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Fim de ano

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Ceia moderada

Ceia moderada

SCHEILA CANTO

22/12/2010 - 00h00
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As festas de fim de ano são sinônimos de reunião em família, mesa farta e um verdadeiro desafio à manutenção das dietas que seguimos com muita disciplina durante todos ou maior parte dos dias do ano. Para algumas pessoas os cuidados para não estragar a festa vão muito além da preocupação com as calorias extras. Gestantes, diabéticos e pacientes em quimioterapia devem ter atenção redobrada nestes dias de festa. Confira a seguir a orientação dos especialistas para aproveitar ao máximo os momentos de alegria, sem cair na tentação e no exagero.

A médica Barbara Murayama, ginecologista e obstetra sugere cautela às suas pacientes, mesmo que a gestação esteja transcorrendo sem problemas. “Não abuse nem coma por dois! Por outro lado, não vamos passar vontade, né? Que tal, então, comer pequenas porções? Acho que essa é uma boa dica para não deixar passar nenhum prato gostoso”, exemplifica a especialista.

Quanto às bebidas alcoólicas, a obstetra enfatiza  que estão mesmo fora de cogitação. “Não há dose segura para o bebê. Por isso, este ano, meus brindes serão com água ou suco!”, recomenda.

Diabetes
Nos últimos anos, diversos produtos foram elaborados para tornar a vida dos diabéticos mais fácil e saborosa. Além disso, muitos tabus e determinações que o faziam ter que seguir uma dieta restritiva desapareceram. Atualmente, sabe-se que esses indivíduos devem ter uma alimentação saudável com pouquíssimas restrições ou proibições.

Segundo a nutricionista Flávia Moraes, da rede Mundo Verde, o diabético, assim como em qualquer outra época do ano, deve comer com moderação mesmo os alimentos sem açúcar. “Todo excesso é prejudicial e pode desestabilizar o quadro. Por exemplo, uma bananada sem adição de açúcar ainda contém a frutose natural da banana e se o diabético no lugar de uma comer 5 pode ter aumento em sua glicemia”, alerta.

A nutricionista ressalta que não há como generalizar e sugerir porções adequadas, pois a dieta do diabético é individual e específica, pois depende do grau e tipo de diabetes de cada um. Mas a recomendação geral seria que ele optasse ou pelo panetone sem adição de açúcar ou pela sobremesa com chocolate sem açúcar e não que comesse os dois.

Segundo Flávia, o panetone mesmo sem açúcar é feito com farinha e tem as frutas desidratadas que depois de digeridos viram glicose. O mesmo vale para a sobremesa com chocolate sem açúcar que tem a frutose natural do cacau, que quando digerido vira glicose, o consumo dos dois, mesmo sendo sem açúcar podem aumentar a glicemia. “Além disso, vale a pena maneirar no consumo de refrigerante zero, não porque vá aumentar a glicemia, mas porque refrigerante não tem nutrientes e tem muitos aromatizantes e corantes químicos. Quanto às bebidas alcoólicas devem ser evitadas todas, inclusive o vinho tinto e o suco de uva integral deve ser diluído em água”, explica a nutricionista.

Mais uma razão para evitar o exagero: o portador de diabetes deve se alimentar a cada 4 horas para evitar picos de hipo e hiperglicemia. Para concluir, a nutricionista, orienta os diabéticos e seus cuidadores para que leiam os rótulos com atenção. “Não confie apenas na denominação diet ou light. Observe atentamente a composição nutricional do produto, identificando a quantidade de cada nutriente (gordura, carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais), pois é a soma que faz diferença”, finaliza Flávia.

Pacientes com câncer devem festejar sem exageros
O diagnóstico do câncer chega quase que como uma sentença de morte para maioria das pessoas, embora hoje haja muitos meios de prolongar a vida de quem está com um tumor maligno e dependendo da localização e estágio é possível até mesmo a cura total. Sabe-se que o fator emocional tem grande peso no sucesso ou fracasso do tratamento. Sendo assim, por mais que seja difícil encarar a doença, os médicos são unânimes em prescrever “superdoses de ânimo e esperança”.

Neste período de festas o estado emocional do paciente sofre mais impacto, já que enquanto a maior parte das pessoas planeja festas e férias as pessoas em tratamento de câncer não podem fazer o mesmo em razão das limitações da doença. Ainda assim, os médicos enfatizam que o tratamento não pode ser empecilho para o paciente se divertir, festejar e viajar, basta seguir alguns cuidados.

A presidente do Instituto Oncoguia – organização sem fins lucrativos dedicada à defesa dos direitos dos pacientes com câncer – e psico-oncologista especializada em bioética, Luciana Holtz, dá dicas para que o paciente “desconecte-se do mundo do câncer” e passe por esses períodos do ano da forma mais normal e saudável possível.

Dando muito espaço a reflexões sobre o que passou e o que virá, o paciente pode sensibilizar-se e entristecer-se. Ele deve, então, entregar-se aos simples prazeres da vida, como um passeio ou viagem com os filhos, um encontro com os amigos queridos, ou uma noite para dançar.

Sobre os cuidados com a alimentação, eles são igualmente importantes. Deve-se evitar os alimentos gordurosos e, na hora da sobremesa, os doces e picolés à base de frutas, ou mesmo frutas frescas e geladas darão maior conforto digestivo ao paciente. Uma dica importante é evitar alimentos crus, especialmente fora de casa.

Os raios de sol não são bons amigos das pessoas em tratamento quimioterápico. Durante esse processo a pessoa fica imunodeprimida, ou seja, com o sistema de defesa do corpo debilitado e mais propenso a infecções. Alguns oncologistas orientam que seus pacientes não frequentem a praia e a piscina durante a quimioterapia, outros indicam que, se o paciente for à praia, deve usar chapéu e proteger as partes expostas do corpo com filtro solar. As caminhadas pela manhã e ao final da tarde são bem-vindas e ajudarão no combate aos possíveis efeitos colaterais do tratamento.

Para evitar a desidratação, a regra é a mesma para todos: muita água e sucos naturais. Para a pele, que fica mais ressecada durante o tratamento, hidratantes (de preferência sem cheiro para evitar as náuseas) são muito recomendáveis, e o filtro solar não pode ser esquecido. Já para os pacientes que perderam os cabelos por conta do medicamento, a dica é substituir a tradicional prótese capilar (peruca) que esquenta demais o couro cabeludo por lenços leves, alegres. Deixar a cabeça à mostra só se protegê-la com bloqueador solar.

“O paciente pode sim ter qualidade de vida empenhando-se em seu autocuidado e seguindo, atentamente, as indicações do oncologista. Um tratamento bem-sucedido depende fundamentalmente desse encontro do paciente com seu bem-estar e alegria de viver”, conclui Luciana Holtz. 

Diálogo

Confira a coluna Diálogo na íntegra, desta segunda-feira, 4 de março de 2024

Por Ester Figueiredo ([email protected])

04/03/2024 00h01

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Zygmunt Bauman - sociólogo polonês

Nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar 
pode esperar encontrar respostas 
para os problemas que a afligem”.

FELPUDA

Em Campo Grande, partido está sendo comparado por algumas lideranças de outras agremiações a um grupo de náufragos segurando em única boia salva-vidas. Ouve-se que a sigla está com pretensões de ter um candidato para disputar a cadeira mais importante do Paço Municipal da Capital e que até já teria escolhido um nome para o embate. Depois que foi submetida a intervenção, a sigla implodiu e não sobrou ninguém com potencial de votos para alavancá-la. Como “uma andorinha só não faz verão”...

Azeitando

Deputado do governador Eduardo Riedel (PSDB) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, o também tucano Pedro Caravina propôs à Casa a criação da Frente Parlamentar Municipalista e está pedindo apoio aos demais colegas. 

Mais 

Como articulador político de Riedel no interior do Estado, mataria dois coelhos com uma só cajadada: trabalharia para o ex-chefe (foi secretário de Governo) e fortaleceria seu nome para 2026, quando pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

Cláudia Dibo com os filhos Marina Dibo, Annalu Dibo e Nicolas DiboThaís Belchior

 

Jogo

O governador Eduardo Riedel enfrentará sua primeira missão espinhosa desde que assumiu o cargo: levar a bom termo a questão da revisão da contribuição previdenciária, cujo índice de 14% tem sido motivo de muitas manifestações, inclusive dos deputados.

Se antes tratava da questão como secretário da administração anterior, e no primeiro ano de sua gestão conduziu como sendo reflexo do governo passado, agora ele tem a caneta nas mãos. Com certeza, terá que ter muito jogo de cintura.

Rumo

Apesar de nos bastidores os comentários serem de que o vice-governador Barbosinha estaria se articulando para se filiar no Republicanos, há quem diga que o PSDB estaria de portas abertas para ele disputar a prefeitura de Dourados. Se aceitar ir para o ninho tucano, a “crise de querência” de outros pretensos pré-candidatos seria encerrada sem mais delongas.

Voltem!

Policiais que trocaram o trabalho de garantir a segurança da população nas ruas por serviços burocráticos em gabinetes ou atuando como seguranças de pessoas que se acham cabecinhas coroadas estariam sendo convocados para retornarem às funções de origem. 

Dizem que a chiadeira é muito grande, mas a determinação vinda de cima vem sendo cumprida.

Aniversariantes

Regina Maura Pedrossian,
Hélio Fogolin, 
Sérgio Dias Campos (Jacaré),
Valdir João de Oliveira Gomes, 
Sérgio Cândia Scaffa (Paxá),
Ednéia de Fátima Urzedo Costa,
Ezaldino Xavier,
Francisco Fernandes da Costa,
Graciela Simone de Souza,
Amauri Palmiro,
Dayane Higa Shinzato,
Joel Marques Gomes Dias, 
Dr. Romeu Arantes Silva,
Vitória de Rosa Silva Dacal, 
Andréia Castanheira,
Adriana Pereira,
Aline Ayoub,
Sérgio Antonio Braghim,
Celso Bejarano Junior, 
Guilherme Augusto Zan,
José Barbosa Batista,
Leondina da Silva Soares,
Adair Hardmann, 
Patricia Reis Vendramin, 
Liana Helena de Souza Cury, 
Dr. Cesar Augusto de Oliveira,
Fernanda Maciel Mendonça, 
Zuleica Maciel Oliveira, 
Ligia Braga Hvala, 
César Fróes, 
Robson Rodrigues Arantes, 
José Pereira Filho, 
Lucimar Gonçalves,
Dalton Albuquerque, 
Taís Alvarez Machado, 
Waldir Ramires, 
Eneida Maciel Chama, 
Ayrton Bachi de Araujo Neto, 
Paulo Cesar Bezerra Alves,
Edilon Rolim, 
Dr. Casimiro Mendes, 
Fábio Moura Ribeiro,
Leandro Teixeira, 
Mário Gonçalves da Costa Lima, 
Vera Brandão de Souza,
Gerson Hiroshi Yoshinari,
Elizete Vieira Carneiro, 
Átila de Mello Paleo,
Maria Helena Tourinho,
Luiz Eduardo Rodrigues dos Reis,
Maria Aparecida Kuffner dos Anjos,
Olívio Zago,
Eva Rute de Souza Vaz Almoas,
Maria Madalena Godoy Amada,
Israel Rabelo Guimarães,
Badya Bourdokan,
Carolina Maria Heliodora de Góes Araújo Feijó Braga,
Mahiele Gomes de Freitas Perondi,
Tâmara de Mattos,
Nereu Alamini,
Ana Maria Ribeiro da Rocha,
Cristiano de Sousa Carneiro,
José Maria Torres,
Ruth Gusmão Nunes,
Lindomar Silva de Souza,
Riverton Barbosa Nantes,
Luiz Alberto Miralles de Oliveira,
Maki Aparecido Lanzarini,
Dr. Durval Batista Palhares, 
Osmil Luiz Tonini,
Sidney Lopes Benites,
Marlene de Cerqueira Rodrigues, 
Walter Ferreira Azambuja, 
Fábio de Oliveira Camillo,
Marcelo Henrique de Mattos, 
Jeferson Rivarola Rocha, 
Evanir Serra Rodrigues,
Gerson Pereira,
Nauir Correa Amarilha,
Waldir Vargas,
Jeronymo Ivo da Cunha, 
Daniel José de Josilco,
Luciene Dias Ferreira Dutra, 
Ilário Hissashi Suematsu, 
Marcela Mari Higahi Hirata, 
Daniel Rezende e Silva, 
Márcia Lúcia Clemente Neto Aleixo, 
Maria Auxiliadora Pereira Martins, 
Daniel de Almeida, 
Rosa Maria Aquilino Lani, 
Samira Vargas,
Marise Cicalise Bossay, 
Wesley Lemes de Melo, 
Pietra Escobar Yano,
Carlos Augusto de Pinho,
Ewerton Araújo de Brito,
Izabel Cristina dos Santos Peres,
Luiz Aurélio Adler Ralho,
Tarik Alves de Deus,
Maria Rita de Almeida Mendes,
Carmem Lúcia Garcia Menezes,
Vera Rodrigues Braga,
Beraldo de Lima e Souza,
Mário Sérgio Antunes Barbosa,
Liliane Correia da Silva,
Vilma Rezende Nunes,
Nádia de Oliveira Rodrigues,
Senira Lopes de Matos,
Maria Fernanda Vargas Pereira,
Joacir da Silva e Souza,
Conrado da Cunha.
colaborou tatyane gameiro
 

Correio B+

B+ Especial 70 anos Correio do Estado: Entrevista exclusiva com o apresentador Amary Jr.

"Estou muito feliz na TV Cultura, por ser uma emissora de conduta séria e por depositarem confiança em mim". Amaury Jr. estreia a segunda temporada do seu programa na Cultura no dia 15 de março.

03/03/2024 18h00

B+ Especial 70 anos Correio do Estado: Entrevista exclusiva com o apresentador Amary Jr. Foto: Lan Rodrigues

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O apresentador Amaury Jr. (70 anos), é  jornalista formado em Direito e enveredou para a comunicação ainda na juventude. Trabalhou em veículos de imprensa, apresentou atrações de rádio e ingressou na TV como repórter na Tupi. Tornou-se popular como colunista social na televisão em 1982, com o programa Flash, na Gazeta.

"No tempo de curso ginasial, foi quando fiquei fascinado pela comunicação sim. Eu estudava num colégio estadual, o melhor da cidade, e, lá, cada classe tinha um jornal mural no pátio. Eu recortava as notícias que eu considerava as mais importantes e fazia isso semanalmente, assim como todas as outras classes. E eu fiquei muito vaidoso quando eu via um amontoado de gente na frente do meu mural, um volume muito mais representativo do que os das outras classes", relembra.

Nos anos seguintes, o Flash migrou para a Record e, depois, para a Band. Em 2001, o apresentador assinou com a Record. A partir de 2002, firmou-se na RedeTV! com o Programa Amaury Jr., exibido nas madrugadas. Teve uma nova e breve passagem pela Band entre 2017 e 2019, quando retornou para a RedeTV!.

"Comecei como repórter. Também estava lá o Juca Kfouri fazendo esporte, o Zé Milton na reportagem geral... Eles começaram a implantar a cultura de que o próprio repórter que apurava a notícia é que tinha que ir pro ar, e, assim, nascia uma nova geração de telejornalistas. Nesse momento, foi quando eu quis levar algo que eu já fazia no impresso, que era a coluna social, na televisão. Depois, fechou a emissora. Eu ainda tinha um programa na Rádio Gazeta", explica o jornalista.

Ao longo da carreira, também se dedicou a trabalhos como escritor, com o lançamento de revistas e livros relacionados ao trabalho na TV. Seu estilo se tornou um modelo seguido por vários apresentadores de coluna social na televisão, alvo também de paródias em programas como Casseta & Planeta: Urgente.
O apresentador é casado com Celina Ferreira, com quem tem dois filhos, Amaury e Maria Eduarda.

Entrevistar Amaury Jr. é uma inspiração, e tê-lo como Capa dupla, exclusiva e especial do Correio B+ em comemoração aos 70 anos do Correio do Estado é uma grande honra! Deixamos através dessa entrevista assinada pela jornalista Flávia Viana a nossa homenagem a esse ícone da televisão brasileira. 

O apresentador Amaury Jr é Capa B+  especial de 70 anos do Correio do Estado -Foto: Lan Rodrigues - Diagramação Denis Felipe e Denise Neves - Por Flávia Viana

CE - Amaury, você sempre quis trabalhar com comunicação? 
AJr -
 “Eu fiz Direito porque o meu pai não acreditava na profissão de jornalista, ele surgiu uma época em que a profissão era mais uma coisa romântica, uma coisa alucinada, e os jornalistas não eram nem bem vistos, e essa época meu pai falava: ‘Você não vai ganhar dinheiro com isso’. Aí, eu fui fazer Direito, porque era o sonho dele. Advoguei em São José do Rio Preto (SP) por um ano. Nesse período, eu já estava ligado no Jornalismo, já escrevia em jornais, tinha programa no rádio etc.

CE - Foi nesse momento em que se identificou com o jornalismo de fato?
AJr -
No tempo de curso ginasial, foi quando fiquei fascinado pela comunicação sim. Eu estudava num colégio estadual, o melhor da cidade, e, lá, cada classe tinha um jornal mural no pátio. Eu recortava as notícias que eu considerava as mais importantes e fazia isso semanalmente, assim como todas as outras classes. E eu fiquei muito vaidoso quando eu via um amontoado de gente na frente do meu mural, um volume muito mais representativo do que os das outras classes.

Aquilo que eu selecionava, agradava, e foi a partir daí que eu comecei a ficar muito interessado em comunicação. Eu era bom de português, lia um livro por mês e tinha um bom texto. Aí, o colégio recebeu o convite de um jornal chamado Diário da Tarde e eu fui para fazer a coluna do estudante. Foi quando comecei no Jornalismo impresso. Depois, virou uma coluna social, e com tempo fomos para outros setores de atividade, não somente o estudantil.”

CE - Você é pioneiro e abriu o caminho para o colunismo social eletrônico no país, como foi esse processo?
AJr - 
“Eu era muito ligado em dois grandes colunistas na época, um era o Ibrahim Sued e o outro era o José Tavares de Miranda, na Folha de S. Paulo. Mal sabia eu que acabaria tendo o Ibrahim Sued fazendo temporadas dos meus programas aqui, quando eu tinha programa diário. Eu fui desperto pela comunicação e achei a parte mais agradável dela pra mim, que é a coluna social. Passei pela TV Rio Preto, que era uma subsidiária da Rede Globo.

E foi onde eu comecei, na televisão. Eu fazia um programa de auditório, de embate de faculdades, com gincana etc. Era feito todo sábado. Um dos pedidos que eu fiz na época às duas equipes que trabalhava era que quem trouxesse a mais parecida sósia da Brigitte Bardot, levaria os pontos desse quesito. Uma das equipes da Volcânio era a Ana Maria Braga, que era estudante de Filosofia, lá de Rio Preto, e ela era linda, aliás, ela é linda até hoje, e era também, na sua juventude, no frescor da juventude dela, uma coisa deslumbrante. Na hora que ela entrou, o auditório quase caiu, eu tinha júri, tinha tudo. E a contratei para ser a minha assistente de palco.

Depois, fundei um jornal em Rio Preto, junto com o Zé Amildo Ribeiro por três anos. Em seguida, fui pra São Paulo. O Zé Amildo foi chamado pelo Mauro Salles, que era então o superintendente da TV Tupi, na última fase da TV Tupi, e o Sérgio Souza era o diretor, saudosíssimo, grande jornalista. Aí, o Zé Milton me levou junto.

Comecei como repórter. Também estava lá o Juca Kfouri fazendo esporte, o Zé Milton na reportagem geral... Eles começaram a implantar a cultura de que o próprio repórter que apurava a notícia é que tinha que ir pro ar, e, assim, nascia uma nova geração de telejornalistas. Nesse momento, foi quando eu quis levar algo que eu já fazia no impresso, que era a coluna social, na televisão. Depois, fechou a emissora. Eu ainda tinha um programa na Rádio Gazeta.

O José Roberto Maluf que me deu a oportunidade de retornar à TV. Eu o convenci de que seria interessante não só falar da festa em si, como assuntos de decoração e buffet, mas com as pessoas da festa. E foi quando comecei o meu programa chamado ‘Flash’, que tinha em torno de cinco minutos com entrevistas com convidados das festas. E foi muito bem.”

Amaury Jr é Capa do Correio B+ especial 70 anos do Correio do Estado - Foto: Lan Rodrigues - Diagramação Denis Felipe e Denise Neves - Por Flávia Viana

CE - E a ideia das músicas que marcaram e marcam as aberturas dos seus programas? 
AJr - 
“Eu sempre fui interessado em música e cinema. Sou da época do rock, do The Beatles. No meu programa de rádio, lembro que rodei o primeiro LP que tinha chegado dos Beatles, com A Hard Day's Night, com todas as músicas deles. Música sempre foi especial para mim. Foi quando quis criar vinhetas para o programa.

Era até usado como uma espécie de truque, porque, por ser um programa diário, nem todo o dia tava bom. Então, as vinhetas ajudavam a colocar trechinhos do programa para despertar o interesse de assistir. Eu escolhi a música ‘Keep it Comin' Love’, que virou o hino nacional do programa.

O próprio K.C., do KC & The Sunshine Band, quando ele esteve aqui no Brasil, falou que queria ser entrevistado por mim, queria saber como que uma música que já tinha desaparecido até da cabeça dele era tão forte e já tinha pegado na veia do brasileiro. Não havia festa que não se tocava ela. A gravadora Building Records me convidou e me ofereceu para comprar os direitos dessas músicas que eu estava botando no programa e fazer um CD. Acabamos fazendo oito. Só o primeiro, eu vendi 500 mil cópias. Fiz até CD de Natal, ganhei disco de ouro e tudo.”

CE - Depois veio a revista Flash e o Clube A...
AJr - 
“Eu tinha um outro sonho, que era o de ter uma revista. E aí surgiu a oportunidade com a editora Scala e veio a revista Flash, que durou três anos. Depois, veio o Clube A, que também fiquei trabalhei por mais três anos, e depois vendi a minha parte e eles deram sequência após a minha saída por mais um tempo.”

Divulgação - Reprodução Internet

CE - O sucesso do programa FLASH...
AJr -
“O programa ‘Flash’ nasceu na Gazeta, timidamente, com cinco minutos. A primeira pessoa que eu entrevistei foi o Antonio Bivar, autor de ‘Verdes Vales do Fim do Mundo’, que tinha voltado do exílio em Londres (Inglaterra). E, deu certo. Depois, me deram 10 minutos, 15 minutos, e conforme foi crescendo, a Record me convidou, que tinha alcance interestadual na época. Em seguida, a Band, para nível nacional. Lá, eu fiquei 17 anos. O programa só não tinha ainda mais audiência, porque ia muito tarde ao ar. Eu não tinha concorrentes. Se tornou um programa de celebridades.

CE - Você também começou a fazer viagens né Amaurt?
AJr -
Posteriormente, começamos a fazer viagens, Copa do Mundo etc. Eu fui o primeiro jornalista a ir pra Dubai com uma equipe fazer uma reportagem por lá que acabou virando livro. As nossas viagens faziam sucesso e tinham um ótimo respaldo comercial justamente porque eu queria mostrar o que habitualmente o turista não conhecia. Por exemplo, íamos até Veneza, na Itália, mostrar quantos filmes foram rodados por lá ou falar sobre a origem do carpaccio, ou a um café em Traben-Trarbach, na Alemanha, onde grandes escritores frequentavam, como o Honoré de Balzac, por exemplo. Ou também em Paris, mostrar o museu da guilhotina, que foi um instrumento de morte emblemático durante a Revolução Francesa. E o programa ficou interessante.”

CE - Inevitavelmente vieram os livros também...
AJr - 
“O primeiro livro que eu escrevi foi o ‘Flash Fora do Ar', que tinha trazia histórias que me contavam fora do ar, durante as gravações. Acabei escrevendo ele com um pouco de pressa e não ficou exatamente como eu queria que ficasse. Até hoje, ele é uma referência porque tem muita informação relevante. Depois, veio o ‘Bisbilhotice’, que eu gostei mais. No momento, estou aprimorando o ‘Bisbilhotice 2’, que vai ser bem mais legal. E tem o ‘A Vida É Uma Festa’, uma biografia minha feita pelo Bruno Meier, um ótimo jornalista que eu adoro. Eu também cheguei a escrever um livro sobre Dubai e outro sobre a África do Sul, que venderam bastante, e ambos foram miniaturizados, no tamanho pocket. E escrevi o ‘Alemanha: 100 Dicas de Amaury Jr.’, um livrinho de bolso, que vendeu que nem pão quente (risos).”

CE - Uma curiosidade de bastidores...
AJr -
 “Quando a rainha Sílvia, da Suécia, esteve em São Paulo, fui até o hotel que ela se hospedou, me credenciei e queria entrevistar, mas ninguém queria deixar. Acabei conseguindo meia hora com ela. O que eu mais queria saber, era sobre a história de uma menina do interior de São Paulo que acabou virando rainha da Suécia... Ela foi para a Olimpíada de Munique, trabalhar como recepcionista, e o rei Carlos Gustavo estava a dois camarotes de distância e aí começou o flerte, ela mesma me contou isso.”

CE - E pra finalizar, conta pra gente sobre a sua nova fase na TV Cultura?
AJr -
“Na nova fase do meu programa, tudo mudou. Eu sempre trabalhei na noite e não tenho mais a mesma disposição que eu tive durante 40 anos, além do que hoje em dia as festas não possuem mais o mesmo glamour, são poucas festas realizadas e a maioria é muito comercial. A primeira parte do programa é mais voltada para a temática, como, por exemplo, falando da origem do chiclete. Muita gente não sabe que ele veio de uma seiva, de uma árvore. E aí eu mostro a árvore que nem uma seringueira escorrendo, falo do papel do chiclete na guerra, que era mastigado até para aliviar a tensão durante os confrontos, bolo de chiclete, falo curiosidades em geral. A segunda parte do programa eu já falo mais de música, de viagens, de festas, um monte de coisas. Estou muito feliz na TV Cultura, por ser uma emissora de uma conduta muito séria e por depositarem confiança em mim.”

                                Foto - UOL

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