Artista plástico, diretor de arte, ilustrador e designer, Fabricio Alencar foi selecionado por uma curadoria internacional e, entre os dias 24 e 25, levará a arte e a identidade de Mato Grosso do Sul para a 20ª edição do evento realizado no icônico Carrousel du Louvre, em Paris.
A trajetória de Alencar é marcada por produções que transitam entre a arte contemporânea, o design e a ilustração. O artista afirma que seu trabalho é uma busca pela união da técnica com a sensibilidade, o que lhe permite criar obras que expressem “cor, movimento e poesia visual”.
A impressionante “Psyche” de Fabricio Alencar foi selecionada por Patricia Evangelista, curadora do estúdio de arte privado Sfumato Art Studio, localizado no norte de Londres, no Reino Unido. O artista descreve que essa obra apresenta um retrato cru e pulsante da dualidade humana.
Questionado pelo Correio do Estado, Fabricio Alencar afirma que a escolha de sua obra representa uma “fratura no eixo” quanto à visibilidade da arte que é produzida em Mato Grosso do Sul. “Por décadas a arte sul-mato-grossense foi tratada como arte de borda, quase um folclore para ser consumido”, comentou.
O trabalho de Alencar passa pelas mais diversas técnicas. O artista acumula obras feitas em pintura acrílica, aquarela e até mesmo transita pelo mundo da arte digital. Criador da Galerie Arts, Alencar faz questão de destacar que explora diversas linguagens com um olhar “autoral e vibrante”.
“Psyche”, que apresenta um estilo contemporâneo moderno, trabalha justamente uma técnica mista com acrílico sobre tela. “Uma jornada visual que explora as complexidades da mente e do psiquismo humano, agora sob os holofotes de um dos espaços de arte mais emblemáticos de Paris, o Carrousel du Louvre”, disse.
Alencar levará essa pulsante junção de cores, emoções e profundidade introspectiva para, segundo ele, o “coração da arte mundial”, uma conquista que ele considera ser não apenas sua, “mas de toda a arte contemporânea brasileira”.
Classificando-a como uma vitória da paixão, da persistência e de uma visão única, o artista comenta justamente o ponto em que encontra a arte regional. Isso porque há tempos as produções sul-mato-grossenses carregam esse “estigma” de algo “selvagem” e “exótico”, o que muitas vezes traz dificuldades para produtores locais alcançarem até mesmo os grandes centros que são encarados como “polos artísticos” nacionais.
Ao Correio do Estado, Fabrico Alencar assume que a proposta de “Psyche” é justamente ir além desse contexto exótico regional. “Ela tem o aprofundamento da psique humana, do autoconhecimento com o reflexo no comportamento externo, e quando tudo isso nos leva a ver e crer que estamos em sintonia, ligados uns aos outros”, declarou.
Por meio da empresa Galerie Arts, voltada à venda de quadros decorativos, artísticos e autorais, o artista compartilha sua arte de forma acessível e com uma curadoria pessoal, mas reforça que suas obras já integraram exposições e projetos visuais, sendo sua vida dedicada a transformar “emoções em imagens que conectam, inspiram e despertam sentimentos”.
Autor de séries exclusivas, como a aclamada “Passarada” em aquarela, por exemplo, ele mesmo já se deixou inundar por essa conexão com a natureza e as emoções humanas, que são fortemente alimentadas pelas características regionais. Alencar é também responsável pela coleção “Haras”, que evidencia a beleza e a elegância dos cavalos.
A própria natureza humana e até sacra já foram inspiração para ele, como as obras clássicas e contemporâneas criadas com tinta acrílica, tinta a óleo e também aquarela que compõem a série “Sagrados”. Entre essas, destacam-se obras como “Sagrado Coração de Jesus”, “O Homem”, “O Peregrino”, “O Verbo em Carne” e “Sagrado Coração de Maria”.
Nestes mais diversos retratos de Jesus e outros personagens bíblicos, o artista combina a tradição da fé cristã com uma linguagem visual moderna e cheia de emoção. As obras, criadas em acrílico e óleo sobre tela, além de delicadas aquarelas sobre papel, buscam transmitir uma profunda espiritualidade, explorando a luz e os símbolos da fé cristã.
Para a obra escolhida para a 20ª edição do evento realizado no icônico Carrousel du Louvre, em Paris, o artista evidencia que o caminho que procurou foi outro. “Busquei me diferenciar do que fiz. Busquei uma linha mais introspectiva, me mantendo contemporâneo”, conclui Fabricio Alencar.