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MERCADO INTERNACIONAL

O agronegócio em 2023: Guerra, China e política

Confira a coluna de Michel Constantino desta terça-feira (04)

Michel Constantino

05/07/2022 00:05

 

O Agronegócio brasileiro fica de olho nos movimentos chineses, na Guerra da Rússia e Ucrânia e quem estará na cadeira de presidente do Brasil.

Em relação à China, o maior comprador das commodities brasileiras, o saldo negativo, ou seja, o déficit da balança comercial chinesa é a maior do mundo. A demanda e a dependência dos produtos agro são aproximadamente 120 bilhões de dólares, e isso quer dizer que não há países capazes de atender essa demanda nos próximos 10 anos, por duas razões: i) os demais países já possuem suas demandas atendidas e, ii) a demanda chinesa cresce de 5 a 10% por ano, com o deslocamento da população da classe baixa para classe média.

A guerra entre Rússia e Ucrânia tem impactado todo sistema de oferta de alimentos, commodities, energia, fluxo financeiro e mercado internacional em todo mundo. Os dois países são importantes consumidores e produtores de alimentos e energia, e com as restrições financeiras aplicados à Rússia, o fluxo financeiro ficou praticamente nulo, e, em alguns casos limitados a 90%. No caso da Ucrânia, a produção e a logística de escoamento está comprometida, desconectando o país do mundo e reduzindo drasticamente a oferta dos seus produtos.

No contexto da guerra, a China vem comprando da Rússia, e estreitando os laços financeiros com sistema próprio de trocas e remunerações. Alguns ditos “especialistas” estão prevendo que a produção de commodities da Rússia e da China poderão diminuir a demanda dos produtos brasileiros. 

Esses especialistas esquecem de analisar o tamanho do déficit da balança comercial, o crescimento da renda chinesa e do consumo e a diminuição da oferta global. 

Com a produção da Rússia direcionando para a China, a dependência do Brasil não muda, o que é um alívio, pois a China vai pressionar os Estados Unidos para garantir o abastecimento de fertilizantes para o nosso país. Sem nossos alimentos, a insegurança alimentar aumenta e o aumento dos preços das commodities podem triplicar.