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CULTURA

Atriz sul-mato-grossense Patricia Saravy estreia curta-metragem que concorre a vaga no Oscar

Curta-metragem gravado em Florianópolis tem a atriz campo-grandense Patricia Saravy no elenco
26/01/2021 07:30 - Naiane Mesquita


A atriz sul-mato-grossense Patricia Saravy não esconde a admiração em participar do filme catarinense “Baile”, qualificado e inscrito como concorrente a uma das vagas para disputar o título de melhor curta-metragem em live-action do Oscar. O orgulho é ainda mais, ao frisar, que a produção foi feita totalmente por mãos femininas. “Nas produções que eu participo, a maioria tem direção de mulher. Eu acho muito legal que a indústria cinematográfica esteja mais aberta às produções feitas por mulheres. Em ‘Baile’, até na elétrica tinha mulher, inclusive, indico ela para vários trabalhos, porque quase não há mulheres nessa área”, afirma Patricia.

A empolgação é natural. O filme está no “screening room” da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, para visualização dos membros, com os demais curtas qualificados e inscritos. Os 10 filmes mais votados vão compor uma outra lista, que resultará nos cinco indicados finais, que vão para a tradicional cerimônia repleta de glamour.

“O curta foi gravado em 2019 e logo após a finalização estreou na 30º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo”, destaca Patricia, que pelo trabalho também conquistou o título de melhor atriz em um festival de Pernambuco. Já a qualificação da obra para o Oscar ocorreu após sua premiação como Melhor Curta-Metragem Ibero-Americano, no 60º Festival Internacional de Cine de Cartagena de Índias.  

Na história, que está disponível no YouTube, Andrea, de apenas 10 anos, é a protagonista da história. “Há certos dias que, mesmo sem grandes acontecimentos, nos forçam a crescer. Andrea tem só 10 anos e talvez ainda não perceba que seu dia foi assim”, avisa a sinopse oficial. Protagonizado pela atriz mirim Emilly de Jesus, a história tem como cenários a Praça 15 e a Alesc, locais onde a menina visita com a escola durante um passeio. Andrea vive com a mãe e sua bisavó, que sofre de Alzheimer.

A produção do curta-metragem é da Novelo Filmes e a direção fica por conta de Cíntia Bittar. “A produtora Novelo Filmes é formada por três mulheres, inclusive Maria Augusta, que é de Campo Grande”, frisa Patricia.  

Teatro e Cinema

Aos 40 anos, a atriz Patricia Saravy transita com facilidade entre o teatro e o cinema. Com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), as fronteiras entre os dois gêneros também se tornaram mais estreitas e tudo pareceu audiovisual em 2020. Porém, para a atriz, a atuação e a preparação para os personagens continua diferente. “O teatro é uma arte presencial, você tem o contato com o público, são vários olhares. Enquanto que no cinema, você tem um único olhar, que é o da câmera. Mesmo com a pandemia, em que as apresentações teatrais precisaram ser pela internet, por meio do registro audiovisual, a gente inicia com a primeira fala, faz todo o percurso e então, o fim. No cinema, por exemplo, as cenas não são gravadas na ordem”, explica Patricia.

A atriz precisa ter um controle sobre as emoções da personagem. “A lógica de atuação é outra. Eu pego a cena 13 e ela é a metade do filme, preciso mapear o filme como um todo, que estado vai estar essa personagem. No outro dia, eu gravo a cena 1, em que a personagem estará ainda no início da jornada, vai estar mais suave porque ela está apresentando o personagem ainda”, frisa.

Depois de tudo gravado, ainda tem o período de pós-produção, em que as cenas são montadas e finalizadas. “No cinema, tudo colabora, parece uma mágica. A atriz vai alinhavar todos esses elementos, rechear com todas essas outras frentes do cinema”, frisa.

Carreira

De estudante de direito a atriz dedicada, Patricia decidiu trocar de carreira ainda na casa dos 20 anos. “Eu fazia Direito, comecei a fazer Teatro aqui em Campo Grande, eu tinha uns 20 anos. Foi quando eu percebi que queria seguir com a atuação. Fui para Curitiba, estudei na Universidade Estadual do Paraná e lá eu entrei para um grupo, uma companhia de teatro. Fiquei quase 10 anos nessa companhia de teatro”, destaca.

Depois Patricia seguiu para o Rio de Janeiro, morou em Paraty e retornou a Curitiba. Durante o fim do ano passado, voltou a Campo Grande, onde apresentou a peça de teatro “Todo Redemoinho Começa com um Sopro”.  

Serviço – Para assistir ao curta-metragem “Baile”, acesse https://www.youtube.com/watch?v=PO_iwPpkL0Q&feature=youtu.be