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GIBA UM

“Até termos uma vacina que nos proteja, a máscara tem de ser uma peça do vestuário, como a gravata já foi um dia ou chapéu no início do século XX"

de PAULO CHAPCHAP médico, diretor do Hospital Sírio-Libanês
04/05/2020 06:00 - Giba Um


Antes de demitir Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, Jair Bolsonaro já havia declarado que poderia mudar dois ou três ministros. Demitiu Mandetta, Moro se demitiu.

Mais: agora falta um. Na bolsa de apostas estão Paulo Guedes (ele mesmo está a fim de jogar a toalha) e Tereza Cristina que anda descontente com a postura do presidente.

 
 

Gravidez Surpresa

A atriz e apresentadora Giovanna Ewbank, 33 anos, está grávida de seu primeiro filho biológico. Capa e recheio da Marie Claire, em homenagens aos Dias da Mães, ela fala sobre esta experiência. “Nunca quis ter filho, sempre falei sobre isso... Mas só até encontrar meus dois, a Titi, 6  e, posteriormente, o Bless, 5. Havia inclusive congelado óvulos, aos 30 anos. Na época, eu e Bruno decidimos que não queríamos filhos biológicos, estávamos muito bem com a Titi”. Foi pega de surpresa com a gravidez, porque tomava alguns cuidados para não acontecer. Iria colocar DIU quando soube da chegada do novo membro, ficou em choque e até ligou para sua terapeuta. Revela que seus filhos estão felizes e comenta: “A Titi que nos falou: ‘Ele vai ser branquinho igual ao papai’”. As fotos foram feitas por seu marido Bruno Gagliasso, que mostrou que leva jeito.

Profeta e os servos

“Como o diabo gosta” – essa antiga expressão popular cai como uma luva no colo de Jair Bolsonaro por conta de suas duas novas aquisições ministeriais. O ministro da Saúde, em suas poucas e vacilantes aparições, não abre a boca a não ser em seu gabinete com grande foto de Bolsonaro às suas costas, com a faixa presidencial. Agora, André Mendonça, ex-AGU, “terrivelmente evangélico” como disse o próprio Bolsonaro em sua posse, pastor presbiteriano, o novo ministro da Justiça, que se disse “servo”, chamou o presidente de “profeta” e prestou continência diante das câmeras, o que chega ser tragicômico. Um dos ministros militares presentes à posse de André Mendonça, cochichou com outra figura do governo, diante das ações do novo ministro, com uma dose de ironia e brincou: “Daqui a pouco, ele vai dizer que a Terra é plana e que criancinha não precisa de cadeirinha no banco de trás dos carros”. O chanceler Ernesto Araújo e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, adoraram o discurso de André Mendonça, já cotado para uma cadeira no Supremo no final do ano.

 
 

Outros lados

O jogador Neymar Jr., seguindo a recomendação de isolamento, resolveu vir para o Brasil para passar este período de pandemia aqui. O alerta do distanciamento social foi dado antes na Europa e por isso, conseguiu viajar. E para se manter em forma em sua mansão, pratica o padel (esporte semelhante ao tênis, mas com uma quadra menor e mais velocidade no jogo). Assíduo das redes sociais, outro dia, resolveu brincar com os fãs postando uma foto com um violão nas mãos, na legenda “Verificado Live Acústica do NJ (real ou fake)?”.

Linguagem

Em seu primeiro encontro com parlamentares, na semana passada, o ministro da Saúde, Nelson Teich, deu novas mostras de que gosta de usar uma linguagem rebuscada que ninguém entende. Perguntaram sobre o pico e ele: “Não sei e ninguém sabe”. Depois, se a população deve ou não permanecer em casa e o ministro: “Você simplesmente pergunta se ficar em casa ou se não fica em casa é simples demais. É uma resposta simplista para um problema que é extremamente heterogêneo”. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) ficou incomodado: “Estou tremendamente frustrado com essas respostas”. E a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) não deixou por menos: “O senhor vai acabar com sua biografia”.

In – Quarentena: maquiagem com destaque nos olhos

Out – Quarentena: maquiagem com destaque na boca

 
 

Quer desistir

Até Alexandre Ramagem quer desistir de sua nomeação para a direção-geral da Polícia Federal suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes. Bolsonaro insiste na escolha, recorrendo ao STF, até para lavar a imagem do delegado, segundo ele pessoa honrada, vítima de injustiça, ao ser apontado como alguém suscetível a cometer irregularidades. Mais: como favorito de Bolsonaro e de acordo com suas predileções, Ramagem faz supor que vivia abrindo a boca, quando na Abin, diretamente ao presidente.

Contra a OMS

Sem citar a fonte e nem apresentar documento oficial, Jair Bolsonaro publicou em suas redes sociais, na semana passada, uma suposta lista de “diretrizes para políticas educacionais” da OMS onde aparecem recomendações de “masturbação” e “relações entre pessoas do mesmo sexo” para crianças. E escreveu: “Essa é a OMS que muitos dizem que devo seguir no caso do coronavírus. Deveríamos então seguir também suas diretrizes para políticas educacionais?”. 20 minutos depois o post foi deletado e o autor seria Carlos Bolsonaro.

SOB ENCOMENDA

O Planalto (a ideia é da Secom) está pedindo a grandes empresários amigos do governo que publiquem grandes anúncios nos jornais, minimizando o impacto da Covid-19 e pregando a retomada da atividade econômica. Mesmo alguns amigos poderosos têm empurrado com a barriga o pedido e outros acatam. Um bom exemplo é o anúncio de página inteira assinada por José Isaac Peres, dono da Multiplan e publicado há dias nos grandes jornais do país.

Sem chance

Neste momento de pandemia mundial, alguns políticos brasileiros querem levar vantagem nesta situação. Podem tirar o cavalinho da chuva, porque mais que nunca (por causa do isolamento os brasileiros estão assistindo mais televisão e ficando por dentro do que acontece nos bastidores políticos) não vão deixar isso acontecer. Segundo levantamento da Paraná Pesquisas 77,1% dos eleitores são contra a alteração na Constituição quer permitiria que Rodrigo Maia, presidente da Câmara se reelegesse para o cargo; 16,4% são a favor e 6,5% não souberam ou não quiseram opinar.

NOVO ALVO

Agora, Bolsonaro anda reclamando que não vê pelo Planalto a figura de Regina Duarte, dois meses secretária da Cultura e nada foi feito. Ela está em São Paulo, de quarentena, comandando a secretaria na base do home office. “Onde ela andar? Gostaria de continuar com nosso noivado”. Aí, alguém perguntou se ela estava sendo fritada e Bolsonaro: “Eu só não posso demitir o presidente e o vice-presidente”.

Vale tudo

Defensores de Jair Bolsonaro, integrantes das chamadas falanges digitais bolsonaristas, não tem poupado esforços para defender o presidente, depois que Sérgio Moro deixou o cargo – e saiu atirando, com provas. Agora, Carlos Bolsonaro ressuscita antiga foto onde o ex-ministro aparece socialmente num encontro ao lado de Rodrigo Maia e Aécio Neves. E mais uma, onde Moro aparece sorrindo ao lado de João Doria, num evento.

PROER DA BOLA 1 

A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional já concedeu perdão de 90 dias para as dívidas dos clubes brasileiros (na dívida ativa, os passivos das entidades esportivas somam R$ 5,3 bilhões). Os clubes querem também a interrupção das parcelas do Profut até o fim do ano. Trata-se de um programa de refinanciamento de dívidas dos clubes, que fatiou passivo de mais de R$ 1,6 bilhão em 240 prestações. Os cartolas querem ainda que a Fazenda Nacional reconheça em definitivo a isenção tributária dos clubes no pagamento do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, com base num entendimento do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).

PROER DA BOLA 2

O Proer da bola funcionaria como um tempo-extra, uma ultrapassagem para além da pandemia, que pegou os clubes brasileiros sem dó. O Flamengo, tido como o mais europeu dos clubes brasileiros está em quinto lugar no indesejável ranking da dívida ativa, com R$ 224 milhões. O líder é o Corinthians com R$ 773 milhões, sem incluir os quase R$ 500 milhões que o clube deve à Caixa Econômica referente ao empréstimo para construção do Itaquerão.

MISTURA FINA

PIOR do que tudo, nessa novela de Alexandre Ramagem, seria o governo levar nova derrota no plenário do Supremo, o que nos corredores do STF seria a tendência da maioria dos ministros.

O PEDIDO de demissão de Sérgio Moro fez o mercado financeiro rever as expectativas – alimentadas pelo próprio BC – de um corte mais forte de juros do Comitê da Política Monetária (Copom) dentro de dias. Mas a aposta é que, ainda assim, a Selic cairá. Quem viver, verá.

HOJE, Bolsonaro também tem muito menos a oferecer ao pessoal do Centrão. Claro que sempre existirão cargos e orçamento a distribuir, mas com severa recessão mundial à espreita, o butim encolheu – e muito. Em vez de sócios da época de fartura prometida por Paulo Guedes, deputados e senadores poderão se tornar devedores solidários em meio a milhões de desempregados – e empresários falidos.

OLAVO de Carvalho, ex-astrólogo transformado em guru da família Bolsonaro, comemorou seus 73 anos, na semana passada, em Richmond, na Virgínia, nos Estados Unidos, onde vive há anos. Recebeu muitas mensagens de seguidores, ex-alunos e “discípulos” como Carlos e Eduardo Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro e seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, esqueceram da data.

ALÉM do impacto na saúde pública, diversos setores da economia precisariam se adaptar aos tempos de pandemia. O setor mais atingido foi o de aeroportos, com queda de 90% do número de voos, passando por mobilidade urbana (cerca de 60% de queda), rodovias (cerca de 30% de redução de tráfego) e energia elétrica (consumo 8% menor), só para começo de conversa.

AO contrário da crise financeira de 2008, quando grandes empresas, como Sadia e Aracruz, tomaram um tombo com o câmbio, não consta que nenhuma grande companhia tenha sido pega pelo pé, sem hedge cambial ou fazendo travessuras no mercado de derivativos. O Banco Central está de lupa em cima dessas operações.

SE, de um lado, observa-se em São Paulo maior desobediência ao isolamento social – e medida por pesquisa – de outro, o que se vê é uma grande adesão ao uso de máscaras. E de todos os tipos: tem máscaras com símbolos de clube de futebol, com heróis de HQ, com dizeres cheios de humor (e outros fantasticamente políticos) e por aí vai. E claro, tem máscaras com nome de grifes.

Felpuda


Dia desses, há quem tenha se lembrado de opositor ferrenho – em público –, contra governante da época, mas que não deixava de frequentar a fazenda de “sua vítima” sempre que possível e longe dos olhos populares. Por lá, dizem, riam que só do fictício enfrentamento de ambos, que atraía atenção e votos. E quem se lembrou da antiga história garantiu que hoje ela vem se repetindo, tendo duas figurinhas carimbadas nos papéis principais. Ô louco!