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SÉRIE

“Os Últimos Dias de Gilda” é a nova série, de quatro episódios, do Canal Brasil

Nela se mostra a luta de uma mulher contra a intolerância política e religiosa em território dominado pela milícia
10/12/2020 15:54 - Márcio Maio/TV Press


Quatro episódios, uma duração total semelhante à de um longa-metragem e um clima de tensão constante, impulsionado não só pela trama desenvolvida, mas também pelo título. “Os Últimos Dias de Gilda”, série que estreou no último dia 27 no Canal Brasil, mira no embate de uma mulher disposta a exercer de forma plena sua liberdade, mas que esbarra na rigidez de vizinhança conservadora e repressora. Gilda, no fundo, nem busca o conflito. Mas ele se torna inevitável quando começa a atingir sua rotina e, principalmente, sua família.

A personagem principal é interpretada com maestria por Karine Teles e surgiu, na verdade, de um monólogo encenado pela própria atriz. Ela inclusive assina o texto da adaptação para a tevê, junto com o diretor Gustavo Pizzi. Gilda é uma mulher extremamente livre, mas nada egoísta. Do tipo de pessoa que não chega a impor suas vontades, mas tem como ideal de vida que cada um possa exercer o livre-arbítrio na hora de escolher sua própria fé ou de satisfazer seus desejos. Que quer ter o direito de decidir com quem vai para a cama, assim como que tipo de mensagem ou propaganda coloca na fachada de sua casa – e é aí que começa o conflito político da trama.

Há poucos cenários e, por mais que se passe no Rio de Janeiro, a ambientação da série fica longe do clima solar e das belas paisagens que costumam aparecer nas produções que usam a capital fluminense como locação. A série “Os Últimos Dias de Gilda” se dá em um bairro que não chega a ser identificado na série, mas onde a política, a milícia e a religião se misturam. Tanto que a principal antagonista de Gilda é Cacilda, personagem de Julia Stockler, uma religiosa casada com um candidato a vereador que parece não se conformar com o fato de ter uma vizinha tão diferente de sua realidade. E que, para piorar, não aceita cooperar com a campanha do rapaz. Nem mesmo quando a milícia começa a se posicionar sobre esse tipo de conduta.

Chama atenção a direção pontual de Gustavo Pizzi e o bom desempenho de todo o elenco, de maneira geral. O clima de tensão fica ainda mais evidente no trabalho de Gilda, que cria porcos e galinhas para abatê-los, ela mesma. Ao mesmo tempo, é dona de uma sensualidade ímpar e pautada justamente na sua forma despudorada de agir e de enxergar o mundo. Mas que sofre com as retaliações de uma sociedade intolerante e que, sem perceber, se encontra tão coagida e acuada quanto a protagonista.