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Diversão

Bastidores do Le Cirque: A vida por trás do picadeiro

De negócio de família à fusão cultural de artistas internacionais, o Le Cirque contagia à todos

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O circo Le Cirque, um dos mais renomados e tradicionais do Brasil, tem oferecido uma experiência única que vai além do espetáculo. E para saber como funcionam os bastidores, o Correio B conversou com os artistas e a equipe que fazem a magia acontecer. 

Há mais de 150 anos a família Stevanovich, responsável pelo Le Cirque, pertence ao mundo circense. De origem iugoslava e francesa, a família começou se apresentando por toda a Europa, como um grupo de saltimbancos. Durante a Segunda Guerra Mundial, por causa da perseguição nazista, fugiram para a América do Sul, onde encontraram um terreno fértil no imaginário brasileiro.

Atualmente na sua 6ª geração, a família continua sendo a base da magia do Le Cirque, conforme explica George Stevanovich, diretor do circo. "A família nunca deixará de ser a base do circo. Eu acho que tem que ser uma tradição. Hoje o circo, principalmente o Le Cirque, como a gente traz muita gente de fora, tem que renovar sempre. Mas nunca vai deixar de ser família. É de pai para filho e isso não vai acabar".

Irmãos Ian e Amy StevanovichIrmãos Ian e Amy Stevanovich

Os irmãos Ian e Amy, filhos de George, pertencem à 5ª geração da família Stevanovich. Os dois cresceram no circo e não imaginam uma vida diferente.

Ian, de 20 anos, é malabarista e palhaço, enquanto Amy, de 15 anos, é contorcionista e treina lira. Acostumados desde pequenos à vida circense, não se imaginam fazendo outra coisa. "Sempre foi divertido. Sempre me encantou muito essa arte. Para mim é uma arte que eu não largaria por nada", diz Amy. 

Amy é uma garota falante, indo contra sua personagem, a Bonequinha. Já Ian fala pouco e gesticula muito, assim como no palco, ao interpretar um palhaço expressivo. "Eu particularmente não sou muito comunicativo, sou mais gesto, porque como sou palhaço não falo muito no espetáculo, sou mais movimentos corporais", explica Ian.

De férias no Brasil, Amy e Ian estudam nos Estados Unidos e apesar da paixão dos filhos pela rotina do circo, o pai George orienta para que priorizem os estudos. "Eu prefiro que estudem e depois de adultos podem escolher: o circo ou a profissão", afirma George.

Para além da família

Outros grandes artistas, além dos Stevanovich, são responsáveis por proporcionar o encantamento do Le Cirque. 

O casal de argentinos Dirce Reyes e Ariel RomeroO casal de argentinos Dirce Reyes e Ariel Romero

É o caso do casal argentino Ariel Romero e Dirce Reyes, que trazem sua expertise de mais de 30 anos no circo para o Le Cirque. O casal vai da magia do truque de quickie change, onde trocam de roupa em segundos no palco, ao radical Globo da Morte, que exige preparação e ensaios constantes. "Cada apresentação é um ensaio para nós. Ensaiamos todos os dias para manter a precisão e a segurança", conta Ariel.

Apesar de já terem se apresentado no mundo todo, em países como México, Irlanda, Alemanha e Tunísia, é a primeira vez que visitam o Brasil. "Depois de mais de dez anos viajando pelo mundo, estamos encantados com a recepção no Brasil", compartilha Dirce.

O mágico Gambini, italiano de 30 anos, vive e respira a arte da mágica desde muito jovem. "Minha paixão sempre foi transmitir algo diferente ao público. A magia é uma forma de transformar vidas, nem que seja por alguns segundos", diz Cassiano Gambini, que está no circo profissionalmente há 14 anos.

Ele destaca que a vida no circo é uma mistura de rotina normal e momentos de criação e ensaio. "Durante o dia, levamos uma vida normal. Mas sempre estamos ensaiando e criando novas performances para encantar o público à noite", explica.

O mágico GambiniO mágico Gambini

Logística

George, responsável pela administração do circo, enfrenta um dia a dia intenso, trabalhando desde cedo até tarde da noite. Ele destaca a importância de superar crises, como a pandemia, e se reinventar constantemente para manter a magia do circo viva. "Hoje, o circo precisa ser prático e adaptável. Estamos montados no estacionamento de um shopping, algo impensável anos atrás", explica.

George StevanovichGeorge Stevanovich, diretor do Le Cirque

George também enfatiza a criação de empregos nas cidades onde o circo se instala, contratando localmente para diversas funções, desde a recepção até a operação. "Chegamos a uma cidade e já geramos empregos, seja para recepção, brigadistas ou outros serviços", explica.

Atualmente, o Le Cirque opera com um quadro fixo de cerca de 70 pessoas, que acompanham o circo nas viagens. Esse número dobra sempre que chegam a uma nova cidade, devido à contratação de mão de obra local, que ajudam na instalação e operação do circo.

O Le Cirque é uma verdadeira operação logística, com mais de 30 carretas transportando toneladas de equipamentos. George explica que a logística é fundamental para garantir o sucesso em cada nova cidade. "A estrutura é enorme e precisamos estar sempre bem coordenados para montar e desmontar tudo rapidamente", afirma George.

Serviço

Le Cirque

Local: Estacionamento do Shopping Campo Grande, próximo ao Carrefour.

Horários: 

  • Segunda à sexta: 20h
  • Sábado: 16h, 18h e 20h
  • Domingo: 16h e 19h

Ingressos: Na bilheteria ou pelo link.

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Cinema B+: O Urso merece 10 estrelas: uma receita perfeita

O Urso é uma série complexa sobre saúde mental e gastronomia, com diálogos cativantes e personagens intrigantes e está incrível na 3ª temporada

20/07/2024 13h00

O Urso merece 10 estrelas: uma receita perfeita

O Urso merece 10 estrelas: uma receita perfeita Foto: Divulgação

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Volta e meia fenômenos se destacam em meio à concorrência e passam para um patamar de unanimidade inatingível. É o caso de O Urso, a série que está agora na plataforma da Disney Plus e que vem colecionando todos os prêmios em Hollywood há dois anos. Em 2024, bateu o recorde de indicações no Emmy Awards (o Oscar da TV) e na festa, em setembro, é a franco favorita em sai categoria. O que me leva a um paradoxo...

O Urso merece todos os elogios e prêmios, porém está – na minha opinião – na categoria errada. Uma mancha em sua trajetória lendária. Por alguma razão, ninguém entende qual, mesmo sendo um melodrama, a série está em todos os prêmios como “Comédia” e com isso não deixa para ninguém na concorrência. Sério, os risos escassos que damos, em geral, são de nervoso.

No mais passamos aguando os pratos e chorando com as tragédias pessoais de todas personagens, que incluem suicídio, dependência química, bipolaridade e ansiedade, para citar poucos. A piada é achar que tudo isso poderia estar em uma série cômica.

Tirando essa ressalva, festejo a chegada ao Brasil da terceira temporada, com um mês de atraso em relação aos Estados Unidos. E agora só pode ser vista na plataforma unificada da Disney Plus.

Eu AMO The Bear e se fosse crítica do Michelin, como sou de TV e Cinema, daria 10 estrelas sem sequer ter dado uma única garfada nos pratos do chef neurótico que dá nome à série. É uma receita (quase) perfeita de um estudo sobre saúde mental tanto o quanto é sobre gastronomia. Um prato cheio para fãs de conteúdo inteligente e instigante se deliciar.

O Urso  navega na frágil e complexa saúde mental do chef Carmy Berzatto (Jeremy Allen White), um talentoso cozinheiro que saiu de Chicago e ganhou o mundo, tendo conseguido uma estrela do Michelin em Nova York, mas sendo obrigado à voltar para casa (na 1ª temporada) após o suicídio do irmão mais velho. Carmy, cheio de problemas e ansiedade ele mesmo, tem que lidar com a dor da perda e herdar os negócios mal administrados e confusos da lanchonete que o irmão deixou pra trás.

O Urso merece 10 estrelas: uma receita perfeitaDivulgação

Nessa primeira etapa o que fica óbvio é que o motor de todas as relações pessoais e profissionais da família Berzatto é tóxico, mas ainda assim irresistível. Que o diga Sydney Adamu (Ayo Edebiri), fã de Carmy e atual parceira de cozinha dele.

A segunda temporada mostrou um Carmy intenso, mas pelo menos apaixonado, empenhado em transformar o pulgueiro que era a lanchonete da família em um restaurante de luxo. Foi uma temporada menos focada nele, trazendo chefs fictícios e verdadeiros em um desfile de pratos e bebidas que torna impossível assistir sem ter fome.

Acompanhamos as vidas e as transformações da equipe e das pessoas ao redor de Carmy, assim como deparamos com o furacão materno e desesperador que é Donna (Jamie Lee Curtis). E sim, na noite mais importante para o restaurante Carmy fica preso no congelador, lidando com seus demônios internos e destruindo a única coisa positiva em sua vida.

E é imediatamente após essa turbulenta despedida que encontramos Carmy mais neurótico do que nunca, obcecado por conseguir sua segunda estrela em tempo recorde, agora alucinando e alienando a todos que o cercam.

A terceira temporada deixa clara algumas receitas básicas de O Urso: diálogos atropelados na escola de Robert Altman (o diretor de cinema que adora conversas naturais, com personagens falando um em cima do outro), e uma trilha sonora espetacular, mesmo que o uso de música ininterrupta em todas as cenas às vezes irrite.

Esses ingredientes são usados sem moderação, numa panela de narrativa não linear que aos poucos vai fazendo sentido e termina em um prato perfeito: na aparência e paladar.

Dito isso, a série também tem dado mais espaço para ainda outras personagens cuja trajetória desconhecíamos, como a linda história de Tina (Liza Colón-Zayas), em um dos melhores episódios da temporada, dirigido por ninguém menos do que a atriz Ayo Edbiri.

Porém, mesmo que divertidos, os irmãos Neil (Matty Matheson) e Theo Fak (Ricky Staffieri), com a ponta de John Cena como Sammy, tenham ganhado voz fica claro que é a saída estratégica dos roteiristas para justificar o fato de que esse melodrama poderia estar classificado como comédia. Não cola.

Vou evitar contar em detalhes como é a jornada de cada um porque estragaria a experiência. Em O Urso, cada cena precisa ser surpresa para ser apreciada em sua profundidade.

Falarei mais em detalhes à frente, para evitar os spoilers, mas aviso que terminamos, como sempre, com um nó no estômago, com a faca no pescoço e angustiados para saber como os nós serão desatados. Tenho minhas teorias. Por hora, recomendo consumo imediato de O Urso!

GASTRONOMIA

Bolo de tapioca

Conheça um pouco sobre as origens da tapioca e aprenda a fazer um delicioso bolo com a principal iguaria da culinária nordestina, que se tornou item obrigatório nas mesas de todo o País

20/07/2024 10h00

Foto: Divulgação

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Considerada a principal iguaria da culinária nordestina, a tapioca tem mais de 500 anos de história e surgiu no território brasileiro bem antes dos portugueses invadirem. A tapioca tem como matéria-prima a mandioca, raiz rica em nutrientes como fibras, carboidratos, potássio e cálcio. Dela é feita a farinha, ou goma, que, quando peneirada, origina o prato que quebrou as fronteiras do Nordeste e hoje é consumido por todo o Brasil.

 

RIO MADEIRA

A mandioca tem origem na América do Sul, mas muitos estudiosos afirmam que a primeira vez que os europeus tiveram contato com a mandioca foi em terras brasileiras, o que pode significar que a mandioca seja especificamente brasileira, precisamente das imediações do Alto Rio Madeira, em Rondônia.
Os registros contam que há muito tempo a mandioca era um alimento consumido pelos indígenas de diferentes formas, como tapioca, que não era a preferida, com frutas, peixes, carnes, e eles já preparavam o biju, primo da tapioca, que tem a mesma forma de preparo, só que fica aberto.

 

SIGNIFICADOS

Não faltam significados para a palavra tapioca. É o nome que se dá à farinha obtida a partir do amido da mandioca. Também designa as panquequinhas típicas da culinária nordestina, feitas com esse ingrediente. Fora do Brasil, tapioca pode ainda ser a própria raiz da mandioca. Do tupi tïpï’og (coágulo), a tapioca representa, enfim, uma herança indígena versátil e muito bem aproveitada.

Nas primeiras décadas pós-descobrimento, viajantes estrangeiros já registravam a existência dos beijus, preparados pelos índios com a goma da mandioca. Adotado pelas senhoras portuguesas por sua semelhança com o já conhecido filhó e pela falta de pão de trigo que acompanhasse as refeições, o beiju saiu das aldeias e entrou nos alpendres e nas varandas, alargando as possibilidades do paladar europeu.

Diferentemente da farinha comum, produzida a partir das fibras da mandioca, a farinha de tapioca provém do amido. A goma, depois de retirada, é peneirada sobre um tacho de cobre bem quente. Quando caem sobre o metal, esses resíduos fininhos estouram como pipocas, fazendo bastante barulho.

 

OLINDA

Durante o período colonizador português, a tapioca se espalhou e acabou virando alimento dos escravos que passaram pelas terras do Brasil. Nesse período, por volta de 1500, o coco foi incorporado à iguaria e ficou bem popular nas regiões Norte e Nordeste. 
Com o passar do tempo e através de todas as revoluções históricas, foi adotada pela cultura nordestina e hoje é símbolo e patrimônio cultural, como é o caso de Olinda, cidade-irmã da capital do estado de Pernambuco, Recife.

Tanto que, em 2006, a tapioca tornou-se oficialmente patrimônio imaterial e cultural da cidade. A Constituição do Brasil, no artigo 216, assegura que “todo bem material e imaterial, produzido individualmente ou em conjunto que referencia memória, práticas e costumes dos grupos sociais nativos, pode ser reconhecido como patrimônio”.
Anualmente ocorre o Festival da Tapioca de Olinda, que geralmente reúne mais de 100 tapioqueiras e, junto ao comércio de artesanato, movimenta mais de R$ 3 milhões na economia local.

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