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CRÔNICA

Toda a luz que precisamos

"Hoje estamos vivendo um dia de cada vez. "
04/07/2020 09:16 - Theresa Hilcar


 

Com o mundo de cabeça para baixo, para dizer o mínimo, e a ansiedade em curso, me ponho a procurar respostas no oráculo chamado Google. Um tema em particular, que vem tomando as redes sociais são as chamadas 10 Pragas do Egito. Que veio com mais força depois de uma nuvem de gafanhotos apareceu na Argentina, com perigo de vir ao Brasil. Isto sem falar nos ciclones bombas. 

Na bolha do isolamento, onde tudo toma proporções avassaladoras, a passagem bíblica gritou minha atenção. Na busca detive-me num link da palestra intitulada: “O momento é Bíblico”, ministrada por Ian Mecler, conhecido mestre cabalista. Antes que alguém torça o nariz para a prática milenar, é bom entender que não, a cabala não é religião. Nem autoajuda, superstição, magia, bruxaria ou sociedade secreta.  É uma corrente do judaísmo que estuda e interpreta com mais liberdade as obras e ensinamentos da religião tradicional, que segue os mesmos mandamentos do Velho Testamento, a Toráh. 

Não vou aqui reproduzir a palestra – que está no Youtube. Algumas coisas ditas, em minha opinião, são bem pertinentes, não importa a religião ou a falta dela. Difícil discordar do fato de que estamos vivendo acontecimentos estranhos que alguns chamam de pragas. Como negar que no Brasil, por exemplo, as pragas vão além da saúde e cruzam os limites da política? Como não admitir que às vezes bate certo desespero? 

Por isso, diante da nossa absoluta impotência, para a qual só dispomos de saídas temporárias, a mensagem da palestra me pareceu sensata: este é um daqueles momentos que é preciso entender que somos um coletivo, somos todos um só.  E nem adianta reclamar, xingar, exasperar-se. Os homens que detêm o poder sempre fazem ouvidos moucos. Estamos por nossa conta. 

Se há algum aprendizado neste momento caótico (e sempre há), com certeza ele é composto por palavras como empatia, solidariedade, gratidão, perdão, consciência, luz.

Acredito que nunca foi tão necessário juntar essas palavras em preces, seja em que credo for. Orações são âncoras que nos tiram da escuridão. Acredito que o mais cético dos seres humanos, em algum momento da vida, vai pedir ajuda a Deus. Pode ser durante um momento de desespero, uma instabilidade no voo, alguma perda, doença, qualquer aperto emocional ou material. Quem nunca disse: “Meu Deus me ajuda!” que atire o primeiro livro de Nietzsche.

Aliás, entre os célebres aforismos do filósofo alemão, que era crítico contumaz das religiões, um combina bem com o que estamos falando. “As pessoas simplesmente não conseguem entender aquilo que está para além da sua visão fútil e míope sobre a vida.” Talvez, quem sabe, estivesse ele vivendo neste século, e por força das circunstâncias, Nietzsche não faria concessão a algum tipo de prece? Conjecturas de quarentena.  Mesmo porque, vamos combinar, o filósofo, que morreu em 1900, não passou nenhum perrengue dessa natureza. 

Hoje estamos  vivendo um dia de cada vez. A guerra lá fora é verdadeira, real, mesmo que não ouçamos estampidos de armas nem a explosão de bombas, tampouco tanques nas ruas. As baixas estão aumentando a cada dia e as bombas, mesmo silenciosas, estão explodindo cada vez mais perto. Tive um amigo que costumava dizer que a gente só se move para a transformação quando está se afogando. Talvez este seja um desses momentos.

Ah! Mas você é daqueles que não acreditam em nada? Nem religião, espiritualidade, energia cósmica, em nada? Lamento decepcioná-lo, mas até a ciência concorda que um pouco de fé não faz mal a ninguém. E que fique claro, não falo aqui de fé cega, fanatismos, radicalismos e outros “ismos” em que muita gente acredita. Falo aqui de uma palavra que foi muito gasta, mas pouco experimentada, compreendida. A palavra é amor. Único sentimento possível, última gota no oceano de crenças materialistas, verdades líquidas e mentiras faladas e escritas à exaustão.

Em vista de tudo isto, a sugestão feita por Ian Mecler veio para mim como bálsamo – e pode servir de bote salva-vidas para os mais céticos. Ele recomenda uma prática adotada por religiosos e espiritualistas do mundo inteiro há milênios: reservar alguns minutos todos os dias para fazer uma prece. É como se cada um de nós acendesse uma vela para, juntos, iluminarmos a enorme escuridão à nossa volta. A de fora e a de dentro.

Felpuda


Falatório e atitude de membro da família acenderam a luz vermelha no “QG” de candidato, pois poderão causar muitos estragos. 

A tropa de choque de defensores do candidato a prefeito já foi colocada em campo e só falta falar que os genes de ambos são diferentes. 

E com relação ao dito-cujo, sabe-se que deverá ser orientado a “baixar a bola” nos próximos dias, mais precisamente até o término da campanha eleitoral.

Afinal...