Clique aqui e veja as últimas notícias!

ARTE PÚBLICA

Tempo de recomeçar: artista alça novos voos e leva esculturas de pássaros ao Paraná

Conhecidas na paisagem urbana de Campo Grande, esculturas de aves do artista plástico Cleir batem asas e se multiplicam em Arapongas
10/01/2022 10:30 - Marcos Pierry


“As aves que aqui gorjeiam/Não gorjeiam como lá”. 

Contrariando os versos do poeta romântico Gonçalves Dias (1823-1864), o escultor campo-grandense Cleir avança, a cada dia, na multiplicação de seus pássaros decorativos pelas ruas e praças de uma cidade do Paraná tão marcada pela presença dos seres alados que evoca um deles no próprio nome – Arapongas. 

A prefeitura local encomendou a missão e, seis meses após o início dos trabalhos, o artista entregou as primeiras das 13 obras de pássaros nativos que está produzindo para colorir a cidade.

Localizada a 600 quilômetros de Campo Grande, Arapongas é conhecida como a “cidade dos pássaros”. 

E, se depender de Cleir, vai continuar sendo. Embora uma arara de verdade não costume voar tão longe, o artista tratou de instalar duas das suas araras-vermelhas, produzidas em metal e modelagem, na Praça Mauá, um dos pontos de grande movimento do município. 

A obra foi inaugurada na semana do Natal, assim como outras espécies do aviário de Cleir que já estão de asas abertas sobre a cidade.

 IMAGEM POÉTICA

A simples descrição das peças em seu habitat parece um encontro de plumagens coloridas capaz de inspirar Gonçalves Dias ou qualquer poeta. 

Veja só: o casal de arapongas está localizado no cruzamento da Avenida Arapongas com a Rua Rouxinol; e a araponga entre a Rua Tangará e a Avenida Arapongas. 

Em ação desde o mês de junho, Cleir conta que o ritmo de trabalho chega a superar as 12 horas diárias para dar conta da “ninhada”, uma forma de retribuir o acolhimento da comunidade.

“A minha técnica de escultura é a modelagem do ferro e a modelagem da argamassa, e depois a pintura em esmalte acrílico, com a técnica de veladura”, explica o artista plástico de 58 anos, que tem formação autodidata. 

"Fiz questão de entregar as esculturas da região central antes do fim do ano e, para isso, trabalhei muito, em ritmo acelerado".

"Foi meu grande agradecimento a esta cidade que tem sido meu lar nos últimos meses. Estou muito feliz com a repercussão e o carinho das pessoas, que sempre trazem palavras de apoio, fazem fotos e demonstram gostar do resultado”, afirma Cleir Ávila, conhecido apenas pelo prenome.