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CRÔNICA

Armadilhas da Internet

"As redes sociais se tornaram companhias indispensáveis nestes tempos."
06/06/2020 09:18 - Theresa Hilcar


As redes sociais se tornaram companhias indispensáveis nestes tempos. É a forma não nos perdermos das pessoas, da família, amigos e, claro, das notícias (embora, pessoalmente, sugiro verificar sempre a procedência delas em sites confiáveis). Milhares de pessoas são vítimas de inverdades que compartilham como se fossem verdade sacrossanta.

Mas como já tem muita gente falando sobre o tema – inclusive uma CPI em andamento no Congresso – e sobre a semana que não foi fácil, convenhamos, resolvi escrever sobre assuntos mais comezinhos, digamos assim.   Por que cada vez que falo de algo específico, seja ao telefone ou mensagem, em seguida recebo um bilhão de anúncios nas redes sociais sobre algum produto mencionado? 

Há quem afirme que o celular nos ouve sim. Nossos dados se tornaram uma commodity valiosa para as empresas. Parece que determinados algoritmos são capazes de desenhar um mapa da nossa vida cotidiana, do nosso comportamento e hábitos de consumo. O que era ficção científica tornou-se aparentemente uma realidade banal. Para quem quiser se inteirar mais sobre o assunto, a Netflix tem um documentário excelente chamado “Privacidade Hackeada”.

Embora você possa negar o acesso à sua câmera e ao seu microfone, bem como optar por não compartilhar suas gravações de áudio para os aplicativos, a verdade é que sempre há algo ou alguém vigiando. Pode até chamar de O Grande Irmão, em referência ao livro de George Orwell, “1984”, em que ele – talvez num ato premonitório – fala sobre um sistema totalitário que observa as pessoas 24 horas por dia. 

Sim, seu celular está ouvindo você, e qualquer coisa que diga perto dele pode ser usada contra si próprio, assim dizem os especialistas em tecnologia. Uma conversa normal com uma amiga sobre a faxina de sua casa pode ser o suficiente para ativar algum desses algoritmos ou algo que o valha. Tenha certeza de que você vai receber, segundos depois, um leque imenso de possibilidades e soluções.

E o que não faltam são armadilhas. Que são meio parecidas com aquelas do século passado, que faziam nossas mães assinarem revistas e jornais ou comprarem produtos de que nem precisavam, porque a moça do telefone foi supersimpática com elas.  Claro que mudaram os meios, mas a mensagem e o marketing continuam os mesmos. Tudo em nome da felicidade.

Depois de uma conversa casual com amigas sobre faxina, passei a receber diversos anúncios com opções para facilitar o trabalho doméstico. Um deles chamou minha atenção pela praticidade. Tratava-se de um robô que varria a casa de forma eficaz, tirando a sujeira nos cantos mais difíceis. Estava lançada a isca. Passei a desejar e até sonhar com o equipamento que me ajudaria na limpeza diária que, vamos combinar, tornou-se mais frequente e mais cansativa em tempos de confinamento.

E foi depois de um dia particularmente cansativo, que não resisti às promessas de alegria e felicidade do consumo e cliquei no famigerado link de compra. Baratinho, pensei. E ainda divide no cartão de crédito.  Depois de alguma espera, e muita expectativa, recebo a encomenda. Com poucas instruções na embalagem, mas aparentemente fácil de instalar. Na primeira vez que coloquei o equipamento, ele até que se comportou bem. Passeou pela casa sozinho aspirando a poeira. Que beleza de aparelhinho, pensei. 

No segundo dia ele apresentou sinais de cansaço. Parava nas quinas e nos tapetes. Tive que auxiliá-lo diversas vezes no percurso da casa da sala para o quarto. No terceiro dia ele empacou de vez. E diante da recusa ao trabalho, tive que demiti-lo sumariamente. Voltei à velha e boa vassoura. 

Algum tempo depois, encantei-me por um balde de limpeza mecânico, que todo dia aparecia na minha time line. Já pensou não ter mais a função do pano com rodo? Baratinho, pensei. E dei outro clique.

O tal balde encontra-se neste momento guardado na área de serviço. Só funcionou uma vez, o danado. A superfície de velcro não encaixa na hora de enxugar. E não, não tem ninguém a quem reclamar. Sem sair de casa e totalmente inapta para problemas mecânicos, não consigo resolver o defeito. O interessante foi notar que os tais anúncios sumiram, e a nota fiscal, grudada na caixa, foi parar no lixo. Na internet são centenas de empresas vendendo o mesmo produto. Impossível rastrear. Armadilha.

Nesta semana, num dia de tempo chuvoso, névoa intensa, estava eu lá melancólica acompanhando as notícias, até que me chamou a atenção o anúncio de um produto detox.  Um emplastro de ervas que, usado na planta do pé, elimina todas as toxinas que se acumulam com o tempo e a má alimentação. Na longa lista de benefícios, ele pode resolver até a minha dor nas costas causada pelo excesso de rodo e vassoura. E tem mais, aumenta a imunidade. Baratinho. E ainda divide no cartão. Cliquei. Ah! Esta quarentena...

*A autora é jornalista, escritora e escreve aos  sábados para o Correio do Estado 

 

Felpuda


Entre sussurros, nos bastidores políticos mais fechados, os comentários são que história apregoada por aí teria sido construída para encobrir o que realmente foi engendrado em conversa que resultou em negociata. 

O script foi na base do “você finge que é assim, e nós fingimos que acreditamos”. 

Batido o martelo, a encenação prosseguiu e, conforme o combinado, deverão ser apresentados novos episódios.

Ah, o poder!