Clique aqui e veja as últimas notícias!

CORREIO B

Uma vida regada a mel: a história do zootecnista que é apicultor desde menino

Descendente de poloneses, Albano Artur Dembogurski tornou-se apicultor graças ao avô e celebra a importância das abelhas
22/08/2020 13:15 - Marcos Pierry


Famosa por suas cataratas, que tornam a Bacia do Rio Paraná ainda mais impressionante, Foz do Iguaçu é o berço de outra beleza natural marcante para a memória afetiva de Albano Artur Dembogurski: a produção de mel. 

O jovem gaúcho, descendente de poloneses, chegou a Campo Grande em 1978, aos 20 anos de idade, e se tornou o responsável pelo florescimento de uma tradição familiar, já centenária na época, em território sul-mato-grossense. 

Pouco tempo depois, o rapaz nascido na cidade de Três de Maio (RS) iniciou uma produção por aqui e, em 1982, criou os Apiários Vovô Pedro, que hoje chegam a produzir 100 toneladas de mel por ano.

“Chama-se assim em homenagem ao meu avô, com quem aprendi a gostar das abelhas”, conta Albano, que antes de se formar em zootecnia, em Maringá (PR), passou a infância em Foz do Iguaçu e viveu de perto a prática da apicultura, dos seis aos 11 anos, quando o pai do seu pai ficou viúvo e foi morar com a sua família. 

“Lembro de nós dois correndo delas e batendo lata, pois, com o barulho, a abelha pensa que é trovão e foge”, diz Albano enquanto volta no tempo. “Ele me passou todo o manejo básico, confeccionar as colmeias, capturar enxames voadores, laminar e alveolar a cera, fazer a extração”.

Tudo começou em 1888, quando o bisavô de Albano introduziu uma das raças de abelha europeia no Brasil. 

“Ele veio com um irmão, ficaram dois anos e voltaram à Polônia para trazer 18 colmeias de abelhas caucasianas a bordo de um navio a vapor; mas somente seis resistiram e chegaram intactas”, diz Albano, lembrando que o longo tempo de duração e as difíceis condições da viagem, com diversas paradas e muita variação climática, causaram a morte de milhares de insetos e uma grande perda na valiosa carga.

Durante o século 19, as abelhas caucasianas existentes no Brasil vinham, sobretudo, de quatro países europeus: Portugal, Itália, Alemanha e Polônia. As europeias, afirma o apicultor, são mais mansas e foram introduzidas por volta de 1850, no Rio de Janeiro, por padres, com o objetivo de produzir cera para as velas das igrejas.