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Reinfecção, vacina e anticorpos: saiba mais sobre as principais dúvidas envolvendo o novo coronavírus

Cauê Marques entrevistou a infectologista Iris Bucker e esclareceu as principais dúvidas sobre a Covid-19
14/12/2020 09:00 - Da Redação


Hoje, o apresentador Cauê Marques entrevista a médica infectologista, Iris Bucker. Durante o programa, Cauê esclareceu as principais dúvidas envolvendo a contaminação pelo novo coronavírus. 

Confira a entrevista:

Cauê Marques: Nessa segunda onda, se é correto dizer assim, houve alguma mutação do vírus?

Iris Bucker - Sobre o conceito de segunda onda, talvez tenha alguma divergência só no que a gente precisava ter atingido para a gente chamar de segunda onda. Mas, a gente pode dizer sim que estamos em uma nova onda, inclusive pior do que a primeira, e não dá para a gente saber se houve mutação ou não. Na verdade, esse número de pacientes que está aumentando gradativamente é de pessoas que nunca tiveram o vírus. Então são pessoas suscetíveis que estão se contaminando pela primeira vez e por isso está aumentando o número de casos na nossa cidade. 

Cauê Marques – O que se sabe sobre reinfeção do novo coronavírus?

Iris Bucker – Hoje nós já temos descritos casos de outros países, assim como o nosso país descreveu o primeiro caso de reinfecção. Então é possível sim depois que a gente teve pela primeira vez o coronavírus, a gente se infectar novamente. 

Esses casos descritos lá na Europa, eles conseguiram analisar geneticamente o vírus e viram que ele mudou um pouquinho. Esse vírus da segunda infecção é um pouquinho diferente da primeira, então a pessoa criou anticorpos contra essa primeira infecção, mas esse anticorpo não garante que ele fique protegido para sempre. As pessoas que pegaram a segunda vez, tiveram casos com uma situação mais leve e outros casos que tiveram uma situação mais grave que a primeira. 

Cauê Marques – Qual é a atuação dos anticorpos?

Iris Bucker – Toda vez que nós entramos em contato com qualquer agente, ou seja, bactéria, vírus ou fungo, nosso corpo começa a produzir substâncias para combater essa infecção. Essas substâncias são chamadas de anticorpos. Alguns anticorpos conseguem proteger a gente daquela infecção a vida inteira, como é o caso da caxumba, catapora e hepatite A. Mas, para algumas doenças não.  

Às vezes podemos ficar protegidos por um tempo, mas esses anticorpos diminuem no sangue e nós podemos pegar novamente a doença. Em relação ao coronavírus, estamos aprendendo muito sobre isso, a gente não sabe como seria um anticorpo que garantisse para a gente a segurança para sempre, mas a gente sabe que consegue se infectar. Dentro de três meses, os anticorpos que produzimos dentro dessa primeira infecção não são capazes de impedir que a gente se contamine de novo. 

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Cauê Marques – De maneira geral, quais são as principais sequelas de pessoas que pegaram o coronavírus?

Iris Bucker – Hoje a gente diz que é Síndrome Pós-covid. Então quando a gente vê aqueles números, tantos mil brasileiros recuperados da Covid, então, a gente pode dizer que eles teriam se curado dessa primeira infecção, mas não necessariamente todos estão recuperados.  

Porque alguns deles ficam com as sequelas, pode ser um cansaço, dificuldade de fazer uma atividade física, alguns ficam com dores articulares, tem pessoas que tem problemas cardíacos, problemas renais, problemas na pele. Isso também é uma situação que nós estamos aprendendo. As principais seriam o cansaço, a dificuldade para voltar o ritmo que tinha antes, e as articulações. 

Cauê Marques: O que a senhora pensa sobre as vacinas? São todas confiáveis?

Iris Bucker – as vacinas elas têm que passar obrigatoriamente por uma sequência de análises, de estudos, aqueles termos que a gente está ouvindo sempre: fase 1, fase 2 e fase 3. Elas obrigatoriamente têm que passar por todas essas fases para serem aprovadas porque durante a produção de vacinas, a gente tem que entender se aquelas substâncias serão capazes de desenvolver o anticorpo que precisamos, se as substâncias não causarão um dano para o organismo, ou seja, uma reação alérgica, reação grave. Também tem que se estudar qual é a quantidade necessária para produzir esses anticorpos, se a gente vai precisar usar uma ou duas doses e qual é o intervalo entre essas doses. 

Cauê Marques - Em relação ao soro anti-Covid. O que se sabe sobre isso?

Iris Bucker - Saiu uma reportagem, aqui no Brasil, que eles estão usando a mesma tecnologia que é utilizada para produzir o soro antirrábica, o soro contra algumas doenças. Eles aplicam, por exemplo, estão aplicando o coronavírus em cavalos, os cavalos produzem os anticorpos, a gente pega esses anticorpos e dá para as pessoas doentes. Essa tecnologia já existe para outras doenças, por exemplo, hepatite A e raiva. 

E também é uma esperança, porque seria muito interessante para pessoas que estão em um estado mais grave, porque Isso ajudaria o sistema imunológico da pessoa a combater a infecção. 

 

Para saber mais, confira a entrevista completa: 

 
Entrevista com a infectologista Dra. Iris Bucker - Reprodução Estúdio Correio do Estado - Edição Denis Felipe