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TELEVISÃO

Em tempos de quarentena, “Zorra” mostra humor adaptado e consegue cativar novos telespectadores

O programa volta inspirado e com tecnologia a seu favor, com mescla de cenas já gravadas e novas captadas pelos próprios atores
21/08/2020 14:39 - Geraldo Bessa/TV Press


Desde que perdeu o sobrenome “Total” e virou apenas “Zorra”, o humorístico mais antigo da programação da Globo ganhou em relevância e atualidade. Sob o comando de Mauro Farias a partir de 2015, a produção soube aglutinar referências e estilos com o intuito não apenas de fazer rir, mas “cutucar” e levar o público a reflexões como só o humor consegue. O público estranhou, mas, aos poucos se rendeu. E ainda seduziu um novo tipo de espectador, mais acostumado com improvisação e naturalismo do que bordões clássicos e muita composição. Preparando-se para mais uma temporada, o programa já estava em plena fase de gravações quando a pandemia forçou a emissora a paralisar as atividades nos Estúdios Globo. Dessa forma, a estreia marcada para abril foi adiada e tudo indicava que a produção só retornaria mesmo no ano que vem. Entretanto, as experimentações da emissora em programas feitos de forma remota acabaram salvando o “Zorra” de um ano sem piadas. Mesclando cenas gravadas até março e conteúdo novo captado pelos próprios atores, o programa impressiona pela unidade artística e frescor temático. Um alívio necessário em tempos onde faltam boas notícias para veicular na tevê.

Símbolos do humor caótico e “nonsense” da virada dos anos 1980 para os 1990, Marisa Orth e Diogo Vilela são as grandes novidades do “casting” do humorístico em 2020. À distância ou juntos no estúdio, a sintonia da dupla, que já esteve junta em produções como “TV Pirata” e “Toma Lá, Dá Cá”, segue afinada e logo transporta o telespectador para tempos idos. Principalmente, quando satirizam tramas clássicas da Globo no divertido quadro “Novo Novo Mundo”. Talentosos, eles não se deixam levar por qualquer tom mais anacrônico e mostram que suas verves cômicas respiram ares bem atuais. Criteriosos e com carreiras respeitadas, Marisa e Diogo em nenhum momento parecem constrangidos ou desconfortáveis com a proposta do “Zorra”, em um diálogo sadio onde eles emprestam prestígio ao programa e recebem o frescor de se conectar a novos nomes da cena, casos de Karina Ramil, revelada pelo Porta dos Fundos, e de Victor Lamoglia, sensação do canal do Youtube Parafernalha.

É preciso destacar o esquema de edição e montagem de cada episódio dessa nova temporada. A direção fez questão de não maquiar muito o que foi produzido antes ou depois da quarentena, mas o capricho técnico e de pós produção acaba nivelando a estética do programa por cima. O coronavírus, é claro, está é um dos destaques do roteiro, criado por uma equipe de cerca de 24 nomes, mas a curadoria final de Gabriela Amaral, Martha Mendonça e Nelito Fernandes pensa além e se esforça para fazer da pandemia uma circunstância e não a piada principal. Com destaques para nomes como Flávia Reis, Paulo Mathias Jr., Patrícia Pinho, Antonio Fragoso e os onipresentes Paulo Vieira e Fernando Caruso, a nova temporada do “Zorra” mostra que o humor do programa tem grande poder de adaptação.

 
 

Felpuda


Figurinha está trabalhando intensamente para tentar eleger a esposa como prefeita de município do interior.

Até aí, uma iniciativa elogiável. Uns e outros, porém, têm dito por aí que seria de bom tom ele não ensinar a ela, caso seja eleita, como tentar fraudar folha de frequência de servidores. 

Afinal, assim como ele foi flagrado em conversa a respeito com outro colega, não seria nada recomendável e poderia trazer sérias consequências. Só!