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EDUCAÇÃO

Aulas on-line têm exigido comprometimento dos pais para auxiliar no aprendizado dos estudantes

Ensino a distância sem planejamento resulta em inúmeras dificuldades para mães, alunos e professores
20/05/2020 07:00 - Naiane Mesquita


 

Desde o início da pandemia da Covid-19, as aulas das redes particular e pública foram suspensas após orientação do Ministério da Saúde, para evitar aglomerações e barrar o contágio do vírus.  

Sem um remédio adequado para o tratamento nem uma vacina que possa imunizar a população, o isolamento social foi a única saída encontrada pelos cientistas, mas é longe de ser a mais tranquila para os pais de crianças e adolescentes em idade escolar.  

Sem as aulas presenciais, o ensino a distância se tornou uma realidade imposta e sem um planejamento prévio, o que resulta em inúmeras dificuldades para mães, alunos e professores.

A mãe e servidora pública aposentada Luciane Maria Borba de Menezes Mamann, 48 anos, sentiu muitas dificuldades ao auxiliar os filhos durante os estudos.

Na rotina de Lorena, 12 anos, e Lorenzo, 6 anos, havia aulas diárias na escola formal, além do curso de inglês em uma escola particular.  

“Quando as restrições de aulas presenciais foram aplicadas, a escola de inglês ficou pouco tempo sem aulas, acredito que só uma semana. Logo eles foram para as aulas a distância, no mesmo dia e horário em que ocorriam as presenciais”, conta Luciane.

O que era para ter sido uma transição calma foi um transtorno. “Principalmente em relação à tecnologia. Isso porque temos acesso a computador, celular, videogame, mas, mesmo assim, foi difícil me entender com o programa e ajudar ele”, explica a mãe.

Quem ajudou no processo foi a filha mais velha. “Ela é mais independente”, admite.  

Quando tudo estava mais calmo, a escola formal resolveu montar as turmas on-line e iniciar as aulas a distância. “Dessa vez, eu já fui com antecedência tentar entender o processo. No início, eu tive muita dificuldade até entender que a escola tinha feito um e-mail para o meu filho. Quando eu fazia o login, entrava automaticamente em outro e-mail. Aquele desespero, e quando enfim deu certo o microfone não funcionava. Uma tensão muito grande”, ressalta.  

Segundo Luciane, ela não é a única com dificuldades de lidar com o aparato tecnológico. “Dava para ver o desespero dos outros pais durante a videoaula, por ser o primeiro acesso. Justamente o que eu passei na escola de inglês eles estavam passando no início das aulas da escola normal”, frisa.  

De acordo com a mãe, nem mesmo os pais jovens gostam do ambiente. “Há pais e mães nos grupos de WhatsApp que demonstram aversão à tecnologia e são pessoas jovens. Muitos deixaram para baixar o aplicativo da aula no último minuto e demoraram para fazer o cadastro. Acabaram perdendo quase 100% da aula”, explica.  

 
 

Desinteresse

Além de todas as dificuldades com a questão tecnológica, outro desafio dos pais tem sido lidar com o desinteresse dos alunos em relação à aula on-line. “Principalmente os mais novos, como o meu filho, têm dificuldade com a videoaula, não querem assistir, mal começa a aula eles já abaixam a cabeça, ficam bufando. As aulas nesse ambiente não conseguem prender a atenção”, indica.  

Para compensar a falta de interesse do filho, Luciane descobriu que precisaria estudar com ele. “Fomos descobrindo o que fazer, sem precisar brigar com ele ou tumultuar. Sempre assisto com ele, às vezes até ouço antes, para ajudar nos exercícios e nas explicações”, confessa.  

Equipamentos

Enquanto alguns pais têm aversão à tecnologia, outros não têm os equipamentos corretos para as aulas. Rochelly Oliveira, 35 anos, tem dois filhos, Felipe, 12 anos, e Rafael, 5 anos. Com as aulas on-line do mais velho, ela percebeu o quanto um computador faz falta. “É complicado porque estou sem computador, então, o mais velho precisa estudar pelo celular. Já é uma dificuldade e ele ainda não está conseguindo aprender”, aponta.

Felipe tem, em média, 40 minutos de aula por dia, de apenas uma disciplina, o que segundo ele é pouco tempo. “Não consigo tirar todas as dúvidas com o professor”, explica o estudante, que está no 7º ano do Ensino Fundamental.  

Depois, entram em jogo os exercícios, responsáveis por fixar o aprendizado. “O resto é atividade, que eles mandam pela agenda on-line. Mas o que ele está mais sentindo falta é dessa interação mais próxima com o professor, acaba tendo muitos alunos nas aulas on-line e ele não consegue aprender”, aponta a mãe.  

Os dois estudam em escolas particulares diferentes. Rafael tem aulas em uma instituição de ensino pequena, próxima do bairro onde a família reside. “Ele recebe as atividades por escrito, eu busco na escola”, explica Rochelly.  

Apesar de ter as atividades, isso não impede o garoto de ir atrás do irmão para brincar. “Ele não deixa o outro estudar, bate na porta, quer entrar durante as aulas, então, tenho que ficar cuidando”, conta a mãe.

Para isso, ela precisou parar de trabalhar na empresa da família, que vende peças e serviços para motos. “Parei porque não tenho com quem deixá-los. Ajudo no que posso em casa, respondendo WhatsApp, publicando nas redes sociais, mas ele [esposo]está indo presencialmente”, aponta.  

Por enquanto, as aulas presenciais permanecem suspensas até o dia 30 de junho, segundo decreto da Prefeitura Municipal de Campo Grande.  

 

Felpuda


Como era de se esperar, as pesquisas mexeram nos ânimos de candidatos, principalmente daqueles que apareceram com índices pífios.

E assim, muitos deles certamente darão novo rumo às suas campanhas eleitorais.

A maioria, é claro, tenta mostrar otimismo, e o que mais se ouve por aí é que “agora o momento será de virada”.

Como disse atento e irônico observador: “Tem gente por aí que poderá virar, sim. Mas virar gozação!”. Ui...