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ARTE

Artistas driblam restrições em razão da pandemia e trazem a dança e o teatro para os palcos virtuais

Bailarina Jackeline Mourão apresenta o seu solo “Talvez Seja Isso” hoje em transmissão ao vivo
08/12/2020 07:30 - Naiane Mesquita


Em um cômodo do próprio apartamento, a bailarina Jackeline Mourão, 27 anos, apresenta o seu solo “Talvez Seja Isso”. O trabalho, que foi pensado antes da pandemia do novo coronavírus, precisou ser adaptado para a realidade de 2020, em que o distanciamento social é o mais indicado para evitar o contágio da doença.  

“O trabalho integra o projeto Singulares, que é um projeto de mostras de solos que a gente criou em 2019, que saiu do interesse e do desejo de cada intérprete de criar um trabalho solo. Esse é o meu primeiro trabalho solo, eu nunca tinha feito, e a direção da companhia veio com essa proposta de solo. Eu vi como uma oportunidade de fazer esse desejo acontecer, ainda mais tendo o apoio dos integrantes e da direção”, explica Jackeline.

A apresentação integra a programação do Itaú Cultural e será exibida hoje, às 20h, na programação do Palco Virtual.

Intérprete-criadora da Cia. Dançurbana, Jackeline revisita seus processos criativos – com as inquietudes, críticas do trajeto – e os trabalha em cumplicidade com o público. A produção tem criação audiovisual e trilha sonora de Reginaldo Borges e figurino e texto de Maíra Espindola.

“Em 2020, por conta da pandemia, ficamos pensando em como continuar com as nossas ações, sem ser o presencial, sem poder estar junto. Então a gente fez a temporada Quando Custa on-line; ‘Talvez Seja Isso’ foi o primeiro trabalho que a gente recriou para a temporada nesse formato on-line, e nas apresentações da temporada Quanto Custa, algum representante do Itaú Cultural assistiu e fez esse convite para o Palco Virtual”, explica Jackeline.  

O desafio foi justamente adaptar um espetáculo para a transmissão on-line. “É um desafio e uma das coisas que mais pegou para mim: como a gente ia conseguir fazer com que esse trabalho, que é a dança, chegasse no público como é no presencial. O meu trabalho tem uma interação direta com as pessoas; eu troco, eu converso com as pessoas. A dúvida era como faríamos isso longe, on-line, remoto, em casa. Foi um desafio estudar esse novo tipo de presença”, frisa Jackeline.

No solo da bailarina, o universo feminino é o grande destaque. “É um espetáculo permeado pelo universo feminino. Ele começou com as minhas referências e as minhas memórias de dança, das mulheres da minha família, porque eu venho de uma família que tem muitas mulheres. Também vem com uma camada dos trabalhos que eu já fiz, como o ‘Eu, Lídia’, em homenagem ao Centenário da Morada dos Baís”, frisa.  

Serviço – “Talvez Seja Isso” será apresentado no Palco Virtual – Cênicas, no dia 8 de dezembro (terça-feira), às 20h, via Zoom. Reserva de ingressos pela plataforma Sympla. Informações no site https://www.itaucultural.org.br/

 
 

Experiências

Na dança ou no teatro, o formato on-line mexe com as estruturas e as certezas dos intérpretes. Nos encontros da Cia. Teatral Ofit, por exemplo, cinco atores e o diretor Nill Amaral precisaram trocar experiências e emoções semanalmente para dar vida ao texto que prestará uma homenagem à escritora Clarice Lispector. A peça “Todo Redemoinho Começa com Um Sopro” será apresentada nos dias 17 e 18 de dezembro, totalmente de forma on-line.  

Para a equipe, da distância física ao eco de uma caixa de som, os desafios dos ensaios on-line são muitos e vão além da tecnologia. “O processo on-line para mim é um desafio, não só em relação ao teatro, mas em todos os aspectos. Eu sou uma pessoa que preza pelo contato, eu gosto de conversar, de abraçar, e por isso eu tenho muita dificuldade de viver essa experiência”, confessa um dos atores da peça, Samir Henrique.

A peça é uma remontagem dirigida por Nill Amaral e contemplada pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro, da Secretaria de Cultura de Campo Grande (Fomteatro/Sectur). A primeira vez que o grupo homenageou Clarice foi em 2007, em memória ao trigésimo ano de falecimento da escritora.

Em 2020, a história retorna reformulada aos palcos sul-mato-grossenses para celebrar o centenário de nascimento de sua inspiração. O texto do espetáculo também foi atualizado pelo dramaturgo Éder Rodrigues (Prêmio Off/Flip 2017 e Prêmio Guarulhos de Literatura 2019).

“Mantivemos o fio condutor e estamos fazendo ajustes para uma melhor adequação do texto ao formato espetacular nesse contexto epidêmico”, explica Rodrigues. A peça tem investimentos do Programa Municipal de Fomento ao Teatro (Fomteatro) e da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur). Ela será encenada nos palcos do Sesc, sem a participação do público e transmitida por meio do canal oficial do YouTube do Sesc de Mato Grosso do Sul.