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TELEVISÃO

“Água Viva” completa 40 anos exibição

A trama clássica era ambientada no verão carioca
23/02/2020 10:00 - Geraldo Bessa/TV Press


O sucesso de “Dancin' Days”, em 1978, tornou Gilberto Braga um autor requisitado dentro da Globo. Depois de diversas tramas no horário das seis, o novelista mostrou todo seu poder de fogo em seu primeiro folhetim na antiga faixa das 20h e logo foi escalado pela emissora para mais um título em seu horário mais nobre. Com a “era da discoteca” já em plena decadência, Gilberto resolveu ir na contramão do estilo noturno e exagerado da trama anterior. Cheio de frescor, ele se aproveitou do sol, mar, costumes e amores típicos do verão para conceber o sucesso “Água Viva”, que completa 40 anos de exibição neste mês. “O bom de ter a praia como cenário principal é que não é preciso muito esforço para o trabalho ficar bonito e cheio de tipos interessantes. A Globo teve de se adaptar a um roteiro com muitas cenas externas. Estava muito receoso se o público também embarcaria comigo nessa viagem e o resultado foi além da expectativa. É uma das minhas tramas mais famosas”, analisa o autor que, inicialmente, pensou em nomear a produção com o título de “Vento Norte”.

 
 

Inspirada no famoso musical da Broadway “Annie”, a trama central de “Água Viva” gira em torno da órfã Maria Helena, personagem vivida por Isabella Garcia aos 12 anos de idade. A única amiga da jovem é a batalhadora Suely, que trabalha como funcionária da Estrada de Ferro Central do Brasil, vivida por Ângela Leal. A partir de uma investigação própria, Suely descobre que o pai biológico da pequena é o “bon vivant” Nelson, de Reginaldo Faria. Amante do mar, vivendo de renda e irmão do famoso cirurgião plástico Miguel Fragonard, de Raul Cortez, tudo o que Nelson não quer neste momento de sua vida é descobrir-se pai de alguém. Ele se recusa a assumir a paternidade, mas, aos poucos, acaba encantado pelo jeito sincero e carinhoso de Maria Helena. É a filha, inclusive, quem lhe dá apoio no momento mais complicado de sua vida. Por conta de negócios misteriosos com um falso amigo, ele acaba perdendo sua fortuna. “Nelson sempre foi um cara desligado e relaxado. Ele estava feliz com a vida que levava. No momento em que perde tudo e descobre a filha, ele aprende a lidar com o quão surpreendente pode ser a vida. É uma questão de perdas e ganhos”, acredita Reginaldo Faria.

 
 

Mesmo falido, Nelson acaba se aproximando da ambiciosa Lígia, papel de Betty Faria. Separada e com dois filhos pequenos para criar, o que a personagem mais precisa no momento é de alguém que lhe dê suporte financeiro e sustente sua postura elitista. Paralelamente, Lígia também conhece o rico e excêntrico Miguel e, sem saber que ele é irmão de Nelson, alimenta ainda mais a disputa fraterna que termina com o misterioso assassinato de Miguel. Maior estrela global da época, Betty topou integrar o elenco de “Água Viva” para correr atrás do prejuízo de ter recusado o posto de protagonista de “Dancin' Days”. “Era o momento da Sonia (Braga). Algumas personagens que recusei acabaram sendo importantes na carreira de várias colegas de profissão. Lígia foi um papel importante demais na minha carreira e me fez ver de perto o talento de Gilberto na criação de fortes personagens femininas”, relembra a atriz. Só em “Água Viva”, o autor ainda criou tipos como a decidida estudante Janete, de Lucélia Santos, a maléfica Lourdes, organizadora das festas da alta sociedade carioca vivida por Beatriz Segall, e a divertida “socialite” Stella, que representava a modernidade liberal do verão carioca, um marco na carreira de Tônia Carreiro. “Pedi um elenco incrível e a Globo atendeu. Foram muitos os destaques ao longo dos capítulos”, valoriza Gilberto Braga.

 
 

Com direção dividida entre Roberto Talma e Paulo Ubiratan, “Água Viva” ganhou um reforço de peso após o capítulo 60 com a entrada de Manoel Carlos como colaborador da trama. “Antes disso, todo mundo escrevia novela sozinho. Foi aí que surgiu a figura do colaborador, que se tornou imprescindível”, explica Manoel, que acabou entrando no time das 20h após a boa parceria com Braga. Com diversas cenas captadas nas praias da Zona Sul carioca, uma história inusitada acabou marcando para sempre a vida de atrizes como Glória Pires, Maria Zilda e Maria Padilha. Em uma externa nas famosas areias de Ipanema, as atrizes iriam simular uma cena de topless, mas utilizariam adesivos nos seios. Banhistas mais conservadores observavam a cena e ficaram furiosos com a possibilidade de as atrizes ficarem com os seios à mostra. Por isso, iniciaram uma confusão para expulsar a equipe da novela da praia. “A gente não sabia se ria ou se chorava. Começaram a jogar latas e areia e a gravação teve de ser cancelada”, conta Padilha. Dias depois, a sequência foi captada com calma na vazia Praia de São Conrado.

 

Felpuda


Nos bastidores, há quem garanta que a única salvação, de quem está com a corda no pescoço, é ele aceitar ser candidato a vice-prefeito em chapa de novato no partido. Vale dizer que isso nunca teria passado por sua cabeça, uma vez que foi eleito com, digamos, “caminhão de votos”. Se aceitar a imposição, pisaria na tábua de salvação; se recusar, poderá perder o mandato. Ah, o poder!