O machismo e falta de reciprocidade afetam a vida sexual de parte da população campo-grandense, aponta especialista. Segundo a psicóloga e consultora em sexualidade Ana Paula Salém Amorim, apesar do avanço nos diálogos, ainda é comum encontrar homens pouco interessados no prazer delas e mulheres que se dedicam unicamente a satisfazer os companheiros. A falta de entendimento gera frustração, insatisfação e compromete o relacionamento.
A psicóloga garante que a maioria do público que atende é composta por mulheres entre 18 e 35 anos. Elas buscam orientação para resgatar a relação, melhorando o sexo. "Temos o perfil clássico de presas ao machismo [que pensam em agradar o parceiro acima de qualquer coisa] com problemas na sexualidade que afetam o casamento. Muitas não sabem lidar com questões simples e acabam angustiadas. Não conseguem transcender o lado sexual", pontuou.
Apesar dos avanços do feminismo, que trouxe mais voz e direito à igualdade, a sociedade ainda é pautada pelo interesse masculino. "Vejo que as elas esqueceram de si e procuraram apenas agradar o parceiro. Algumas não sabem nem dizer se já tiveram algum orgasmo. Isso também se deve ao fato do conservadorismo, da necessidade em manter as aparências e da ausência de auto conhecimento. Sei de mulheres que não se exploram".
PAPEL DOS HOMENS
A falta de sintonia nas relações está ligada ao desinteresse de parte de homens campo-grandenses em entender as necessidades das parceiras. Neste aspecto, Ana pontua que, com base nos relatos colhidos, eles são negligentes quanto ao prazer delas e, em alguns casos, se sentem até constrangidos quando são orientados de alguma forma durante o ato. "Outro ponto é que não buscam se informar, tanto que meu público é praticamente feminino".
Pautada em experiências pessoais e estudos acadêmicos, Ana Paula enxerga um vasto campo a ser explorado dentro do comportamento sexual. Uma vida sexual com qualidade, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), é questão de saúde. "O bum do feminismo contribui muito, porque agora as mulheres têm o sexo como questão de igualdade e buscam se aprofundar nisso. O meu papel neste caso é orientar".
Além de clinicar, a psicóloga também faz atendimento pessoal por meio das redes sociais. "É importante lembrar que algumas pessoas ainda têm dificuldade para falar sobre sexo, pois vêem o assunto como tabu. Por isso é preciso alguém que fale sobre".