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SAÚDE

Presente em vários tipos de alimentos, açúcar deve ser consumido com cautela para evitar doenças

Consumo excessivo pode resultar no aumento de peso e em doenças como diabetes, hipertensão arterial, problemas cardiovasculares e renais
04/01/2021 12:00 - Naiane Mesquita


Nos últimos anos, o açúcar tornou-se o grande vilão da alimentação contemporânea. Nesta época do ano, em que todas as refeições costumam vir acompanhadas de uma sobremesa, a preocupação com o excesso do produto pode ser ainda maior. “Precisamos deixar claro que não é o açúcar sozinho que é prejudicial para o corpo humano, e sim o consumo excessivo de açúcar adicionado a alimentos doces e refrigerantes”, afirma a nutricionista Beatriz Camargo.

A grande questão que envolve o consumo do açúcar é que ele pode ser encontrado em variados tipos de alimentos. “E isso faz com que eles [açúcares] ajam em nosso corpo de diferentes maneiras. Por exemplo, se eu comer uma maçã, no meu estômago ela se transforma em carboidrato e no meu sangue ela chega como glicose, que, além de ser a menor parte do açúcar, é a grande fonte de energia para o nosso corpo. Esse mesmo processo acontece se eu consumir um pão, um pedaço de mandioca ou um pedaço de chocolate”, explica Beatriz.

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O problema é a velocidade com que esse açúcar atinge a corrente sanguínea. “Quando comemos a maçã é necessário mastigar, engolir, digerir, então esse açúcar demora mais para chegar no nosso sangue, porém, quando colocamos açúcar no suco e bebemos, ele chega muito mais rápido e em maior quantidade, podendo causar aumento de peso e alterar níveis de glicemia sanguínea”, pontua.  

Segundo a nutricionista, a glicose é o principal combustível do corpo humano, capaz de conceder energia para as nossas células, tecidos, cérebro e pulmão. Para evitar exageros, o ideal é seguir a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que estima o consumo de 50 gramas de açúcar para os adultos. “Porém a média do brasileiro hoje em dia é de cerca de 80 gramas por dia [aproximadamente 18 colheres de chá], quase 50% a mais do que o recomendado”, indica.

Se o consumo for além do recomendado, podem surgir problemas de saúde. “O consumo exagerado de açúcares refinados, doces e alimentos adoçados pode levar ao aumento de peso do paciente. Esse aumento de peso acontece porque quando o nosso corpo recebe grandes e rápidas quantidades de glicose ele não consegue transformar tudo em energia, então armazena no tecido adiposo, que são as gordurinhas”, explica. “E é esse aumento de peso que pode ser o causador de doenças como diabetes, hipertensão arterial, problemas cardiovasculares e renais. Além disso, o excesso de açúcar na dieta pode piorar situações de inflamação e cicatrização”, complementa Beatriz.  

Açúcar e adoçante

Na lista dos açúcares mais condenados nas redes sociais, o branco está no topo. Mas, segundo a nutricionista, os outros tipos de açúcares, se consumidos em excesso, também podem fazer mal. “Lembrando novamente que o açúcar por si só não é prejudicial para a saúde. É importante dizer que o açúcar branco, o mascavo e as outras variações têm a mesma quantidade de glicose e de calorias em sua composição, alguns apenas são menos processados, ou seja, os impactos no corpo são iguais”, frisa.

Com a popularização das dietas e a condenação do açúcar, os adoçantes ganharam espaço na mesa dos brasileiros. A origem dos produtos está relacionada à necessidade de oferecer uma opção para os pacientes diabéticos, que precisam evitar o consumo de glicose. “A maior diferença entre eles é que, apesar de serem similares em sabor doce, o adoçante não tem glicose em sua composição. Com o tempo e com a moda das dietas, os adoçantes ficaram em alta por também não possuírem calorias, o que fazia os pacientes que estavam evitando doces terem uma segunda opção”, explica.

Dependendo de como o adoçante é feito, é normal ter um sabor mais amargo e nem um pouco semelhante ao açúcar convencional.  

“Principalmente os adoçantes químicos podem saturar o paladar, trazendo um gosto amargo no fim. A sacarina, por exemplo, que é o adoçante mais usado em refrigerantes zero açúcar, é uma molécula derivada do petróleo que possui um poder de doçura 300 vezes maior do que a sacarose, que é feita de glicose. É muito normal as pessoas não gostarem do sabor por ser artificial e muito forte. Hoje em dia os adoçantes naturais são os mais utilizados na casa dos brasileiros, por não causarem o mesmo efeito, porém, eles têm menos poder de doçura”, pontua.

Do ponto de vista nutricional, Beatriz explica que não existe um adoçante que seja melhor do que o outro. “Eles são diferentes em sua composição, e isso influencia no gosto e em onde podem ser utilizados. No mercado temos adoçantes químicos, como aspartame e sacarina, que foram os primeiros a serem descobertos, porém, hoje em dia temos também adoçantes naturais, que extraímos de plantas, como stevia, xilitol e sucralose”, explica.

O preço e o sabor acabam sendo decisivos na escolha. “Eles devem ser escolhidos de acordo com a preferência do consumidor. Além disso, alguns adoçantes não são indicados para cozinhar ou assar, pois com o calor eles perdem o sabor doce. Por exemplo, se tentarmos fazer um bolo utilizando aspartame não vai dar certo, pois ele se desfaz com o calor do forno”, relata.

Além disso, Beatriz pontua que não há comprovação científica dos malefícios do adoçante, mas é ideal manter o consumo consciente do produto. “Apesar de não existir comprovação de toxicidade para os humanos, os cientistas não descartam que o excesso de adoçantes pode levar a danos à saúde, como o câncer, e é por isso que recomendamos o uso consciente desses produtos”, finaliza.

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