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Cinema B+: Franklin e Manhunt: aula de história na versão de Hollywood

Série estrelada por Michael Douglas estuda período menos comentado na vida do inventor e político americano

Ana Claudia Paixão

18/05/2024 - 14h00

A plataforma da Apple TV Plus tem fortes doses de sci-fi e em 2024 vem incluindo conteúdos de época, transformando períodos importantes da História americana em thrillers, uma novidade que pode ser percebida em Manhunt e Franklin, as duas séries que estão se destacam no acervo, mas com resultado morno.

Em tempos tão turbulentos no mundo, olhar para trás com base no que se sabe hoje é uma opção obvia da programação da plataforma. Com produções caras, que reconstituem épocas importantes, a Apple TV Plus traz um estudo curioso da origem de muitos conflitos. Por que não fez mais sucesso?

Manhunt transforma a Guerra Civil em thriller

A ordem de lançamento não foi cronológica. Manhunt retrata o fim da guerra civil americana, quando acabou a escravidão e o país se dividiu. Uma adaptação do livro de James L. Swanson, a trama se concentra nos 12 dias nos quais o assassino de Abraham Lincoln ficou foragido e a caçada por sua prisão agitou os bastidores políticos abalados sem seu líder.

Para não americanos e esquecidos de História, o assassino do presidente americano foi um ator, que na época era conhecido, John Wilkes Booth que, com apoio de outros Conspiradores, se recusou a acertar o fim do conflito e a derrota do Sul.

Quem liderou sua prisão foi o Secretário de Guerra e amigo de Lincoln, Edwin Stanton (Tobias Menzies), cujas investigações comprovaram que Booth puxou o gatilho, mas que o atentado foi orquestrado por “Wall Street”, melhor dizendo, os ricos fazendeiros que enriqueciam tanto com a especulação como com a escravidão.

Transformar a busca de duas semanas em thriller é uma opção interessante, ainda mais porque sugere que nada mudou. Aliás, esse é o objetivo subliminar da série: estudar a intolerância e a manipulação econômica atrás de todos conflitos políticos.

Tobias Menzies como Edwin Stanton, e Harry Crosby, como Booth, têm ótimas atuações, mas não engajam um público maior no exterior.

                    Franklin e Manhunt: aula de história na versão de Hollywood - Divulgação

Franklin promete render elogios à Michael Douglas

Ter Michael Douglas como Benjamin Franklin não deixa de ser uma escolha curiosa, dado que ele está longe do tamanho físico do diplomata, inventor e jornalista americano, mas Franklin tem justamente pela presença dele no elenco, maior atratividade mundial.

Também uma adaptação de um livro vencedor do Pullitzer, Uma Grande Improvisação: Franklin, França e o Nascimento da América, escrito por Stacy Schiff, a série estreou na metade de abril de 2024, liberando os três primeiros episódios e a trama é sobre a viagem de Franklin à França, para ganhar apoio financeiro e político para a Independência Americana

Assim como Manhunt, Franklin trabalha contra o fato de que sabemos o resultado transformando nos anos nos quais o protagonista ficou em Paris em um drama com pitadas de suspense. Não há grandes explicações de quem é quem, você precisa de google ou ter sido um grande aluno de História, mas, como Douglas esbanja carisma, nos envolve mais rapidamente.

A crítica não enalteceu profusamente a produção, embora tenha grande qualidade de produção e fotografia, mas gosta da originalidade da história, afinal há poucas referências no cinema ou na TV (há peças e musicais no teatro) que lembrasse dos quatro anos nos quais a política internacional decidiu o destino dos Estados Unidos.

Mais uma vez comparando, se Manhunt explora a fragilidade e instabilidade política da secessão, Franklin relembra que meses depois da assinatura da Declaração de Independência ainda havia muito risco que a democracia não passasse de fogo de palha.

Faltava dinheiro, armamento e homens para resistir às forças britânicas, e Franklin (Michael Douglas) tem a missão de reverter o quadro. São aspectos pouco conhecidos e menos explorados da Revolução Americana ou mesmo da vida de Franklin, por isso mesmo interessante.

Uma das queixas que até têm ponto, para ambas as séries, é o ritmo, dando muitos detalhes à subtramas que esticam a ação e não sustentam muita curiosidade. No caso de Franklin, ainda é cedo para afirmar isso. Nos três primeiros episódios a narrativa é envolvente o suficiente e faltam ainda cinco para confirmar sua qualidade. No mínimo, nos deixa mais cultos.

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