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ENTREVISTA

Cinco perguntas para Tony Ramos, atualmente no ar em duas reprises de novelas

Enquanto aguarda a próxima novela de João Emanuel Carneiro, o ator reaparece em dose dupla em tramas de Manoel Carlos
09/09/2020 15:40 - Caroline Borges/TV Press


Os quase 60 anos de televisão de Tony Ramos lhe deram uma gigantesca bagagem sobre os meandros dos bastidores de tevê. Ao longo das décadas, o ator de 72 anos viu o setor se transformar inúmeras vezes. Por isso mesmo, ao se deparar com as recentes alterações de mercado experimentadas pelo “boom” das séries e dos serviços de “streaming”, Tony garante que o espaço das novelas, produto o qual o consagrou no vídeo, seguirá intacto por muitos anos ainda. “Sou um grande defensor da bandeira dos folhetins. O folhetim é uma identidade universal. Está presente nas séries americanas, nórdicas ou japonesas. Nunca fui blasé com relação às novelas. Se você olhar uma série como ‘Homeland’, com seus quase 100 episódios, não há um que não se amarre no próximo. A diferença é o formato, que não é diário. Há uma camaradagem com o espectador de novela, que também vê o seu cotidiano ali. Por isso que a reprise de ‘Fina Estampa’ dá 37 pontos, e ‘Totalmente Demais’ também vai bem”, defende o ator, que voltou ao ar como o culto Miguel de “Laços de Família”, no “Vale a Pena Ver de Novo”, 20 anos após a exibição original, e também como o saxofonista Téo de “Mulheres Apaixonadas”, do canal Viva. “O Maneco (Manoel Carlos) é dono de histórias atemporais. Fiz gêmeos em ‘Baila Comigo” e, se colocarem no ar de novo ou refizerem, vai ser uma história do presente. A atemporalidade é o que conduz as obras do Maneco”, completa.

Na obra dirigida por Ricardo Waddington, Miguel é um culto e charmoso dono de uma livraria no Leblon. Viúvo e pai de dois filhos, ele se apaixona por Helena, papel de Vera Fischer, mas precisa lidar com a conturbada vida amorosa da protagonista, que se vê dividida entre Edu, de Reynaldo Gianecchini, e Pedro, interpretado por José Mayer. “Ele renuncia ao amor por um ato de nobreza. Então, eu não podia passar nenhum sentimento de decepção, ódio ou ranço. Isso não tinha relação com o personagem. Fazer o bonzinho é mole até a página dois. Da página três para frente pode ficar piegas, perigoso ou não convencer. Tive muito de trabalhar o silêncio no Miguel”, relembra. De folga das novelas desde o fim de “O Sétimo Guardião”, Tony está escalado para a próxima trama das nove assinada por João Emanuel Carneiro, que tem estreia indefinida por conta da pandemia do novo coronavírus. Os dois já trabalharam juntos em “A Regra do Jogo”, de 2015. “O João é um autor muito ousado, arrojado e atrevido. Quando vi a ideia da nova novela dele, pensei: ‘a ideia é inacreditável. De onde brota isso tudo?’ (risos). Ele vai fundo em uma série de discussões”, elogia.

P – Como você recebeu a notícia de que “Laços de Família” iria voltar ao ar? 

R – Eu acho que foi uma escolha muito feliz da emissora. Depois desse estrondoso sucesso que foi “Êta Mundo Bom!”, vem uma novela com outra proposta e uma reflexão das mais variadas sobre o cotidiano. Ser simples é de uma dificuldade absoluta. Em “Laços de Família”, tive momentos lindos. A preparação com o Flavinho Silvino, que faz meu filho na novela, foi muito especial. O Miguel estava inserido em um núcleo especial. Ele era dono de uma livraria e editora. Vinha ao encontro com o que eu sempre pratiquei e pratico. Sem contar o texto do Maneco. Era de uma textura particular.

P – Além de “Laços de Família”, você também esteve em outras obras de Manoel Carlos, como “Baila Comigo”, “Felicidade” e “Mulheres Apaixonadas”. Como é sua relação com o autor? 

R - O Maneco é um homem que veio do teatro, um grande observador do cotidiano das pessoas. Já conheço muito a obra dele e sempre soube dessa observação cotidiana dele. Ele senta no seu canto da Livraria Argumento, no Leblon, e fica observando tudo. Ele tem um olhar com um filtro de criatividade. O Maneco é um literato, um homem bem informado e culto. Cada autor tem um jeito, o Maneco tem um olhar mais longo através da janela. Por isso as cenas tinham uma duração maior. Eu recebia cenas de cinco páginas e pensava: “vou ficar quietinho no meu canto, decorando”. Acho essa reprise uma chance de rever uma bela história, fazer uma releitura e revisitar um texto que faz muito bem aos ouvidos.

P – A trama de “Laços de Família” iniciou as gravações no Japão. Quais lembranças você carrega dessa viagem? 

R – A gente fez uma viagem longa pelo Japão. Acho que fizemos cenas de uns 20 capítulos. Vários capítulos, inclusive, iam chegando, durante a viagem, através de fax. Estávamos eu, Vera Fischer, Carol (Dieckmann) e Julia Feldens. Gravamos no interior, gravamos em um trem bala. Fomos para Kyoto e estivemos em um templo budista lindíssimo. Essa viagem ao Japão foi ótima para o meu personagem. O Japão fornece muito material naturalmente. Aliás, foi lá que conheci máscara pela primeira vez (risos). Todo mundo no metrô usava máscara, uma preocupação de não contaminar ninguém. Uma disciplina absoluta. 

P – Recentemente, você também voltou ao ar em “Mulheres Apaixonadas”, que é exibida pelo canal Viva. Como está sendo revisitar esses dois trabalhos simultaneamente?

R – É delicioso rever esses projetos juntos. Mas é bem difícil estabelecer qualquer paralelo entre eles. Eles têm um choque dramático. O Miguel era um homem que nunca tinha superado o acidente em que a mulher morreu, se apaixona pela Helena (Vera Fischer) e não é correspondido naquele momento. Ele tinha um ato muito nobre de renunciar ao amor que ele sentia por aquela mulher. O Téo era um sujeito blasé com a vida, muito rico e que descuidava do casamento dele. Ele só acorda para a vida quando entra em coma a partir daquele famoso tiroteio da Dias Ferreira. Eram sujeitos opostos, mas que tive um prazer idêntico de fazer.

P – Você está com quase 60 anos de carreira e segue bastante ativo. Além de estar no ar em duas reprises, também está escalado para a próxima novela do João Emanuel Carneiro. O que ainda o motiva a aceitar novos papéis?

R – Sou uma pessoa que tenho prazer com a minha profissão. Gosto de estar atuando e estar entre meus colegas de cenas. Sei que todas as noites têm, pelo menos, 50 milhões de brasileiros que esperam o melhor possível de mim. Tudo isso independentemente de dor de cabeça, unha encravada ou qualquer problema pessoal. Sou grato pela minha trajetória. Esses meus estímulos para seguir trabalhando e, de vez em quando, um vinho tinto, porque ninguém é de ferro (risos). Daqui a pouco vou estar aposentado ou trabalhando menos, vem uma rapaziada boa por aí. Vou para o teatro, fazer Shakespeare para sempre ou fazer uma novela de vez em quando. 

 
 

Felpuda


Casal de políticos muito conhecido a-do-ra cargos públicos, e, assim, “um puxa o outro” na maratona política, que inclui disputa de mandatos, direção de órgãos e até mesmo nomeações com prerrogativa de não ter de bater ponto. A nova empreitada agora é conquistar uma das prefeituras do interior. Em caso de derrota, é quase certo que os nomes de ambos deverão aparecer no Diário Oficial antes mesmo do fim deste ano.