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REESTREIA

“Vale Tudo” entra no catálogo do Globoplay

A novela é golpe certo com história sobre corrupção recheada de grandes vilões
22/07/2020 08:31 - Geraldo Bessa/TV Press


Uma calorosa discussão familiar foi o ponto de partida para Gilberto Braga criar uma de suas novelas mais celebradas: “Vale Tudo”. No centro do debate estava a postura incorruptível de seu padrinho, um delegado da Polícia Federal. De um lado, alguns parentes valorizavam a forma ética como ele desenvolveu a carreira. Na outra ponta da mesa, ele era motivo de riso por não ter se aproveitado do cargo e enriquecido ilicitamente. “Fiquei muito angustiado em ver pessoas tão próximas defendendo a corrupção. Esse assunto sempre teve espaço nas minhas novelas. Mas, neste jantar, decidi que precisava falar dessa distorção de valores de forma mais contundente. A novela inteira gira e torno dessa disputa entre dignos e golpistas”, explica Braga, que dividiu a autoria com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. Êxito de crítica e público, mais de 30 anos depois de sua exibição original, a obra agora passa a fazer parte do catálogo do aplicativo Globoplay. Para o diretor Dennis Carvalho, o capricho tcnico e a atualidade de texto mostram que “Vale Tudo” envelheceu muito bem. “É uma obra que resume o Brasil de ontem e de hoje. É impossível assistir e não se identificar. Continuamos um país desigual e cheio de malandragem, no pior sentido da palavra”, analisa o diretor.

Na trama, Maria de Fátima, de Glória Pires, sempre sonhou em ter uma vida abastada e distante do cotidiano humilde de sua família. Cheia de planos e tomada por essa inerente ambição, aproveita que a casa em que mora com a mãe, Raquel, de Regina Duarte, está registrada em seu nome e vende a propriedade. Sem pensar nas consequências, pega todo o dinheiro e foge para o Rio de Janeiro. Na nova cidade, Maria de Fátima se envolve com o igualmente inescrupuloso César, ex-modelo que vive como garoto de programa de luxo interpretado por Carlos Alberto Riccelli. Juntos, os dois articulam um golpe para que ela conquiste Afonso, herdeiro da família Roitman. O primeiro passo é a vilã fica amiga da ingênua Solange, namorada do riquinho interpretada por Lídia Brondi. “Maria de Fátima é um rolo compressor. Ela vai passando por cima de quem tenta se meter na frente dela. Só que tem gente muito mais poderosa que ela que também está de olho nessa fortuna. É cobra engolindo cobra em um jogo muito bem montado pelo Gilberto. É impressionante o carinho e respeito que o público tem por essa história”, avalia Glória.

Novela comandada por vilões, “Vale Tudo” acabou eternizando a figura de Odete Roitman, vivida pela saudosa Beatriz Segall, como um símbolo desse arquétipo na teledramaturgia. Arrogante e requintada, Odete fazia questão de humilhar quem estivesse ao redor. Uma de seus principais alvos era a própria filha, a alcoólica Heleninha, de Renata Sorrah. Por conta de seu gênio difícil, a vilã acumulava inimigos e no final da novela foi brutalmente assassinada com quatro tiros à queima-roupa, protagonizando um último mistério na trama: “Quem matou Odete Roitman?”. “A verdade é que a morte da Odete não estava prevista. A novela fez sucesso e ganhou mais capítulos. As tramas já estavam desenvolvidas. Sendo assim, precisava de algo novo que pudesse prender o telespectador até o capítulo final”, admite Braga.

O principal suspeito do crime é Marco Aurélio, de Reginaldo Faria, ex-genro e ex-diretor da TCA, empresa de aviação comandada pela megera. “Marco Aurélio era tão ruim quanto a ex-sogra, tinha roubado muito dinheiro da empresa e ela queria que ele devolvesse”, relembra Reginaldo, que protagonizou outra das cenas mais famosas da obra: a fuga de seu personagem do Brasil com direito a uma “banana” para o país do alto de seu jatinho. Com cinco versões gravadas, o final da novela revelou que Odete foi assassinada por engano em um acesso de fúria e ciúmes de Leila, dondoca interpretada por Cássia Kis. “Naquela época era possível guardar segredo e realmente surpreender o público. É uma cena antológica e sinto muito orgulho de fazer parte deste projeto”, valoriza Cássia. Sem um final especificamente justo e deixando nítida a dor e a glória de ser brasileiro, “Vale Tudo” terminou com média geral de audiência em torno de 61 pontos no Ibope, enfrentou os últimos meses da censura federal e contou com um elenco de peso formado por nomes como Antônio Fagundes Cássio Gabus Mendes, Nathalia Timberg, Lília Cabral e Pedro Paulo Rangel, entre outros. Por fim, foi o primeiro título da trilogia sobre ética e moral criada por Gilberto Braga, que voltou aos temas posteriormente com “O Dono do Mundo”, de 1991, e “Pátria Minha”, de 1994.

 

Felpuda


Apressadas que só, figurinhas tentaram se “apoderar” do protagonismo de decisão administrativa. Não ficaram sequer vermelhas quando se assanharam todas para dizer que tinham sido responsáveis pela assinatura de documento que, aliás, era uma medida estabelecida desde 2019. Quem viu o agito da dupla não pode deixar de se lembrar daquele pássaro da espécie Molothrus bonarienses, mais conhecido como chupim, mesmo. Afe!