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ENTREVISTA

Caco Ciocler está no ar na reprise de “Novo Mundo

Na pele do médico Peter, o ator exalta importância histórica e tom humanista da novela
22/07/2020 08:43 - Geraldo Bessa/TV Press


A maturidade modificou radicalmente o jeito de Caco Ciocler encarar a profissão de ator. Se antes ele corria atrás de qualquer oportunidade na ânsia por ganhar repertório, agora ele seleciona com critérios os convites que surgem para o cinema, teatro e tevê. “Quando a gente é novo, morre de medo de não ser chamado para nenhum teste e vai fazendo de tudo um pouco. Fiz muitas coisas ruins, mas coisas boas me trouxeram até onde estou hoje”, acredita. Entre os bons trabalhos no vídeo, Caco faz questão de destacar o médico Peter de “Novo Mundo”. O caráter aventureiro e histórico da novela das seis, exibida originalmente em 2017, que agora é reprisada na mesma faixa por conta da pandemia, deu ao ator outra dimensão sobre o trabalho em folhetins. “Eu li a sinopse e fiquei muito encantado. Além disso, a entrega dos autores, diretores e toda a equipe no projeto foi muito empolgante. O resultado foi profundo e complexo”, ressalta.

Natural da cidade de São Paulo, Ciocler largou o curso de Engenharia Química para fazer Artes Cênicas e ganhar os palcos e companhias de teatro paulistanas. Foi a partir do burburinho em torno de seus desempenhos no teatro, inclusive, que ele estreou na tevê. Após ser visto pelo diretor Luiz Fernando Carvalho no espetáculo “Píramo e Tisbe”, de Vladimir Capella, Ciocler ganhou um papel importante em “O Rei do Gado”, de 1996. A carreira televisiva, no entanto, só ganharia mais destaque a partir dos anos 2000, onde participou de sucessos como “A Muralha”, “América” e “Duas Caras”. Hoje, aos 48 anos, ele assume que demorou a encontrar real prazer em atuar no vídeo. “Aproveitava a visibilidade da televisão para conseguir trabalhos no teatro e no cinema. O tempo foi passando e comecei a realmente me apaixonar pelo ritmo dos estúdios de tevê. Foi um processo de amadurecimento mesmo”, avalia, entre risos.

P - “Novo Mundo” foi ao ar há três anos. Qual sua principal lembrança sobre os bastidores da trama?

R - Novelas de época exigem uma preparação mais elaborada. Então, quando penso neste trabalho, minha cabeça vai direto ao momento da leitura de texto, ensaios e início das gravações. Esse começo é sempre muito gostoso, pois toda a equipe está na mesma torcida para que tudo dê certo. Não sabemos direito a cara que a novela tem e como a personagem vai se desenvolver. O elenco aposta em um caminho e não sabe exatamente o que vai acontecer com isso. A gente apenas se entrega.

P - Como é rever esse trabalho neste momento de pandemia?

R - Tenho falado muito com os colegas de elenco e, embora a gente fique de olho nas cenas durante as gravações, é a primeira vez que a gente realmente presta atenção nos detalhes. Justamente porque agora temos tempo para isso. Esperava por uma reprise, mas essa me pegou de surpresa e está sendo uma delícia acompanhar. Faz todo sentido “Novo Mundo” voltar agora, não só porque “Nos Tempos do Imperador” é a continuação dessa história, mas também porque o Brasil vive um momento onde rever a nossa própria história é muito importante.

P - Em que sentido?

R - É uma história que fala das nossas origens, do passado escravocrata e dos vícios da elite. São questões que se arrastam até os dias de hoje. Acho oportuno que ela volte no momento onde o Brasil precisa rever o caminho perigoso que está trilhando.

P - Por ser uma trama histórica e aventureira, “Novo Mundo” exige personagens com mais composição. Do ponto de vista do ator, recorrer a tantos apetrechos facilita ou dificulta o trabalho?

R - Acho que depende muito. A composição não pode ser vazia. De nada adianta maquiagem e figurinos rebuscados se o ator não preparou um bom estofo para o papel. A composição dá mais possibilidades de atuação, pois é mais fácil embarcar no faz-de-conta do que em algo que próximo do meu cotidiano. Em compensação, é preciso que tudo seja bem equilibrado para não ficar fora do tom. O Peter tem um pouco de composição, mas não é algo tão complexo.

P - O visual cabeludo e barbudo incomoda você?

R - Um pouco. Mas assim que me convidaram para a trama eu imediatamente deixei de aparar barba e cabelo. A principal entrega de qualquer ator a um personagem é a visual. Quando sei que vou fazer um trabalho de época, já vou procurando ficar com a aparência bem natural para que as modificações possam ser feitas quando a produção começar a ganhar forma. Já fiquei com essa aparência antes, na época em que fiz (a minissérie) “A Cura” (2011).

P - Você viveu um médico em “A Cura” e voltou a esse tipo de personagem em “Novo Mundo” e em “Unidade Básica”, série do canal pago Universal. O que você acha do retrato que a ficção faz desses profissionais?

R - Acho que depende muito da “pegada” de cada produção. Em “A Cura”, o Luiz Camilo era médico dividido entre o ceticismo e os milagres em uma cidade do interior. Na atual novela das seis, é mostrada uma forma muito rudimentar do cotidiano médico. O Peter chega e encontra um país sem qualquer saneamento básico. Ele fica muito chocado com a situação e começa a fazer um trabalho extremamente humanista. Já “Unidade Básica” pega pesado ao abordar o caos da saúde pública. São três visões bem críveis e coerente com a época e os lugares que se passam as histórias.

P - Você conseguiu reaproveitar inspirações e referências médicas dos outros papéis para “Novo Mundo”?

R - São tipos muitos diferentes. É claro que passar por essas experiências profissionais já me dá uma base, mas são personagens de caminhos distintos. Acho que o Peter me exige um mergulho mais profundo não apenas nos procedimentos que ele encara em cena, mas nas leituras históricas e em como a figura de um médico se encaixa no contexto do Brasil às vésperas da independência. Por muito tempo, achei que fazer novela era fácil, mas trabalhos como “Novo Mundo” me mostraram que não é bem assim.

P - Em qual momento você começou a levar as novelas mais a sério?

R - Acho que a idade foi chegando e fui me encontrando nos personagens de novelas. Quando eu era mais novo, ficava muito difícil me sentir atraído pela ideia de ficar quase um ano preso a um trabalho. Mas acho que o modo como a Globo produz as tramas se modificou também. O processo todo ficou mais atraente. Ainda tem gente que vai pelo caminho mais fácil. Mas o ator que também busca novas experiências artísticas consegue ser feliz fazendo folhetins.

Estado de ansiedade

A pandemia de coronavírus fez Caco Ciocler rever uma série de planos. Ele finalizou sua participação no “remake” de “Éramos Seis” e ensaiava uma peça sob a direção do renomado Felipe Hirsch quando o setor cultural foi paralisado. “Estava tudo pronto e lindo. Era um musical baseado em canções do Tom Zé chamado 'Língua Brasileira'. Uma semana antes da estreia, vimos que não daria para continuar. Foi triste, mas não tinha outro jeito”, lamenta.

O espetáculo ainda é incerto na agenda pós-pandemia de Caco. Entretanto, no setor cinematográfico, ele promoveu uma série de adaptações para lançar o documentário “Partida”. Com previsão de estreia nos cinemas no último mês de junho, Caco não quis esperar a reabertura das salas e apostou em uma negociação com empresas de “streaming”. “Tive de adotar outra lógica de lançamento. No fim, o importante é que a obra chegue até o público”, ressalta.

Coisas de casa

A pausa forçada na agenda de trabalho fez Caco Ciocler olhar com mais atenção para a própria casa. Com pequenos reparos elétricos, hidráulicos e de acabamento por fazer, ele arregaçou as mangas e jura que deu conta de todos os afazeres sozinho. “Fui vendo que meu lar precisava de um cuidado especial. Encarei como uma espécie de terapia e foi realmente muito produtivo”, conta.

Além dos reparos estruturais, Caco resolveu tornar realidade o antigo sonho de ter uma pequena horta em casa. “Adoro cozinhar e misturar temperos. Ter um espaço para plantar o que vou usar estava na minha lista de coisas a fazer quando tivesse tempo. Comprei tudo e fui montando. No fim, essa pequena horta ganhou contornos de terapia”, garante.

Instantâneas

# O teatro sempre esteve presente na vida de Caco Ciocler. Tudo por conta de sua relação com o grupo de teatro amador do Clube Hebraica, de São Paulo, onde ingressou quando tinha oito anos de idade.

# Um ano antes de sua pomposa estreia na tevê, durante a primeira fase de “O Rei do Gado”, de 1996, Caco fez uma pequena “ponta” em “A Próxima Vítima”.

# Aos 48 anos, o ator já é avô da pequena Elis, de dois anos de idade.

# Caco vem desenvolvendo uma frutífera e premiada carreira como diretor. No currículo, peças como “A Frente Fria que a Chuva Traz” e “Na Solidão dos Campos de Algodão”, além do curta “Trópico de Câncer” e do documentário “Esse Viver Ninguém Me Tira”.

 
 

Felpuda


Falatório e atitude de membro da família acenderam a luz vermelha no “QG” de candidato, pois poderão causar muitos estragos. 

A tropa de choque de defensores do candidato a prefeito já foi colocada em campo e só falta falar que os genes de ambos são diferentes. 

E com relação ao dito-cujo, sabe-se que deverá ser orientado a “baixar a bola” nos próximos dias, mais precisamente até o término da campanha eleitoral.

Afinal...