amplo, o que conversei com os alunos de Sorriso. Um beabá do campo para a cidade. Afinal, para que serve a soja?

Destaco suas três grandes utilidades:  

1 – Do grão de soja se extrai a lecitina, um componente químico fundamental na indústria da alimentação. Sorvetes, bolos, salsichas, leite em pó, margarinas, achocolatados, almôndegas e barrinha de cereais, em todas essas delícias, e muitas outras, utiliza-se a lecitina como emulsionante. Ela que oferece aquela consistência macia, pastosa, gostosa, que torna esses alimentos apreciados;

2 – O grão de soja apresenta elevado valor nutricional, com média de 38% de proteína e 20% de óleo vegetal. Para comparação, o teor proteico do trigo é de 10% e do milho, 8%. Essa riqueza única permite que a soja, depois de moída para a extração do óleo de cozinha, resulte em um farelo muito cobiçado, aqui e no exterior, para a produção de rações animais.