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VIAGEM

Apaixonada por desenhos rupestres, Marina se aventurou em Alcinópolis para conhecer a história de MS

Desenhos, que remontam de 2 a quase 11 mil anos atrás, encantaram a artista campo-grandense Marina Torrecilha
09/12/2020 07:30 - Naiane Mesquita


De longe, o desenho minúsculo e isolado em uma das muitas cavernas de Alcinópolis, cidade do interior de Mato Grosso do Sul, pode não significar muita coisa. Mas, ao se aproximar, os traços finos de um vermelho vivo mostram uma mulher em trabalho de parto no início das civilizações.  

Os desenhos, que remontam de 2 a quase 11 mil anos atrás, encantaram a artista campo-grandense Marina Torrecilha, que neste ano lançou uma coleção de canecas inspirada na arte rupestre e no Pantanal de Mato Grosso do Sul, a Copa de Barro. Foi por meio desse trabalho que surgiu a oportunidade de conhecer o local. “Quando eu fui em busca das informações para o tema das canecas, eu não tinha certeza do que eu iria produzir, mas eu sabia que a arte rupestre era do meu interesse”, explica.  

Com mãe bióloga, Marina mergulhou nas informações sobre a arte rupestre até chegar aos registros localizados nos sítios arqueológicos de Alcinópolis. “Eu criei uma simples caneca com um lagartinho que está registrado em Barro Branco, um dos sítios de lá. Eu mesma pesquisei no Instagram um perfil de lá e acabei marcando o @visitealcinopolis na publicação. Eles republicaram o meu trabalho e entramos em contato. Foi quando surgiu o convite para visitar os sítios de lá”, conta.  

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Roteiro

Distante 312 km de Campo Grande, Alcinópolis está localizado no norte de Mato Grosso do Sul. Segundo Marina, a viagem dura, em média, 4 horas e quase não há trânsito após o município de Coxim.  

Há cinco pontos turísticos principais na cidade, sendo eles o Parque Natural Municipal Templo dos Pilares, o Monumento Natural Municipal Serra do Bom Jardim, o Monumento Natural Municipal Serra do Bom Sucesso, o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari e a Serra do Barro Branco. “A minha intenção quando eu fui para a cidade era fomentar e potencializar a cultura da arte rupestre que existe lá”, explica Marina.  

No local, ela encontrou peças raríssimas da história dos primeiros humanos que moraram na região, e a datação mais antiga de um dos desenhos é de 10.735 anos atrás.  

“Eu consegui visitar vários sítios, principalmente os mais famosos, como o Barro Branco, o Pata da Onça e Templo dos Pilares. Apenas em um dos sítios da cidade que eu não pude ir porque nesse período seco há infestação de abelhas, elas atacam e diz que é muito assustador. Mas conheci os três maiores e dentro desses três há vários ao redor deles. Vi muitas gravuras, expressões pelas pinturas feitas com sangue e gordura animal. São do período da arte que eles já retratavam o cotidiano”, pontua Marina.  

Além de toda a cultura e história, os locais têm uma beleza de tirar o fôlego. Na Serra do Barro Branco, por exemplo, há mirantes, sítios arqueológicos e plantas raras do cerrado rupestre. O local fica dentro da Fazenda Santa Maria, a 9 km do centro da cidade. Uma trilha leve, com 1,5 hora de duração, conduz o visitante até a Gruta do Barro Branco, e para os mais aventureiros a trilha completa permite ter uma visão privilegiada.

Na Gruta, também é encontrada a famosa figura da mão, deixando marcada a passagem dos caçadores-coletores pela região. Já a figura da mulher parindo está na Serra do Bom Jardim, no sítio arqueológico Pata da Onça. Na região, é possível fazer uma trilha e observar o pôr do sol ou ainda visitar a Gruta Bonita, local de formação rochosa curiosa, onde é possível encontrar vários abrigos localizados ao longo da trilha, os quais poderiam ter servido de morada aos primeiros homens.  

Já o Parque Natural Municipal Templo dos Pilares é uma Unidade de Conservação repleta de vestígios dos antigos habitantes que, segundo estudos recentes, datam de até 10.735 anos atrás. Ao todo, são 100 hectares de desenhos e uma natureza exuberante.  

Mais informações sobre o passeio podem ser obtidas por meio do site . Todos os passeios devem ser feitos na companhia de um guia turístico. O valor da diária do guia é de R$ 130,00.