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NOVELA

“Fina Estampa” é garantia de bom entretenimento

A novela até tem seu lado dramático, mas se destaca pelo clima leve e a vilã exagerada
20/07/2020 14:53 - Márcio Maio/TV Press


Quando a Globo se viu obrigada a suspender as gravações de suas novelas e recorrer às reprises para ocupar suas faixas de teledramaturgia diárias, havia nitidamente uma preocupação em dar ao público uma espécie de respiro. Em meio a tantas notícias ruins e o futuro incerto, era importante tentar oferecer momentos de mero entretenimento, sem tramas mais complexas para acompanhar. Nesse aspecto, não surpreende que justamente “Fina Estampa” tenha sido o folhetim escolhido para o horário nobre. Afinal, já em sua primeira exibição, entre 2011 e 2012, a intenção era dar um pouco de leveza a um horário que vinha de duas novelas bem densas – “Insensato Coração” e, antes, “Passione”.

“Fina Estampa” deve ser a novela de Aguinaldo Silva mais despretensiosa e, talvez por isso, garanta tantas surpresas interessantes. A começar pela batalhadora Griselda, que convém lembrar, foi a primeira protagonista de Lília Cabral no horário nobre da Globo. E que tem um contraponto à altura, com uma interpretação sem amarras de Christiane Torloni para a vilã insana Tereza Cristina. Torloni brincou em cena e era evidente sua total falta de medo de ser ridícula. Uma característica fundamental para o sucesso de uma personagem tão inverossímil e, ao mesmo tempo, tão divertida quanto a “rainha do Nilo” – apelido dado pelo mordomo Crô, papel de Marcelo Serrado. 

Uma das características marcantes de “Fina Estampa”, assim como em diversas outras novelas de Aguinaldo Silva, é o protagonismo feminino. Não à toa, basta conferir a lista de atrizes que deram expediente na novela para notar a quantidade de nomes que, hoje, estão no primeiro escalão da emissora. Como Arlete Salles, Sophie Charlotte, Carolina Dieckmann, Renata Sorrah, Dira Paes e Júlia Lemmertz, além, é claro, de Lília Cabral e Christiane Torloni.

Na época em que “Fina Estampa” foi apresentada originalmente, Crô foi um dos principais êxitos de Aguinaldo Silva entre os personagens masculinos. Era bem explorado tanto na relação de devoção à patroa quanto na rixa com o motorista Baltazar, vivido por Alexandre Nero, que era violento com a mulher, Celeste, interpretada por Dira Paes. Hoje, quase uma década depois, violência contra a mulher e homofobia ainda são temas constantes tanto na ficção quanto fora dela. A sensação de que o tempo não passou tanto assim também se deu quando, enquanto muitas regiões do mundo protestavam contra a morte do americano George Floyd e contra o racismo, Dagmar, personagem de Cris Vianna, questionava a discriminação sofrida no trabalho. Pena que, nesse caso, dizer que se trata de uma novela atual não seja exatamente algo a se comemorar.

 
 

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.