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PONTO DE VISTA

“Todas as Mulheres do Mundo”: nova série do Globoplay

Em 12 episódios, a trama atualiza universo singelo de Domingos de Oliveira em belo mosaico feminino
30/04/2020 21:00 - Geraldo Bessa/TV Press


 

O texto de Domingos de Oliveira sempre tratou o amor com propriedade e liberdade. Falecido em março do ano passado, aos 82 anos, o cineasta e dramaturgo mostrou suas crônicas românticas e revolucionárias pelo cinema, teatro e televisão ao longo de mais de cinco décadas de carreira como produtor, diretor, autor e ator. Agora, recebe uma merecida homenagem na Globo com a série de 12 episódios “Todas as Mulheres do Mundo”, produção homônima e também baseada em um dos maiores clássicos da carreira de Domingos: o filme lançado em 1966 e protagonizado por Leila Diniz e Paulo José. A ideia da série já existia há pelo menos uma década e nasceu do desejo do roteirista Jorge Furtado em atualizar os encontros e desencontros amorosos do longa, com direito a situações e personagens inéditas. Em 2018, coube à atriz Maria Ribeiro, amiga e pupila artística de Domingos, retomar a conexão entre ele e Furtado para que o projeto saísse do papel. Com os direitos devidamente adquiridos pela Globo, o texto do projeto ganhou a colaboração de Janaína Fischer e a produção acabou sendo desenvolvida para a Globoplay, como parte da estratégia de reforçar o catálogo de produções originais da plataforma de “streaming” da emissora. 

Na trama, o arquiteto Paulo, de Emílio Dantas, é um romântico inveterado. De paixão em paixão, acaba conhecendo Maria Alice, de Sophie Charlotte, em uma noite de Natal e se apaixona à primeira vista. Sempre ao seu lado, estão o cético Cabral e libertária Laura, seus melhores amigos, vividos por Matheus Nachtergaele e Martha Nowill, a quem Paulo faz confidências sobre aventuras amorosas e busca consolo para as inevitáveis frustrações. Talvez, nos anos 1960, a figura de Paulo pudesse levantar um encantamento imediato por sua personalidade passional e poética em relação às mulheres. Entretanto, aos olhos de hoje, o personagem defendido por Dantas de forma inspirada soa machista, irresponsável e imaturo em relação aos próprios sentimentos. Talvez para minimizar esta visão de mundo anacrônica, Falcão fez até algumas inversões nos diálogos entre Paulo e Maria Alice – no filme, o desejo de casar é dela e na série é dele.

De qualquer forma, Paulo se comporta como se fosse um trator de emoções, vai passando pelas vidas das pessoas de forma superficial e sem se preocupar muito com as consequências físicas e psicológicas e suas ações. Com um texto “derramado” em mãos, a diretora artística Patrícia Pedrosa até passeia por momentos de maior poesia, mas centraliza os erros de Paulo no realismo do caos afetivo que ele mesmo busca. Apesar de respeitar o aspecto de crônica poética dos “homens de antigamente” contida no trabalho de Domingos, o acerto da direção é não exaltar a postura “machista”, um perseguidor amoral, que o personagem representa hoje, fora do contexto de uma época que a cultura dos jovens pregava o descompromisso e o “amor livre”, tão exaltado pelos hippies.

Longe da tevê desde 2018, Sophie Charlotte surge em cena na medida da leveza e ousadia que Maria Alice exige. A presença da atriz confirma o bom processo de escalação promovido para a série, que reúne atores próximos a Domingos, como Priscilla Rozenbaum - viúva do escritor -, Maria Mariana e Maria Ribeiro, figuras desconhecidas do grande público, caso das ótimas Marina Provenzzano e Samya Pascotto, e nomes disputadores da Globo, como Lília Cabral, Fernanda Torres, Fábio Assunção e Felipe Camargo. Dessa mistura, além de grandes cenas, nasce um trabalho com uma “cara” um pouco mais diferente do que o público está acostumado a ver nas produções da emissora. Como uma espécie de “mimo” técnico que entrega muito charme à série, a trilha sonora de “Todas as Mulheres do Mundo” faz jus ao título e cada episódio é embalado por uma grande cantora da MPB. Na lista, Marisa Monte surge sempre afinada com o clássico “Rosa”, Alcione esquenta o clima com o samba “Gostoso Veneno” e Céu aponta para a modernidade com “Cangote”. Com texto e direção bem amarrados, a produção não só valoriza o feminino, como também é uma bem-vinda homenagem à memória e ao universo sentimental criado com muita singeleza por Domingos de Oliveira. 

 

Felpuda


Ex-cabecinha coroada anda dizendo por aí ser o responsável por vários projetos para Campo Grande, executados posteriormente por sucessor. 

Ao fim de seus comentários, faz alerta para que o eleitor analise atentamente de como surgiram tais obras e arremata afirmando que não foi “como pó mágico de alguma boa fada madrinha. 

Houve muito suor nos corredores de Brasília”. Então, tá!...