Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

CINCO PERGUNTAS

Atento e forte

Na trama de “Amor de Mãe”, Tuca Andrada vive um cruel policial corrupto
19/02/2020 15:10 - Caroline Borges/TV Press


 

Tuca Andrada está completamente imerso no enredo de Belizário, seu personagem em “Amor de Mãe”. Por isso mesmo, apesar de todas as atitudes cruéis do corrupto policial, o ator de 55 anos ainda consegue justificar e explicar longamente a trajetória de seu personagem. “O Belizário é mais do que um cara mau. É um sujeito que vive em uma selva e ele é o predador. Qualquer coisa que atrapalhe o caminho dele, ele não deixa de pé. O Belizário é um sobrevivente à maneira dele, a maneira como enxerga o mundo. Ele está dentro de uma guerra e está ali para vencer”, defende. Na história escrita por Manuela Dias, Belizário é o braço-direito do vilão Álvaro, interpretado por Irandhir Santos, em seus crimes. Apesar da longa relação entre os dois, Tuca acredita que a dupla possa se separar mais à frente na trama. “Por enquanto, é uma fidelidade canina. Mas pode ser que mude. Eu não tenho nenhuma prova disso, mas acredito que isso vá mudar”, despista.

Natural de Recife, Tuca deu seus primeiros passos no palco ainda no Ensino Médio. Aos 21 anos, ele se mudou para o Rio de Janeiro com o objetivo de tentar a carreira artística. Mesmo com uma intensa trajetória no teatro e no cinema, ele também foi figura constante na tevê. Além da Globo, ele acumulou alguns trabalhos na Record, como “Cidadão Brasileiro”, “Caminhos do Coração” e “Poder Paralelo”. O ator, que estava de folga da tevê desde “O Sétimo Guardião”, usa seu tempo fora dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, para debater o futuro da classe artística no governo atual. “O que existe nesse país agora é uma coisa cínica de demonizar a classe artística. Sou honesto e trabalhei a minha vida inteira. Não admito que me chamem de safado”, desabafa.

P – Nos últimos capítulos, o Belizário passou a se envolver com a Penha (Clarissa Pinheiro), viúva de Wesley (Dan Ferreira), que foi morto pelo policial. Como essa relação irá influenciar no personagem?

R – O Belizário terá uma virada que não posso falar ainda. Mas é maravilhoso porque humaniza o personagem demais. A gente vê que ninguém é tão mau ou bom assim. Todos os personagens dessa novela têm essa outra face. A Manuela joga um personagem que você acha que é uma coisa e aí ela já muda. Isso é muito interessante, porque vai ao encontro com o que o público quer ver. Hoje em dia não adianta você fazer uma novela com os bonzinhos e os mauzinhos, isso já tem uma rejeição do público porque ninguém é assim. O Belizário tem vários segredos que serão revelados.

P – Você acredita que o amor possa ser um caminho para a redenção do Belizário?

R – O Belizário é capaz de amar. Assassinos são capazes de amar, ladrões são capazes de amar, estelionatários são capazes de amar, o jeito de cada um. Você pode ser um assassino, se apaixonar por uma pessoa e ter um lado doce. Isso é o que eu acho rico do ser humano. O amor muda até determinado ponto. Um grande amor pode levar você a ter uma mudança completa de visão de mundo, mas você não deixa de ser quem você é. Você pode se apaixonar e continuar sendo um assassino. Se eu conhecesse um Belizário na minha vida, dificilmente perdoaria.

P – O Belizário é retratado como um policial corrupto. Você chegou a ter alguma resposta negativa da corporação?

R – As pessoas me param bastante nas ruas para parabenizar pelo personagem e falar do meu trabalho dentro da trama da novela. Mas não tive nenhuma resposta direta da corporação ou algo assim. Não sei se a Globo recebeu algum tipo de notificação.

P – Você expõe bastante suas opiniões políticas nas redes sociais. Como você lida com esse ambiente raivoso da internet?

R – Eu não peço para ninguém concordar comigo em rede social. Meu Instagram é aberto. Eu exponho a minha opinião. Adoro quando as pessoas veem e não concordam comigo. Só que tem gente que chega com um discurso raso e me ofendendo. Quando alguém fala assim, me dá a faca e o queijo para tratá-lo do jeito que eu quiser. Esses dias teve uma maluca que falou: “Acabou a mamata da Lei Rouanet”. Então, pedi para me explicar a lei. O que existe nesse país agora é uma coisa cínica de demonizar a classe artística. Isso é um projeto de uma maldade enorme.

P – Como assim?

R – Em qualquer classe existe os bons e maus profissionais. É claro que a gente sabe que existem casos de má utilização da Lei Rouanet. O que eu não admito é essa demonização dos artistas. Quem faz arte nesse país sabe o esforço que é levantar um filme, uma peça, se manter no teatro, imprimir um livro, conseguir que ele seja publicado, levantar uma exposição... Então, vem um monte de gente retrógrada, que não sabe o que está dizendo, chamar a gente de corrupto. Eu não admito. Solto os cachorros mesmo. 

 

"Amor de Mãe" – Globo – Segunda a sábado, às 20h10.

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.