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MUSICALIZAÇÃO

Hungria tem oportunidade de bolsas de intercâmbio para jovens músicos brasileiros

Em visita à Fundação Barbosa Rodrigues, musicista húngara Lilla Gábor destaca a importância do ensino pedagógico da música e apresenta oportunidades de estudar na Europa com apoio financeiro

Mariana Piell

03/04/2026 - 08h08

A música como linguagem universal, ferramenta de desenvolvimento humano e ponte entre culturas. Esses são alguns dos pilares defendidos pela professora húngara Lilla Gábor, musicista especialista em pedagogia musical e uma das representantes contemporâneas da metodologia criada por Zoltán Kodály. 

Em visita ao Brasil, a educadora conheceu o trabalho da Fundação Barbosa Rodrigues (FBR) e compartilhou sua trajetória, experiências em sala de aula e, principalmente, destacou oportunidades de formação internacional por meio de bolsas de estudo oferecidas pelo governo da Hungria.

Foi apresentada à música desde a infância, tendo sua formação avançado até a tradicional Academia Franz Liszt, uma das mais prestigiadas instituições de ensino musical da Europa, onde se especializou em regência, regência coral e pedagogia musical.

Atualmente, ela atua como professora no Instituto Kodály, que recebe estudantes de diferentes partes do mundo interessados em aprofundar seus conhecimentos na metodologia Kodály. A instituição oferece formação completa em música, com cursos de graduação e pós-graduação voltados tanto à prática quanto à teoria.

O MÉTODO KODÁLY

Criado no século 20 por Zoltán Kodály, o método que leva seu nome segue influente até hoje e é adotado em diversos países. Segundo Lilla, o grande diferencial dessa abordagem está na democratização do ensino musical.

“O método Kodály ensina música para todos. Não é algo restrito a pessoas com talento excepcional. Ele permite que qualquer pessoa aprenda a cantar afinado, ler partituras e, principalmente, desfrutar da música”, explica.

Diferentemente de abordagens tradicionais, a metodologia tem como base o canto e a experiência prática. A teoria musical não é apresentada de forma isolada, mas surge a partir da vivência. Ou seja, o aluno primeiro experimenta a música – cantando, ouvindo, praticando – para só depois compreender seus elementos técnicos.

Outro ponto central é o início precoce. A educação musical, dentro dessa perspectiva, deve começar ainda na infância, com contato frequente e contínuo com a música.

 

MUSICALIZAÇÃO PRECOCE

Para Lilla, iniciar o ensino musical desde cedo é essencial não apenas para a formação de músicos, mas para o desenvolvimento global das crianças. Segundo ela, a música impacta diretamente áreas como cognição, linguagem, socialização e coordenação motora.

 

“As crianças estão abertas a novas experiências. A música amplia possibilidades e oferece uma vivência que pode ser gratificante para toda a vida”, afirma.

 

Além disso, a prática musical pode influenciar escolhas profissionais no futuro, como exemplificado por ex-alunos da Fundação Barbosa Rodrigues que, após passarem pela instituição, seguiram a carreira musical profissionalmente.

Mas mesmo para aqueles que não seguem carreira na área, os benefícios permanecem.

DIVERSIDADE MUSICAL


A música também exerce um papel importante na conexão entre culturas. Em vários países como no Brasil, essa característica se torna ainda mais relevante.


“A música pode ser uma ponte entre culturas diferentes. É uma forma de comunicação não verbal que aproxima as pessoas e promove compreensão”, destaca Lilla Gábor.


Com atuação em 23 países distribuídos em cinco continentes, a musicista reforça que não existe um único caminho para formar músicos. Cada cultura desenvolve suas abordagens, mas a metodologia Kodály se destaca por sua capacidade de alcançar um público amplo.


Durante sua passagem por Campo Grande, a educadora pôde contemplar uma apresentação da Orquestra Jovem da Fundação Barbosa Rodrigues, observando de perto a oportunidade educacional ofertada pela instituição. Para ela, iniciativas que oferecem acesso à música desde a infância têm potencial de transformar vidas.

BOLSAS DE ESTUDO


Um dos pontos de maior interesse para estudantes e profissionais da música é a possibilidade de estudar no exterior. Nesse contexto, Lilla destacou o programa Stipendium Hungaricum, considerado o principal sistema de bolsas de Ensino Superior da Hungria.


Criado em 2013 pelo governo húngaro, o programa tem como objetivo fortalecer a internacionalização das universidades, ampliar relações acadêmicas e atrair talentos de diferentes partes do mundo. Atualmente, está disponível em mais de 100 países e oferece cerca de 900 cursos em diversas áreas do conhecimento, incluindo música.


As bolsas são voltadas para estudantes com alto desempenho acadêmico e, no caso da área musical, é necessário apresentar um nível avançado de conhecimento.


Entre os principais benefícios do programa estão cobertura de taxas acadêmicas (matrícula), auxílio financeiro para custos de vida, possibilidade de apoio com passagens e acesso a instituições de excelência na Hungria.


Além de cursos completos de graduação, o programa também oferece oportunidades de curta duração, intercâmbios e até doutorado.


As inscrições para o programa ocorrem por meio do site https://stipendiumhungaricum.hu/, abertas em dezembro. Todo o processo de aplicação vai até junho e o início das aulas acontece em setembro.

Da esquerda para a direita: Edineide Dias, professora de canto e preparadora vocal; Nara Borges, presidente da Fundação Barbosa Rodrigues; Lilla Gábor, musicista e pedagoga musical húngara e Ana Lúcia Gaborim, professora do curso de Música da UFMS

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