Em 1959, a agência espacial americana (NASA) lançou o programa “Mercúrio”, que tinha como objetivo lançar o primeiro homem ao espaço. Em meio a uma acirrada corrida tecnológica contra a união soviética, sete homens, apelidados de “Mercury 7” em homenagem ao programa, foram selecionados após passarem por rigorosos testes físicos e psicológicos. Dentre eles estava o primeiro americano a viajar para o espaço, Alan Shepard. Após essa seleção, surgiu uma dúvida: como se sairiam as mulheres se passassem por essa bateria de exames?
Para responder essa pergunta, a NASA criou um programa secreto e selecionou treze mulheres para também fazerem parte daquela corrida espacial. Analogamente aos compatriotas homens, o grupamento feminino ficou conhecido como “Mercury 13”, que também é título do documentário que estreia mundialmente dia 20 de abril na Netflix. A nova produção original do serviço de streaming conta com depoimentos que revelam diversas partes da empreitada, que foi revolucionária no contexto de igualdade de gênero em um meio que ainda é dominado pelos homens.
Apesar de todo o pioneirismo, o projeto foi repentinamente cancelado pela NASA, e a insatisfação das 13 pilotos ganhou muita repercussão. O cancelamento do programa “Mercury 13” atrasou em quase 25 anos a ida da primeira americana ao espaço e frustrou todas as mulheres que fizeram parte do projeto, algumas das quais largaram importantes trabalhos para dedicarem-se unicamente ao sonho de serem astronautas. A chegada de “Mercury 13” ao catálogo da Netflix reforça a percepção de que, mesmo passados mais de 60 anos, ainda é preciso muita luta para extinguir as alarmantes diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho.