Correio B
CUIDADO COM OS PETS

Pet sitter defende que o adestramento positivo pode trazer mais qualidade de vida aos animais

Rotina da família auxilia muito no trabalho que as cuidadoras têm com os bichinhos de quatro patas

Carol Alencar Cozzatti

12/10/2020 11:40

Cuidar de cães e orientar tutores é uma tarefa desabitual aos ouvidos de quem acha que é só dar casa, comida e carinho para seu bichinho de estimação. Algumas das “normas” de convivência do mundo animal e do próprio controle dos bichos podem ser solucionadas se houver um acompanhamento profissional.

A consultora comportamental canina Rafaela Berri, 27 anos, autodenomina-se pet sitter, uma profissão em ascensão que tem como objetivo cuidar de animais e, no caso dela, até adestrá-los. “Considero minha profissão como um cuidado com quem não tem voz, um olhar pra quem não consegue falar. Estudo para poder traduzir o que o cão está querendo falar ao seu tutor”, explica.

Assim como as crianças, os bichos de estimação refletem o que vivenciam. Há estudos que comprovam que o comportamento de um animal condiz com a realidade de quem zela por ele. Se há agressividade no relacionamento, há agressividade por parte do bicho.

Aliada à adestração positiva, Rafaela, que é do time “zero bronca” e “zero agressividade”, diz que muitas vezes o mau comportamento do bichinho de quatro patas está aliado à rotina da família.

“Primeiramente, priorizo uma educação positiva com aquele animal, dependo muito do tutor e de como é a rotina daquele lar. Se o tutor não conseguir ter esse olhar para o cãozinho, por exemplo, ficará muito difícil eu conseguir modificar o comportamento daquele animal”, explica a pet sitter.

Tutora das poodles Nina Hagen e Janis Joplin, a professora Fátima Carvalho explica que o adestramento mudou o humor das cachorras. “Eu não tenho quase tempo de passear com elas, e logo depois que a Rafa, que tem uma sensibilidade única, passou a monitorar os passeios, até a ansiedade das cachorras mudou”, comenta.

Qualidade de vida

Priorizar a qualidade de vida do animal, além do bom comportamento, também se encaixa na triagem da pet sitter com os clientes humanos. “Eu sempre elenco pontos positivos e negativos do atendimento para o tutor, pois trabalho em parceria com ele, mas costumo dizer que o cliente mesmo é o cãozinho”, brinca.

O adestramento de cães e gatos é um mercado ainda em crescimento no Brasil. Muitas pessoas procuram este profissional para suprir uma ausência quando vão viajar ou se ausentar por um período mais longo.

Segundo a pet sitter, é preciso estudo, cursos profissionalizantes e boas horas dedicadas ao atendimento com os bichos para poder começar a trabalhar seriamente. 

“Saber a quem confiar seu filho ou bicho é fundamental para o procedimento do nosso trabalho. A confiança parte de quem tem um bom currículo e experiência”, pondera Rafaela.

Durante os passeios orientados, a pet sitter diz que os treinos são feitos com a própria ração do cliente. Ela faz um alerta de que comida no pote não é um lema do adestramento positivo, e até mesmo o petisco premiado vira objeto de estudo. 

“O faro é um dos primeiros recursos que trabalho com o animal, primeiramente porque é uma ação instintiva do próprio bicho e que ele precisa resgatar, às vezes isso passa despercebido pelos tutores. Você tem de direcionar o cão para saber usar todas as ferramentas naturais dele”, argumenta.

Ainda de acordo com a consultora, para um passeio tranquilo com o cãozinho, uma dica é transportar os petiscos em uma petisqueira em forma de pochete. 

Outro ponto é que as coleiras e enforcadores nunca devem ser usadas. Já a guia tem de ter mais de 1,5 metro de comprimento. “Ninguém gosta de ser puxado pelo pescoço, o bicho também não. Esse cuidado não é somente zelo, mas, sim, respeito com o serzinho que está sempre à disposição da gente em muitos momentos das nossas vidas”, acredita.