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COMPORTAMENTO

Thayara demorou para raspar os fios, mas quando o fez, recebeu o apoio de mulheres ao redor do mundo

Adepta do cabelo curtinho há anos, a jornalista decidiu aderir ao bob undercut
01/10/2020 07:00 - Naiane Mesquita


“Nós fomos educadas a usar rosa, adorar longos cabelos, não aceitar os cachos e usar roupas comportadas. Tudo o que foge disso faz muita gente entortar o nariz, e o mais triste é que isso está enraizado em homens e mulheres”, afirma a jornalista Thayara Barboza, 32 anos. 

Uma verdadeira camaleoa, Thayara assumiu recentemente o corte no estilo bob undercut, em que os fios são raspados por baixo, mas de uma forma quase imperceptível à primeira vista. Com tantas mudanças no cabelo ao longo dos anos, ela confessa que já precisou lidar com críticas e julgamentos disparados de todos os lados.  

“O preconceito está em todos os lugares, assim como os julgamentos velados. A cada novo corte ou mudança de cor, escuto: ‘Você vai ficar careca’, ‘Não tem mais o que cortar’, ‘Você não tem dó do seu cabelo’ ou ‘Queria ser desapegada como você’. Antes eu elaborava respostas gigantescas, hoje eu dou risada e tento explicar que amo meu cabelo e que a possibilidade de brincar com ele é maravilhosa”, afirma.  

O desejo de adotar um estilo curtinho sempre fez parte da jornalista, mas ela esperou muito tempo até ter a coragem de raspar. “Desde pequena, sempre tive muito mais afinidade com o cabelo curto, minha mãe quem cortava, então, era um ‘chanel com nuca batida’ e quase sempre uma franjinha”, relembra.  

Durante a adolescência, influenciada pela moda da época, Thayara até tentou se acostumar com o cabelo comprido. “Você tenta se ajustar aos padrões. E assim foi um longo período com cabelos compridos, mesmo a contragosto, e eu não encontrava um jeito de ser feliz com ele. Vivia preso, com coque ou trança, e era um desgaste. Com um pouco mais de maturidade, no fim da adolescência voltei para um corte mais curto, mas, ainda assim, longe das opções que já fiz na vida adulta. Naquela época, ainda estava presa aos protocolos e padrões de ‘cabelo de menina’, e isso gera um desgaste. No fim, crescemos presas a algumas regras que nem sabemos de onde vêm”, acredita.