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CINCO PERGUNTAS

Para Cláudia Raia, “Ti Ti Ti” foi um dos seus melhores momentos na comédia em sua carreira na tevê

A novela foi exibida originalmente entre 2010 e 2011 pela Globo, e agora está no “Vale a Pena Ver de Novo”
06/04/2021 13:45 - Márcio Maio/TV Press


Interpretar tipos exuberantes não chega a ser uma novidade para Cláudia Raia, em seus 38 anos de carreira na tevê. 

Mesmo assim, a campineira, aos 54 anos, não disfarça que “Ti Ti Ti”, novela exibida originalmente entre 2010 e 2011 pela Globo e na qual deu vida à destrambelhada Jaqueline, é um dos trabalhos de comédia mais marcantes de sua carreira nos folhetins. 

Afinal, além de ter sido uma de suas inúmeras parcerias de sucesso com o diretor Jorge Fernando, que morreu em outubro de 2019, também foi uma espécie de retorno aos folhetins, depois do sucesso estrondoso de “A Favorita”, em 2008, trama na qual a atriz interpretou a injustiçada Donatella. 

“Até hoje, o público ainda fala da Jaqueline, do cabelo dela... O jeito fofo e romântico dela seduziu o público completamente”, avalia Cláudia.

A atriz reconhece que o humor segue tendo um lugar especial em sua carreira. 

Mas garante não ter exatamente uma predileção pelo gênero. 

“A comédia é muito especial para mim, mas não tenho preferência. O que sempre falo é que comédia exige do ator uma preparação diferente, outro tempo. É um trabalho extremamente minucioso e que exige uma precisão enorme”, analisa. 

Outro ponto importante para Cláudia em “Ti Ti Ti” foram as parcerias que ela teve dentro de cena.

“Trabalhar com o Alexandre Borges é como estar em casa. Acho que ele é a pessoa com quem mais fiz par romântico na vida. Minha relação com o restante do elenco era ótima também. Foi tão boa que a Fernanda Souza, minha filha da ficção, se tornou minha filha do coração. Até hoje somos grudadas”, revela, citando os intérpretes do estilista Jacques Leclair e da instável Thaísa do remake de Maria Adelaide Amaral.

 

P – Como foi receber a notícia de que “Ti Ti Ti” estaria de volta no “Vale a Pena Ver de Novo”? 

R – Eu amei receber essa notícia. Jaqueline é uma personagem muito querida por mim e pelo público. 

Ela é sempre muito lembrada. Foi uma novela deliciosa, mais um trabalho com meu querido parceiro Alexandre Borges, que é meu marido da ficção, de tantos pares românticos que fizemos juntos (risos). 

Sem contar que é mais um trabalho em que fui dirigida pelo meu amigo-irmão Jorge Fernando. 

Uma maneira de matar a saudade que sinto dele todos os dias.

P – Qual a importância de “Ti Ti Ti” na sua carreira? 

R – Jaqueline era uma mulher completamente destrambelhada (risos). 

E o público se divertia muito com esse jeito dela. Mesmo sendo uma personagem de comédia, Jaqueline me trouxe outro registro. 

Ainda não tinha feito uma personagem como ela. 

Foi interessante também porque foi a primeira personagem de novela que eu interpretei depois de “A Favorita”, e Jaqueline e Donatella não poderiam ser mais diferentes.

P – Como foi a sua composição? Que referências da primeira versão, exibida em 1985, você usou?

R – Eu já sou uma pessoa muito ligada à moda. Então, poder viver esse universo na novela foi uma delícia.

Quando Jorge Fernando falou comigo sobre o trabalho, ele disse que queria que a minha personagem fosse a prima-dona do Brasil. E assim foi! 

A Jaqueline é uma Porcina pop, extravagante, exuberante... A Jaqueline da primeira versão foi interpretada pela Sandra Bréa, que é minha grande referência de musicais feitos em televisão. 

As nossas Jaquelines foram bem diferentes, mas foi muito interessante essa reverência a ela. 

E, claro, eu fui buscar referências nela também para a personagem.

P – Na história, Jaqueline é uma mulher extravagante e cômica, que estava sempre mudando de visual. Você se identifica com a personagem?

R – Adorei isso, porque fui muitas personagens em uma mesma novela. 

Não posso deixar de falar da figurinista Marília Carneiro, que foi muito importante. 

O trabalho de moda dessa personagem, desse universo todo de “Ti Ti Ti” é muito importante e o trabalho impecável da Marília tem de ser enaltecido. 

Ao mesmo tempo em que eu e Jaqueline temos muito em comum, somos bem diferentes. 

Acho que a exuberância, o interesse por moda e ter essa lente do humor para a vida são características que compartilhamos. 

Mas quando você olha mais para ela, percebe que somos completamente diferentes. 

Jaqueline é tão imersa em si mesma que não há espaço para mais ninguém, nem para a própria filha. 

Na verdade, ela tem uma quase obsessão em ser amada, em casar com alguém por quem seja completamente apaixonada e viver seu conto de fadas. Mas, nessa busca, ela negligencia todo o entorno. 

P – Você também é assim?

R – Eu sou o extremo oposto. Estou sempre de olho em todo mundo que me rodeia, preocupada com o bem-estar de todos. 

Tenho esse perfil mãezona mesmo, de cuidar, de acolher, não só com os meus filhos, mas com todas as pessoas que estão por perto. Sou muito maternal.