Correio B
LITERATURA

Academia de letras presta homenagem ao escritor Hélio Serejo

ASL comemora os 110 anos do folclorista Hélio Serejo em evento gratuito com a participação de Ileides Muller, Henrique de Medeiros e Rubenio Marcelo

Marcos Pierry

30/06/2022 10:15

 

Na última quinta-feira de cada mês, o chá servido durante as rodas literárias da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) é uma instituição tão forte quanto a prosa, sempre inspirada e instruída, que os imortais entabulam no auditório da entidade em Campo Grande, no Altos do São Francisco. 

Mas, sejam quais forem os sabores apreciados durante a Roda Acadêmica de hoje, a erva-mate tem tudo para dominar a prosódia da noite.

É que o evento desta quinta-feira, a partir das 19h30min, com entrada franca, presta homenagem ao escritor e folclorista Hélio Serejo (1912-2007). 

Durante as cinco décadas de atividade como escritor, nos mais variados gêneros e formatos, Serejo procurou conciliar o tempo dedicado à pena com o cultivo dos ervais, uma tradição de família, em Ponta Porã, além da atuação em diversas outras atividades.

Quem vai comandar o papo sobre o autor, que nasceu em Nioaque e passou grande parte da vida em Presidente Venceslau (SP), são três nomes do panteão da ASL: Ileides Muller, Henrique de Medeiros e Rubenio Marcelo. A ideia é celebrar, “de forma interativa”, a vida e a obra do Catulo Mato-Grossense, que publicou quase 60 obras, a partir da década de 1930, destacando-se na extensa produção a temática da cultura dos ervais.

MENESTREL DOS ERVAIS

“É um autor para ser reconhecido nacional e até mundialmente. Tem uma história muito grande, muito eclética, recebeu vários títulos”, elogia Rubenio Marcelo. Quando o folclorista voltou a morar em Campo Grande, em 2005, o poeta do “infinito ser” tornou-se amigo do Menestrel dos Ervais.

O epíteto surgiu durante uma homenagem a Hélio Serejo na Biblioteca Nacional, no Rio, no ano de 1952, e carrega muito do sabor da amizade entre os dois. 

Marcelo conta que, “em aproximação fraterna e visitas mais fecundas”, teve o prazer de ouvir, em primeira mão, “muitas histórias regionais e nativistas” narradas pelo homenageado da ASL de hoje. Também já fez poemas para Serejo e compôs uma canção, “Ser Tão Serejo”, que foi lançada em CD e circula no YouTube e em emissoras de rádio.