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COLUNA PONTO DE VISTA

"Big Brother Brasil" em ponto de ebulição

Com elenco errante e retrato de discussões cotidianas, o reality completa 20 temporadas com audiência renovada
17/04/2020 13:53 - Geraldo Bessa/TV Press


Há alguns anos que a Globo vem lutando para resgatar a audiência e a relevância do “Big Brother Brasil”. Com faturamento alto e grandes marcas como anunciantes, o “reality” só permaneceu na grade por conta da visibilidade do horário nobre e poder de inserção comercial ao longo das provas e dinâmicas. Sendo assim, é normal a emissora pressionar o formato ao máximo para retomar o interesse do público de outrora. Para a vigésima edição, o diretor Boninho surpreendeu ao juntar aos anônimos de sempre a um time de “famosos” do segundo escalão na luta pelo prêmio de R$ 1,5 milhão. Na busca pelo público jovem, boa parte das celebridades foram “pescadas” nas redes sociais, como a cantora Manu Gavassi, o ilusionista Pyong Lee e a “digital influencer” Bianca Andrade, mais conhecida como Boca Rosa. A ideia de rejuvenescer o público até que deu certo, mas serviu para mostrar nitidamente o quanto a televisão ainda é o veículo de massa preferido dos brasileiros. Mesmo que “bombem” nas redes sociais, o jogo traçado por Pyong e Bianca mostraram que para ganhar um “reality” televisivo é preciso realmente cair na boca do povo e não de alguns milhões de seguidores no Twitter e Instagram.

Na comparação com a edição de 2019, a audiência média do “BBB”, passou de 20 para 30 pontos no Ibope. As menções nas principais redes sociais bateram recordes e o programa ainda viveu uma eliminação que ultrapassou a marca de 1,5 bilhão de votos. Os números robustos são reflexo do microcosmo brasileiro que se tornou a atual edição. Pautas políticas envolvendo racismo estrutural e a renovação do feminismo já pintaram em outras edições do programa, mas nunca com tanta força. Em tempos de opiniões tão polarizadas, a produção resolveu humanizar seus personagens de forma inteligente. Assim como na teledramaturgia, a casa mostra que mocinhos são capazes de atrocidades e vilões podem ter salvação. Com alguns trabalhos na Globo como “I Love Paraisópolis” e “Novo Mundo”, Babu Santana nunca teve tanto destaque em um programa da emissora como agora, onde alterna momentos de realidade e atuação, assim como de herói e algoz, e surge como um dos favoritos ao prêmio.

Como acontece com uma novela bem-sucedida, o “BBB” acabou ganhando uma sobrevida na grade. Em tempos de Coronavírus, que ajudou bastante na repercussão do programa, o “reality” ganhou uma sobrevida de quatro dias. Tempo suficiente para não ter de atropelar o jogo e alguns minutos a mais de fama para quem ainda está na casa e para os eliminados. Afinal, a vida de um “ex-BBB” não tem mais o mesmo glamour dos anos 2000. Como uma espécie de “pack” de auxílios para prolongar a repentina fama, os eliminados cumpriam uma agenda onde, além de se expor nos ensaios “Paparazzo” do site “Ego”, podiam fazer uma ponta na “Zorra Total”, mostrar receita no “Vídeo Show” e ainda posar para revistas como “Playboy”, “Sexy” e “G Magazine”. Por fim, a partir do próximo dia 27 de abril haverá mais um punhado de pessoas almejando os destinos de Grazi Massafera ou Sabrina Sato, mas eles terão de se contentar com polêmicas vazias em programas vespertinos de fofoca e marcar presença vip em eventos decadentes. O “BBB” só é válido em ponto de ebulição. Dessa vez, Boninho e sua equipe arregimentaram um elenco que, para o bem e para o mal, cumpriu com sua função de mero e bom entretenimento.

 
 

Felpuda


A lista do Tribunal  de Contas de MS,  com nomes de gestores que tiveram reprovados os balanços financeiros  de quando exerceram cargos públicos,  está deixando  muitos candidatos de cabeça quente.  Conforme previsto  pelo Diálogo, adversários estão se utilizando de tais dados para cobrar, principalmente nas redes sociais, deixando alguns gestores na maior saia justa e tendo que se explicar. O eleitor, por enquanto, só observa. E dê-lhe!