O Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (Fmic) e o Programa de Fomento ao Teatro (Fomteatro) – principais editais de financiamento cultural de Campo Grande – devem liberar R$ 3.803.635,01 para 65 projetos culturais que incluem gravações de DVDs, CDs, produção de documentários e videoclipes, criação de espetáculos teatrais, entre outros. O valor deve aquecer o setor cultural, que estava com todos os fundos municipais e estaduais parados.
A relação de projetos aprovados foi publicada na sexta-feira. Até o fim do mês, os ganhadores deverão se apresentar para a contratação dos projetos. Contudo, o valor só deverá ser repassado aos proponentes em 1o de novembro. Desse modo, a execução dos projetos deve acontecer entre a data de repasse até março no caso de novos artistas, e em julho no caso de artistas experientes.
Entretanto, há projetos que serão executados imediatamente. Em razão dos atrasos dos fundos, muitos proponentes acabaram adiantando suas produções. “Agora, é esperar e torcer para que o valor seja revertido para os artistas”, aponta o músico Paulo Simões, que teve o projeto “Amores Pant@neiros” aprovado.
Confira abaixo um panorama dos projetos que deverão ser realizados.
Tradição musical latino-americana
“O chamamé é um ritmo musical muito conhecido. Durante alguns anos, organizamos excursões para participar de festivais no Paraguai e na Argentina”, explica Wilson Taveira, proponente do 1o Festival Internacional de Chamamé de Campo Grande. Segundo ele, já passava da hora de realizar um evento do tipo na Capital. O encontro deverá ser realizado até a primeira quinzena de dezembro.
Além de atrações regionais, o evento contará com a participação de dois nomes de destaque do chamamé. Do Paraguai, participa Ismael Exagué, que apresenta seu trabalho solo ao violão. Da Argentina, vem o conjunto Joselo Schuap. “É uma oportunidade de estabelecer o intercâmbio cultural entre cidades conectadas pela música”, comenta.
Segundo Wilson, além de divulgar o chamamé, o projeto realizará um encontro cultural entre produtores culturais, empresários e artistas. O evento contará com R$ 111 mil do Fmic e será realizado em parceria com a associação que dirige a Feira Central de Campo Grande.
Releitura teatral de um clássico beckettiano
Jair Damasceno vem experimentando e estudando a obra do dramaturgo irlandês Samuel Beckett há alguns anos. Agora, ele decidiu basear-se em um dos trabalhos mais conhecidos do autor, “Esperando Godot”, para criar um espetáculo autoral. “Hen, Godot?” não é uma adaptação, mas usa elementos do texto original. Segundo Damasceno, a proposta é utilizar os elementos que geram expectativa na espera por esse homem que nunca vem.
“Quero fazer uso dos silêncios que pertencem ao texto original – e que falam tão alto”, argumenta. Em suas últimas produções – como é o caso de “Cala Boca e Grita” –, o diretor inspirou-se na estética do teatro pobre, desenvolvida pelo diretor polonês Jerzy Grotowski. Com poucos elementos de cenário e figurino, a criação tem foco na expressão corporal e vocal dos atores.
Damasceno afirma que a estreia deverá acontecer entre o fim de janeiro e o início de fevereiro. O projeto foi aprovado no Fomteatro, na categoria “Criação e Produção”, que oferece R$ 50 mil.
Três clipes para falar de amor no interior do Brasil
Paulo Simões, músico e compositor, decidiu utilizar o audiovisual para tentar registrar uma leitura pessoal sobre o amor na região pantaneira. “Eu estava pensando sobre o foco do romantismo, traduzido por uma linguagem próxima da gente”, explica. A proposta é de produzir três videoclipes. Serão duas canções suas, compostas em parceria com Almir Sater: “Menina do Tempo” e “Cubanita”. Também haverá a produção de um clipe da canção “Mochileira”, de Geraldo Roca.
“Eu não queria ficar preso apenas à minha produção. Embora ‘Mochileira’ seja uma canção que tenha sido gravada por muitos, acredito que não haja nenhum registro da versão planejada pelo Roca. É ela que eu quero gravar”, comenta. Ele explica que a primeira ideia era a de produzir cinco videoclipes, no entanto, foi necessário adequar ao orçamento.
“Amores Pant@neiros” contará com R$ 59,6 mil para sua realização. De acordo com Paulo, a execução será realizada em parceria com a produtora Render Brasil.
Turismo e aventura na natureza
Um fotógrafo em busca da paisagem perfeita para a melhor fotografia. Este é o mote do documentário “O Melhor Lugar”, projeto do diretor e roteirista Fabio Flecha, aprovado pelo Fundo Municipal de Incentivo à Cultura. Segundo ele, a proposta é criar um episódio piloto para uma série que vai misturar aventura e natureza. “Hoje temos um crescimento desse mercado, com canais que têm programação exclusiva para esse tipo de produção”, explica.
Ele adianta que o fotógrafo que desbravará as belezas da serra da Bodoquena é Alexis Prappas. “É um cara que gosta de aventuras, então, tem tudo a ver com o que estamos pensando em criar. Ele vai percorrer pontos turísticos e outros não tão conhecidos assim”, afirma. O episódio contará com um parceiro importante para a realização: o documentarista Waldeck Souza. “Ele tem experiência em produções na natureza. São profissionais que vêm somar conosco”, aponta.
“O Melhor Lugar” será um documentário de 26 minutos. O valor destinado à produção é de R$ 63,7 mil.
Clássicos nas vozes de outros artistas
Não se trata de uma novidade, mas de um projeto que há tempos vinha sendo imaginado pelo músico e produtor Alex Cavalheri. Em “A Gente Canta”, ele explica que a proposta é simples: reunir artistas regionais e nacionais para gravar canções de um dos maiores nomes da música caipira brasileira, Almir Sater. “Ele é o primeiro de um projeto que pode se tornar uma série”, argumenta.
O projeto será realizado em parceria com os músicos Jerry Espíndola e Rodrigo Sater. “Queremos focar na diversidade, por isso, vamos convidar artistas que tenham ou não afinidade com a proposta musical do Almir”, ressalta. De acordo com Alex, o trabalho poderá ter uma longa vida. “Pode se desdobrar em shows, DVD e outros produtos, que ajudarão a divulgar tantos os participantes quanto o homenageado”, ressalta.
O projeto custará R$ 109,9 mil. “Pensamos em algo que seria interessante fazer e estamos tocando, agora é esperar a verba”, pontua