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DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Pandemia mostrou sobrecarga das mulheres, capacidade de se reinventarem e que preconceitos ainda precisam ser superados

O Correio do Estado entrevistou três mulheres sobre os efeitos da pandemia e as dificuldades enfrentadas durante o período
08/03/2021 09:36 - Naiane Mesquita


Há alguns anos, o Dia Internacional da Mulher tem recuperado o seu tom de luta. Muito além de flores, bombons ou celebrações, a data é um ponto de partida para discutir direitos, objetivos femininos em comum e situações que precisam ser observadas e combatidas pela sociedade, como assédio, sobrecarga e diferença salarial. Nesse universo de debates, a pandemia do coronavírus, que completa um ano da chegada ao Estado este mês, traz à tona uma série de fatores que a tornaram muito mais exaustiva para as mulheres.  

A professora, empreendedora e mãe Laís Camargo, 30 anos, viveu o melhor e o pior desde que a pandemia começou. 

“Acho que para todo mundo o isolamento teve altos e baixos. No começo, pude me concentrar muito na minha casa e na minha família, depois o trabalho começou a sobrecarregar demais – literalmente do dia para a noite, enquanto professora, tive que aprender a dar aula on-line para crianças de três anos, isso foi um superdesafio. Com o passar dos meses, o mergulho para dentro foi inevitável, revi muitas amizades, muitas atitudes e comecei a organizar meus projetos pessoais”, explica.

Assim como muitas mulheres, Laís vive múltiplas carreiras. É professora de inglês, doula, escritora e empreendedora de uma loja de fraldas ecológicas. Do outro lado, na vida pessoal, é mulher, mãe, filha e esposa. Nesse balanço entre as duas áreas, o que ficou latente durante anos tornou-se muito mais visível. 

“Não aprendi a conciliar tudo ainda, mas vou levando. Acho que estamos aprendendo todos os dias. Tem semanas muito boas, em que tudo se encaixa, e tem momentos de desespero. Para as mulheres ficou muito evidente a carga, é aquele serviço invisível de casa... Bem, ele ficou bem visível agora”, acredita.  

Para ela, a parte mais difícil foi se transformar enquanto profissional, deixar um emprego e se aventurar em outro. 

“A parte mais difícil foi essa nova forma de dar aulas, eu, que sempre fui a professora que deitava no chão com os alunos, tive que me reinventar. O que tem sido maravilhoso é ver minha filha crescer, porque antes eu tinha a sensação de que deixava ela para ir cuidar dos filhos dos outros. Agora eu posso estar ganhando metade do que eu ganhava, mas não abro mais mão desse tempo com ela. É precioso demais para trocar por qualquer coisa”, pontua.  

Como doula e empreendedora voltada para o mercado feminino, ela percebeu uma busca por respostas durante a pandemia. “As mulheres têm ficado cada vez mais conscientes dos seus ciclos e dos seus corpos. Nossos ciclos menstruais respondem diretamente a emoções, e muitas mulheres notaram mudanças na pandemia. A busca por produtos relacionados a menstruação sustentável aumentou bastante também, por exemplo”, frisa.