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NOVELA

“A Vida da Gente” volta ao horário das seis disposta a emocionar o público

Com história naturalista e sensível, fazendo jus ao título simples e certeiro
03/03/2021 16:07 - Geraldo Bessa/TV Press


Colaboradora experiente e com a série “Tudo Novo de Novo”, de 2009, no currículo, Lícia Manzo lembra até hoje do frio na barriga ao entregar a sinopse de “A Vida da Gente” para a direção artística da Globo. 

Sem grandes expectativas, cinco meses depois, ela levou um susto ao saber que o texto não só tinha sido aprovado para às 18h, como também já tinha até diretor escalado: Jayme Monjardim. 

Fiquei feliz e preocupada. Sabia que tinha muito trabalho pela frente, mas pude contar com a ajuda e os conselhos do Jayme. As reuniões foram muito ricas e a gente pode escalar o elenco que sonhamos. Tudo foi acontecendo de maneira muito amigável”, relembra. 

Em uma faixa dominada por novelas de época, a autora surgia com uma outra proposta ao abordar conexões, afeto, relações humanas e familiares de forma extremamente naturalista, fazendo jus ao título simples e certeiro. 

Uma década depois, a pandemia fez a obra driblar uma possível reprise no “Vale a Pena Ver de Novo” para voltar ao ar no horário original, reestreia que enche Lícia e Jayme de orgulho. 

É um trabalho muito marcante. E com a delicadeza e esperança que o público precisa neste momento. Rolava uma cobrança enorme por este retorno e acredito que a escolha da emissora foi realmente feliz”, valoriza Jayme.

Na trama, apesar das personalidades diferentes, as irmãs Ana e Manuela, de Fernanda Vasconcellos e Marjorie Estiano, são muito unidas e parceiras nos momentos difíceis. 

Ana é uma tenista promissora e o orgulho da mãe, a ambiciosa e calculista Eva, de Ana Beatriz Nogueira. 

Já Manuela cresceu à sombra da irmã e é desprezada pela mãe por sofrer de uma deficiência física. 

Apesar da falta de carinho materno, Manuela encontrou todo o apoio e suporte na figura da avó, a bondosa Iná, papel da saudosa Nicette Bruno. 

As lembranças estão muito vivas na minha memória. Tínhamos uma troca muito bonita, de muito acolhimento. Nicette era uma mulher muito interessante, uma pessoa que atravessava gerações. Ela tinha uma conexão muito clara e muito sensível com tudo, mesmo com as mudanças do mundo. Vê-la em cena foi um espetáculo que durante um ano eu tive o privilégio de acompanhar de perto”, destaca Marjorie. 

Eva mantém um casamento de aparências com o empresário Jonas, de Paulo Betti, um homem que vive para o trabalho e não dá atenção e nem carinho para a esposa. 

Ele é pai do tímido Rodrigo e da rebelde Nanda, personagens de Rafael Cardoso e Maria Eduarda de Carvalho, frutos de seu primeiro casamento. Os quatro crescem convivendo como irmãos, mas a sintonia entre Ana e Rodrigo acaba despertando uma surpreendente paixão, algo que será sumariamente reprimido por Eva e Jonas. 

Eles não têm laços genéticos, mas a sociedade encara o envolvimento de irmãos postiços com muito pudor. Achei interessante a abordagem da autora. A relação deles se torna um grande desencontro”, explica Rafael Cardoso.

Ana descobre-se grávida de Rodrigo e é pressionada por Eva a ter a criança fora do país, tudo para não prejudicar a carreira. 

Na Argentina, ela dá à luz a pequena Julia. 

Na volta ao Brasil, cansadas dos desmandos e da personalidade difícil da mãe, Ana e Manuela decidem abandonar a casa em que viviam e começar uma vida nova. 

Porém, sofrem um grave acidente que culmina com Ana em coma profundo. 

Longos cinco anos se passam e, contrariando as expectativas, a tenista desperta e encontra a irmã casada com Rodrigo e criando Julia como se fosse sua mãe. 

O que mais gosto dessa novela é que ela não tem um vilão específico. É a vida que vai criando as barreiras e os problemas cotidianos. Apesar de como tudo se desenvolveu, a relação das irmãs não é de rivalidade, elas se complementam. Existe um amor bonito ali”, emociona-se Fernanda Vasconcellos. 

O quarteto amoroso central da trama é completado com o neurologista Lúcio, de Thiago Lacerda, um viúvo que vive a culpa de não ter conseguido salvar a esposa da morte, devido a um câncer incurável. 

Aos poucos, ele e Ana acabam se aproximando, o que gera um grande dilema ético entre médico e paciente. “Essa situação era inimaginável na vida do Lúcio, até acontecer. Quando ele se dá conta, já está envolvido”, conta Lacerda.

Ambientada entre Porto Alegre, as gravações de “A Vida da Gente” começaram em junho de 2011, com externas em lugares como Buenos Aires e Ushuaia, na Argentina, Bonito, no Mato Grosso do Sul, além das cidades gaúchas de Gramado e Canela. 

Na capital gaúcha, elenco e equipe captaram cenas em pontos turísticos como a Casa de Cultura Mario Quintana, o Mercado Público, o Cais do Porto, o Parque Moinhos de Vento, entre outros cartões postais. 

A ideia de desenvolver essa história no Sul foi do Jayme. Acho importante tirar as tramas da mesmice e topei na hora”, conta a autora. 

O investimento na cidade cenográfica erguida nos Estúdios Globo foi alto. 

A equipe de cenografia construiu uma área comercial inspirada no bairro Moinhos de Vento, de Porto Alegre. 

Para Gramado, a equipe priorizou a arquitetura europeia do local, assim como um paisagismo bem típico, com heras, trepadeiras e hortênsias, e uma mistura de plantas naturais e artificiais. 

Além disso, pela primeira vez, uma quadra de tênis, com direito a arquibancada e outros detalhes, foi construída para uma novela. 

O elenco sofreu utilizando os figurinos do Sul em pleno sol carioca. Mas acho que essa ambientação deixou a novela muito mais charmosa”, diverte-se o diretor.