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"Cadê meu Chapéu?"

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Com 62 alunos em cena, espetáculo do Sesc Lageado celebra o centenário da Disney

Com 62 alunos em cena, espetáculo do Sesc Lageado, a ser apresentado nesta quinta-feira, às 19h, no Teatro Dom Bosco, celebra o centenário do mais popular estúdio de animação do mundo

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“A sensação de poder subir em um palco é inexplicável de tão boa”, afirma a bailarina Maria Clara de Oliveira Lopes, de 16 anos. Além do balé, ela faz parte das turmas de canto coral e teclado do Sesc Lageado. 

E a emoção tem a ver com a apresentação de hoje à noite, a partir das 19h, que reunirá, em cena, 62 alunos da unidade cultural, entre cantores, músicos da orquestra e bailarinos.

O espetáculo “Cadê Meu Chapéu?”, no Teatro Dom Bosco (Av. Mato Grosso, nº 225, Centro), combina a expressão musical, a dança e a arte digital dos alunos em homenagem aos 100 anos da Disney. 

A companhia, que surgiu como produtora de filmes de animação, foi fundada em 16 de outubro de 1923. A entrada é franca e está sujeita à lotação do espaço (600 lugares).

“Vou interpretar o Chapeleiro Maluco, que vai estar procurando o seu chapéu. A sensação é de muito nervosismo e, por ser o protagonista, de muita pressão também. Mas é uma sensação muito gostosa você estar participando de uma coisa tão legal e poder mostrar isso para outras pessoas”, diz Maria Clara.
Ao longo da noite, o programa terá 17 esquetes, entre peças musicais e de dança, tudo ambientado em um cenário digital que adapta os clássicos da Disney à cultura e à natureza de Mato Grosso do Sul, propondo uma “fusão mágica”. 

O elenco é composto por alunos e alunas de várias turmas do Sesc Lageado: balé intermediário e avançado, canto, percussão, saxofone, flauta, clarinete, violino, violoncelo, violão, bateria, teclado e arte digital.

SINOPSE

Confira a sinopse da montagem: “Embarque em uma jornada mágica por um universo encantado como nunca visto antes! O Chapeleiro Maluco, um personagem querido e excêntrico, perdeu seu chapéu mágico, desencadeando uma busca que o levará a explorar os mais icônicos mundos dos filmes da Disney.
A narrativa leva uma reviravolta inesperada quando os vilões das histórias decidem unir forças para se apoderar dos poderes do bem, e os heróis entram em ação para detê-los. 

Nesta emocionante aventura, prepare-se para momentos de comédia, suspense, ação, romance e, é claro, muita magia Disney! A rivalidade entre os personagens proporcionará desafios inimagináveis, mas o amor, a amizade e a magia prevalecerão.

Uma jornada épica e emocionante através dos clássicos que todos nós amamos, ‘Cadê Meu Chapéu?’ é um espetáculo musical que vai encantar crianças e adultos, transportando-os para um mundo de sonhos e encantamento como só a Disney e os alunos do Sesc Lageado sabem fazer.

Neste espetáculo revolucionário, os cenários digitais ganham vida com adaptações encantadoras dos clássicos Disney à atmosfera de Campo Grande e de outros municípios de Mato Grosso do Sul. 

Elementos inspirados na rica cultura indígena, juntamente com representações da natureza local, como rios, cachoeiras e o característico pôr do sol, proporcionam uma experiência visual única.

A presença sutil de animais regionais e de detalhes que homenageiam a arte e a cultura sul-mato-grossense integram-se de forma harmoniosa, criando uma fusão mágica entre a magia Disney e a identidade única da região. Prepare-se para uma experiência que celebra 100 anos de magia, música e contos de fadas”.

ROTEIRISTA

“Para a criança interior vai ser um momento muito mágico. Esse espetáculo está representando muito além do que apenas um musical, está representando uma região e uma expressão artística de todos esses jovens que vão estar participando. E, para mim, que ajudei a escrever o roteiro, é realmente significativo perceber que o roteiro está funcionando e que está dando tudo certo. E que o pessoal está se empenhando para ficar superlegal. Os convidados vão adorar, eu tenho certeza disso”.

É o que diz Jhemerson Edmundo Alonso Alves. Além de estudar violão, o jovem de 18 anos é monitor de percussão e teclado, integra a Orquestra Jovem de MS, o Coral do Sesc Lageado e a Banda Ecoar. Todos os projetos são desenvolvidos na unidade do Sesc da Rua João Selingardi, nº 483, no Parque do Lageado.

“Vou atuar na percussão da orquestra, mas, nas músicas em que haverá formação de banda, eu vou estar também. Além disso, como disse, eu ajudei também a escrever o roteiro junto com a professora Keyla [Brito]. Então, para mim, esse espetáculo significa muito na vida artística e na minha realização pessoal também, por ver esses jovens atuando, se dedicando, tocando muito as muitas músicas maravilhosas da Disney de Orlando”, exalta o multi-instrumentista.

PRINCESA

Quem também é só empolgação com a estreia de “Cadê Meu Chapéu?” é Iasmin Lorayne Gonçalves Prates da Silva. Ela tem 15 anos de idade e há oito anos é aluna do Sesc Lageado, onde estuda canto coral, violino e teclado. “Já fiz aula de balé e flauta doce também, e hoje permaneço nesses três cursos”, conta a jovem artista. “A sensação de poder estar participando desse musical é de ansiedade, muita ansiedade”, declara.

“Mas de gratidão também, porque é muito gratificante ver o trabalho que a gente construiu o ano inteiro sendo desenvolvido nesse musical. É um sentimento de gratidão, felicidade, e é muito bom poder fazer parte disso”, diz Iasmin, que é quase xará de uma das personagens a quem vai dar vida no palco do Dom Bosco.
“Vou fazer o papel da [Princesa] Jasmine com o Aladdin. Vou fazer também o papel da Elsa [de ‘Frozen’].

Vou atuar e cantar também nos papéis de que eu gosto e vai ser incrível. Já participei de outros musicais também no Sesc e acredito que o deste ano vai ser um dos melhores. A sensação e o sentimento com que estou hoje é de gratidão e felicidade, porque sei que todos os alunos trabalharam bastante para que esse musical aconteça. Vai ser muito bom”, afirma a veterana das turmas de arte do Sesc.

EXPECTATIVA

Com 20 anos de idade, e há sete participando das turmas do espaço cultural, Herickson Moacyr Rodrigues Festi estuda atualmente violão, contrabaixo acústico e canto avançado. “Participo também do LabMais, faço parte do projeto de monitoria”, afirma Herickson, que também fala sobre a ansiedade ante a estreia da nova montagem.

“Estou com uma grande expectativa, porque, diferente da maioria dos outros espetáculos que nós já tivemos no Sesc, esse vai ser basicamente quase um espetáculo por inteiro criado por alunos, com a ajuda dos professores e tudo mais. Em cena, vou estar participando da orquestra. Eu toco contrabaixo acústico e estarei, tanto com o contrabaixo acústico quanto com o contrabaixo elétrico, nas músicas cantadas e nas que serão somente instrumentais”, diz.

SINTONIA

“O Sesc Lageado se mantém sintonizado com as tendências culturais e tecnológicas ao incorporar performances audiovisuais, arte digital e sound design em seu espetáculo anual. Essa fusão de tecnologia e arte é uma maneira de responder à demanda por experiências inovadoras e cativantes, ao mesmo tempo que oferece aos alunos a oportunidade de explorar novas formas de expressão”, afirma a diretora do Sesc Lageado, Cirlene Cruz.

A diretora regional do Sesc-MS, Regina Ferro, ressalta que, para além da arte, o espetáculo anual do Sesc Lageado alinha-se diretamente com vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Segundo Regina, a unidade proporciona empoderamento dos jovens por meio de cursos e treinamentos, contribuindo para a educação de qualidade e para a redução das desigualdades. 

“Além disso, ao promover uma cultura inclusiva e participativa, a unidade apoia as metas de cidades e comunidades sustentáveis”, completa.

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Lançamento B+: Jornalista lança primeiro planner emocional para superação do divórcio

Em segundo livro sobre separação jornalista ouve especialistas em obra que tem prefácio de Rafael Cortez e renda revertida ao GRAACC

24/02/2024 14h30

Jornalista lança primeiro planner emocional para superação do divórcio Foto: Divulgação

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Depois de lançar o primeiro livro sobre separação no Programa do Jô em 2009, a jornalista Renata Rode retomou sua pesquisa e assim nasceu “Todo Mundo Erra”, uma obra construída a várias mãos porque a autora ouviu especialistas de áreas distintas para confeccionar o primeiro planner emocional integrativo pós-rompimento produzido pela Editora Leader.

Desta vez, a pesquisadora nata retoma o tema tendo com ainda mais propriedade e força, já que muitos casais e sociedades se desfizeram após a pandemia. “Uni os dois anos de pesquisa e mais de cem entrevistas com pessoas separadas (tanto homens quanto mulheres) a estudos de especialistas renomados, de neurocientistas a terapeutas, de sexólogos a especialistas em comportamento, resultando em uma leitura leve, relevante e informativa, com exercícios práticos ao fim de cada capítulo que vão trazer um novo significado a essa fase difícil, afinal, todo mundo erra e é preciso aprender com os erros para evoluir. Se parar pra pensar, até tropeço leva a gente pra frente”, relata.

Na verdade, a publicação não se destina somente a pessoas separadas. “Quando separamos vivenciamos um luto, porém isso também acontece com outras coisas na vida, como quando trocamos de carreira, quando mudamos de cidade ou passamos por uma dificuldade tremenda e temos que, de alguma forma, recomeçar”, indica a autora. 

Para Andréia Roma, CEO da Editora Leader que atua com todos os gêneros literários, “Todo Mundo Erra” integrará o Selo Editorial Série Mulheres, idealizado a uma década pela Editora Leader, registrado em mais de 170 países, em um formato completamente exclusivo.

“Nossas obras que têm como foco transformar histórias reais em autobiografias inspiracionais, cases e metodologias de mulheres que se diferenciam em sua área de atuação. Acreditamos que com nossa experiência na publicação de obras que resultam de pesquisas aprofundadas sobre cada temática, com a participação de especialistas, fazemos da leitura algo relevante, com uma linguagem clara e objetiva, de forma que nossos leitores possam ter um salto em seu desenvolvimento por meio dos ensinamentos práticos e teóricos que nossas publicações oferecem”.

                                  Foto: Divulgação

Com prefácio do jornalista, artista, humorista, apresentador, comunicador e palestrante Rafael Cortez, é leitura obrigatória não só para separados, mas sim para todos aqueles apaixonados por autoconhecimento, humor, evolução e informação, assim como Renata, que insiste em dizer: “No final de tudo, o que importa é ser feliz e ninguém aprende pra valer, se não errar”.

O livro tem parte da renda revertida ao GRAACC, instituição que a autora ajuda por meio de eventos e network há mais de 20 anos. “Meu propósito é, com minha escrita, ajudar pessoas, de toda forma possível. O livro nasceu assim: da necessidade de apoio em momentos difíceis e na busca pelo autoconhecimento. Em parceria com a Editora Leader, pude realizar o sonho de transformar minha experiência em realidade e doar os direitos autorais em prol do combate ao câncer”, finaliza.

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Cinema B+: Filmes e séries que acertam (e que erram) nas surpresas

Game of Thrones? Peaky Blinders? Sexto Sentido? Os Outros? White Lotus? Quem acertou ou quem errou?

24/02/2024 12h30

Filmes e séries que acertam (e que erram) nas surpresas Foto: Divulgação

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Uma história que nos surpreende é fascinante, mas ela precisa fluir perfeitamente para quando o roteirista puxar o tapete a gente caia rindo e gostando da queda. Porque “surpreender” é um desafio, mas um que infelizmente muitos colocam à frente de contar uma boa história. Há pegadinhas, há boas surpresas e há simplesmente mesquinharia. Sabe como identificamos? Vou dar o meu palpite.

Agatha Christie: a rainha das pegadinhas

Todo conteúdo de ‘quem matou’ é um pouco de pegadinha, seguindo a escola de sua maior autora: Agatha Christie. O assassino em geral é quem a gente menos espera e precisa ter um detetive explicando o que houve. Ou o culpado confessando para fazer sentido.

Embora pareça ‘fácil’, não é. E não estou falando identificar o culpado, mas sim nos fazer acompanhar a história sem pescar as dicas. Se não souber brincar com a percepção da plateia, a história fica no vazio. Morte e Outros Detalhes, da Starplus, é um dos exemplos nos quais estamos no sexto episódio e já mudaram seis vezes o suspeito. A essa altura, o que importa? Só torcemos para o cruzeiro acabar.

Aqui vão cinco BONS exemplos de surpresa, entre recentes e antigos:

1- O Sexto Sentido

Eu só matei a surpresa porque me falaram que era completamente inesperada então inverti a expectativa. É bem amarrada, e clara desde o início, se você ousasse justamente pensar no pior.


2- Os Suspeitos

Quem é Keyser Söze? Também matei a charada, mas pela mesma razão de O Sexto Sentido. O roteiro é perfeito para despistar e nos fazer levar um susto com a verdade.


3- Only Murders in the Building

Sou a especialista de quebra-cabeças, acertei em cheio na temporada 1 (uma das melhores) e passei perto nas outras. Inteligente, cheio de dicas e ainda assim, sempre com surpresas.


4- The After Party (1ª temporada)

A primeira temporada é o que há de perfeição. Usei a estratégia Agatha Christie e saquei o culpado meio rapidamente, mas de novo, porque sou chata. É sensacional.


5 – The White Lotus

Todo sucesso da série é justificado por nos engajar a quebrar a cabeça e nos entregar uma conclusão inesperada. A 3ª temporada começa a gravar agora, duvido que perca a qualidade!


Também peguei cinco exemplos ruins mais recentes para reforçar meu ponto de vista.

Em todas as séries abaixo, a história se arrasta e desafia nosso engajamento. Como nos fazem acreditar em uma coisa apenas para jogar no lixo e mostrar outra no episódio seguinte, parece que estamos com tempo disponível para desperdiçar e jogar fora.


Uma coisa é tentar decifrar o mistério, outra é sacar que não importa quanto a gente se esforce, o roteirista vai inventar qualquer coisa ou suspeito apenas para nos desafiar. Não é questão de “se deixar levar”, é desistir de tentar acompanhar, um perigo enorme se quem conta a história é ‘mesquinho’ e quer ter a palavra final, mesmo que não faça sentido.


1- Morte e Outros Detalhes, Starplus

2- Assassinato no Fim do Mundo, Starplus

3- True Detective Terra Noturna, MAX

4- The After Party (2ª temporada), Apple TV Plus

5- O Jogo do Disfarce, MAX

A fórmula de filmes Noir: todos os detalhes e nomes importam


Todos gostamos de surpresa, mas não de sermos deliberadamente feitos de tolos. Se em uma série de seis episódios parece que ‘revelam’ o culpado no 4º, não é culpa sua de errar o culpado. Na verdade, tiraram 4 horas da sua vida para que você se sinta um idiota no final das próximas duas.


É importante ressaltar que não é o que Agatha Christie fazia e que alguns roteiristas pegaram a manha: ela nos distrai, até nos induz a pensar uma coisa, mas quando vem o momento da confissão, a gente ri porque ela faz sentido.


Já em filmes noir demanda um pouco mais de atenção. Em geral começamos a história com uma informação crucial e voltamos no tempo para contextualiza-la, sendo que, em geral, ainda vem uma supresa maior na conclusão. Daí é preciso estar ligada em todo e qualquer nome citado ao longo do tempo pois nenhuma informação é irrelevante. Alguns bons exemplos:

1- Slow Horses, Apple TV Plus

Todas as dicas que precisamos para acompanhar Jackson Lamb (Gary Oldman) é prestar atenção no que ele ‘não diz’, e nas reações de Diana Tarvener (Kristin Scott-Thomas), no jogo de gato e rato que sacrifica boas pessoas (e outras nem tanto).


2- Sequestro no Ar, Apple TV Plus

A série com Idris Elba deu tantas voltas que quaaase errou na mão, mas parou com o suficiente para nos engajar na segunda parte, onde já sabemos o culpado e como, mas ainda não temos certeza como a história acaba. Perfeito!


3- Pacto de Sangue (Double Indemnity)

Se passaram nada menos do que 80 anos desde seu lançamento e esse ainda é um filme perfeito, contato em flashback e clássico dos clássicos do estilo noir.


Claro, a mulher é tida como ‘fatal’ por causa da personagem de Barbara Stanwyck, um homem mandar a mulher “calar a boca” ainda era tido como sexy, mas há muitos elementos importantes na narrativa e na construção de Pacto de Sangue que é possível mantê-lo na lista de “Imperdível”.


4- Chinatown

Chinatown é obrigatório, mas, se você ainda não viu e quando chegar ao final ficar com uma sensação de que ‘não gostei’, está tudo bem. Quem ama o filme é mais por conta da surpresa inacreditável de uma trama extremamente confusa, porém amarrada.


5- Cidadão Kane

O brilhantismo do filme de Orson Welles é pauta de teses de mestrado há mais de 80 anos, merecidamente. Está na lista não por conta de assassinatos, mas porque o mistério é simples.
 

Um repórter quer entender as últimas palavras de um milionário excêntrico e revemos toda sua vida atrás de pistas. Quando descobrimos o que significava “Rosebud” é uma surpresa emocionante e até hoje um exemplo perfeito de como se cria uma história inteligente, como seria impossível adivinhar, mas que nenhum segundo que vimos nos faz sentir que perdemos tempo. Perfeito!

Reveter expectativas: só se fizer sentido


O roteirista sempre terá controle da narrativa, mas esse Poder demanda talento. Se sabe nos conduzir em uma estrada cheia de curvas, ladeiras e obstáculos, quando chegamos para a bandeirada final a surpresa só é bem vinda quando nos completa algo. O que já repeti umas mil vezes nesse post.


Além de O Sexto Sentido e Os Suspeitos, são poucos que conseguem dar a volta de 180º sem nos irritar, e são filmes como Os Outros (na escola e contemporâneo de O Sexto Sentido) e um dos anos 1980s que recomendo devorar: Sem Saída (No Way Out).


Em ambos todos os detalhes que precisamos saber ou perceber são oferecidos desde o início, ainda mais do que Os Suspeitos e O Sexto Sentido, que meio que escondem e nos confundem deliberadamente (ainda que com inteligência).


Em ambos, se usar o aprendizado de Agatha Christie (é sempre quem menos esperamos) com a fórmula noir (todos os detalhes importam), sacamos a verdade, mas é tão fora da caixa que negamos, até que temos que admitir e entregar ao roteirista seu reconhecimento de grande contador de histórias.

Lost, Sopranos e Game of Thrones: a revolta dos fãs


Quando estreou uma narrativa não linear, mesclando drama com ação e mistério, Lost virou uma febre mundial. Tinha os flashbacks, o mistério de quem eram os passageiros ‘azarados’, o que tinha na Ilha e como sairiam dali.


Vieram os flashforwards, mas trocas no elenco e uma trama tão complexa que a conclusão ’espiritual’ cometeu o erro que já mencionei: fez o público achar que perdeu tempo, a jornada não compensou a entrega.


Porém Game of Thrones conseguiu ir além da polêmica quando o autor George R. R. Martin estava com nada menos do que cinco livros à frente da série e chegou em 2024, seis anos depois que GOT saiu do ar, sem sinal de que um dia vai concluir a saga.


Os showrunners David Benioff e Dan Weiss ganharam notoriedade, prêmios e elogios enquanto tinham o material de Martin como base (e sobra), mas, com os prazos da HBO e compromissos profissionais deles, a partir da 6ª temporada passaram a usar a linha básica do argumento do autor para o final e tiveram total liberdade para conduzissem como quisessem a história que é o maior fenômeno pop da última década.

Foto: Divulgação


Onde D&D erraram? Muitos apontam muitos detalhes, mas o principal deles (a conclusão da trama de Daenerys (Emilia Clarke)) estava anunciada para quem estivesse prestando atenção e ela fazia parte da fórmula de Martin: reverter as expectativas.


Eu odeio esse conceito porque ele é pura pegadinha. Ou pode ser. No caso de Game of Thrones, a proposta do escritor era a de mostrar que 1) os vencedores dominam a narrativa e que 2) o herói é o vilão para o outro lado. Em nenhum momento, Daenerys – a heroína clássica – terminaria seus dias resgatando o Trono de Ferro sem estar comprometida com a corrupção do Poder. Nós acompanhamos a jornada de uma vilã complexa e empática, isso é uma boa história!


Em geral, a surpresa constante de Game of Thrones não estava nunca em nos surpreender com o desconhecido, mas nos chocar com o improvável. Tipo, começarmos a história com Ned Stark (Sean Bean) sendo nosso herói, mas ele morrer a um episódio do fim. Em seguida, torcermos pelo filho dele, Rob Stark (Richard Madden) para vê-lo traído e massacrado na 4ª temporada. Tampouco a fórmula era “matar qualquer um”: era ser implacável com as consequências plausíveis.


Quando coube à D&D a seguir com isso, eles ficaram preocupados em puxar nosso tapete, em nos dar um medo de perder Jon Snow (Kit Harington) para ressuscitá-lo apenas no 3º episódio da temporada seguinte de seu assassinato. No embate entre vivos e mortos, apenas os que já tinham o arco completo morreram, quase não deu medo como tivemos na Batalha dos Bastardos ou Hardhome. Pior ainda, as entregas mais esperadas dos fãs por 8 anos (Arya matando Cersei, Jon matando o Night King) foram invertidas apenas pela graça de, sim, “reverter expectativas”.


A primeira pergunta é por que inverter a expectativa? A surpresa claramente não era o que queriam depois de sete anos esperando essas duas coisas (a de ver Bran incorporando o Dragão era outra, mas poderia passar como passou sem e engolimos).


Ser mesquinho, não entregar o que se espera porque pode negar esse prazer, fez de GOT um dos melhores exemplos de uma conclusão desastrada de um fenômeno. A tela preta de Família Soprano não chega aos pés de problemática. Se quiser que Tony Soprano (James Gandolfini) tenha sobrevivido é uma opção, mas se tiver seguido a fórmula noir sabe que a morte dele foi explicada e anunciada várias vezes antes: foi simplesmente brilhante.

Peaky Blinders caiu na armadilha de surpresas e Vikings ensaiou um GOT


Sou apaixonada por Peaky Blinders e Vikings também, mas ambos sucessos também passaram por algumas bolas fora.

Vikings, menos, mas um tanto inconsistente ao traçar a rendenção de Ivar the Boneless (Alex Høgh Andersen) e, ao fim, tirar sua vida nas mãos de um soldado qualquer. Foi como Arya Stark (Maisie Williams) tivesse ensinado o erro ao matar o Night King em vez de Jon Snow. Ivar tinha que morrer de forma menos grandiosa, fora da batalha, em algo trivial. Tampouco tinha que mostrar um medo da Morte: ele foi educado a vida toda para encarar de frente o caminho para Valhalla.


Claro, o medo e as lágrimas eram para humanizá-lo, um soldado qualquer era para tirar sua importância e foi mais um suicídio do que derrota, mas ainda assim: preferia que tivesse sido Alfred (Ferdia Walsh-Peelo) ou um acidente doméstico.


A morte de Lagherta (Katheryn Winnick) pelas mãos de Hvitserk (Marco Ilsø) em vez de Ivar também soou meio Arya Stark. Mas perto de GOT, Vikings foi perfeita.

Foto: Divulgação


Já Peaky Blinders apostou nas fórmulas de pegadinha ao longo dos vários anos. Sempre que acreditávamos que Tommy Shelby (Cillian Murphy) tinha se dado mal, era sempre parte do plano dele e não era nada do que estávamos esperando. Algumas vezes, eram, mas raramente.

Infelizmente para a série a saúde da atriz Helen McCrory atrapalhou o que seria a principal conclusão do drama dos Shelbys: Polly Gray teria que escolher entre o filho Michael Gray (Finn Cole) e o sobrinho Tommy, prometendo um fim poderoso para a série.

Com a morte prematura da atriz, a personagem morreu fora de cena, em uma sequência de fatos que tiveram seu peso, mas que perderam a mágica. Tommy conseguiu se livrar dos inimigos, mas perdeu sua esposa que desistiu dele e sua filha querida. Um homem novamente quebrado, mas vivo!!! Sim, teremos o filme e Cillian Murphy – com Oscar ou não – diz que volta ao universo de Peaky Blinders. Será mesmo?

Portanto, fica aqui a dica: mais do que talento do roteirista, dependemos mais da generosidade dos showrunners ao nos contar uma história. Se eles quiserem priorizar uma boa trama, vão acertar na surpresa, não há dúvida. Mas, se deixarem os egos falarem mais alto e quiserem “mostrar quem é que manda”, em geral, derrapam.

Você tem uma série ou filme que ache que acertou ou errou e que não mencionei? Aposto que sim!

Foto: Divulgação

 

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