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MÚSICA

Aos 24 anos, cantor campo-grandense João Rosa investe no pagode LGBT para promover inclusão

João lançou o pagode "Amar sem sentir culpa" nas plataformas digitais
07/12/2020 07:00 - Naiane Mesquita


“É duro ficar com medo de te abraçar na rua, sem ter paz para poder amar sem sentir culpa”. O trecho do samba de João Rosa, 24 anos, reflete sobre uma realidade que ele conhece bem. Homossexual, ele decidiu levantar a bandeira do amor no estilo musical que o conquistou desde criança.  

Irmão do também artista Karan Cavallero, integrante do grupo de pagode Atitude 67, João aprendeu desde cedo a tocar e se apaixonou por música. “Acho que esse gosto pelo pagode vem da infância. Eu sempre gostei muito de música nacional, ouvi muito pouco música de fora. Em casa, o que meu pai gostava de ouvir era a música nacional”, relembra João.  

Campo-grandense, ele mora atualmente em São Paulo, mas desde a pandemia do novo coronavírus está na cidade natal. Com as malas em casa, decidiu aproveitar para lançar a primeira música, além de um videoclipe feito apenas com artistas daqui. “Amar sem Sentir Culpa” traz a proposta do pagode LGBT, feito para ser tocado em qualquer lugar, sem limites para a discriminação. “Isso foi uma consequência de muita coisa. Ano passado eu comecei a tocar em São Paulo em uma roda de samba voltada ao público LGBT. Nesse processo – não era um grupo que tinha trampo autoral –, eles promoviam rodas de samba inclusivas. Foi quando eu percebi que faltava esse tipo de movimentação no mercado; eu sentia isso por eu ser uma pessoa LGBT que curtia samba e porque tinham outras pessoas LGBT que curtiam samba e não se viam incluídas no cenário do samba e do pagode”, explica João.  

No início do ano, o cantor estava em São Paulo, cursando mestrado em Sociologia na Unicamp. “Fui para São Paulo com 17 anos para fazer faculdade, me formei cientista social na Universidade de São Paulo e to fazendo mestrado em Sociologia na Unicamp. Acho que, de certa forma, meus estudos e o meu trabalho como músico têm bastante a ver, na verdade, principalmente porque eu estudo a questão LGBT dentro do mundo do trabalho. Apesar de hoje a música ocupar um espaço maior na minha vida, nos meus objetivos, as duas coisas eu gosto bastante”, pontua.  

Quando as medidas de restrição por conta da pandemia do novo coronavírus em São Paulo foram impostas, o cantor pegou as malas e voltou para Campo Grande. “Já estava com isso na cabeça quando ocorreu a quarentena. Em um período como esse, vem e vão várias coisas na cabeça, e eu decidi que queria viver de música e queria apostar nesse conceito autoral e LGBT, inclusive nas composições”.  

O conceito também aparece na construção visual do videoclipe, que traz o pontapé inicial da carreira solo do músico. “Trouxe isso para o samba e para o pagode, inclusive na estética visual. Quero oferecer um trabalho para as pessoas LGBT que não se viam representadas e não se viam incluídas nas composições”, acredita.

Para construir o videoclipe e a música, João convidou artistas de Mato Grosso do Sul. “Estou aqui durante a pandemia, mas todo esse projeto está sendo gravado aqui, com artistas locais, com a produção toda daqui”, frisa.