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LITERATURA

Com a pandemia, escritores depositam criatividade em obras para o futuro

Editoras investem na internet
12/05/2020 07:00 - Naiane Mesquita


 

O segundo prêmio que P. J. Maia recebeu pelo livro “Espírito Perdido” veio em uma época conturbada para a humanidade. Em plena pandemia, o escritor campo-grandense conquistou o reconhecimento de Melhor Livro de Fantasia, no Independent Press Award, de Nova York, uma competição da indústria literária que reúne diversos profissionais. Em isolamento na cidade de São Paulo, onde trabalha atualmente, Maia celebra os frutos e aproveita o período solitário para produzir mais.  

“Este foi meu segundo prêmio. O primeiro foi em um festival de Londres, para leitores adolescentes”, explica Maia. O autor lançou sua primeira obra com os olhos no mercado global de literatura fantástica. Originalmente escrito em inglês com o título “The Missing Spirit”, o livro foi publicado no primeiro semestre de 2019 na Amazon, em versão impressa e e-Book. Logo depois, chegou às livrarias brasileiras a versão em português, traduzida por Robson Falcheti Peixoto e com a arte da capa criada pelo ilustrador argentino Nico Lassalle. Para fechar, a obra ainda tem uma versão em audiobook, narrado por Ana Maria Morais.  

A história se passa em uma era remota, quando o planeta Terra era povoado por homens das cavernas e seres divinos. É nesta pré-história mística que conhecemos Keana, uma refugiada humana criada longe de sua tribo. No reino fugaz de Divagar, deuses e deusas desfrutam de luxo e vida eterna, às custas dos humanos comuns. Não conhecem fome, perigo ou morte, trancafiados em um paraíso ensolarado. Em uma tentativa desesperada de se tornar divina e ser finalmente igual aos demais, Keana burla todas as regras e acaba trazendo a morte para o reino. Ameaçados com a perda de seus privilégios, os deuses percebem que precisarão fazer sacrifícios para permanecerem imortais e no controle da Terra. Mesmo que o sacrifício seja a vida da garota.

Apesar de o livro ter começo, meio e fim, a história é suficiente para resultar em outros volumes. “Neste momento agora, por conta do isolamento, estou trabalhando em casa e acabei com mais tempo para pode escrever. Iniciei um estudo para o próximo livro, com possíveis tramas, e estou relendo a história, porque mesmo que eu tenha escrito a gente acaba esquecendo mesmo”, explica.  

Produtor audiovisual, o escritor está em casa na cidade de São Paulo, onde reside, se dedicando ao livro e aos roteiros das produções. Apesar de o livro ter sido lançado de forma totalmente independente, Maia acredita que, assim como ele, outros escritores estão refletindo e se dedicando à arte. “A impressão que eu tenho é de que esse tempo propicia, para quem pode ficar em casa, uma oportunidade para sentar e escrever. Eu acho que tem muito livro sendo produzido durante esse período de isolamento, escrever não deixa de ser uma forma de colocar para fora o que estamos sentindo. Esse é um período de várias ideias e sensações”, acredita Maia.

 
 

Dificuldades

O autor de quadrinhos e artista visual Fábio Quill sofreu o baque da pandemia em relação aos investimentos para a sua produção. Mas, em compensação, tem mantido as criações, mesmo durante o isolamento.  “Moro em Campo Grande há uns dois anos e meio. Sou infiltrado, paulistano. É um pouco complicado falar sobre isso, porque tenho um edital de financiamento para receber e que ainda não saiu. Mesmo assim, tenho continuado na minha profissão para não enlouquecer. Participei de um concurso do Itaú Cultural, por exemplo, e também tenho compartilhado produções com outros autores, como a Patrícia Galelli, de Santa Catarina”, explica Quill.

Ambos foram selecionados para integrar o Sesc Arte da Palavra, que iria ocorrer em vários estados brasileiros. “A proposta era que nós viajássemos para várias unidades do Sesc, mas, por conta do coronavírus, isso não vai acontecer tão cedo. Então, estamos trabalhando com um projeto como se a gente tivesse ido para esses lugares. São duas pessoas escrevendo a distância, isso diminui um pouco o tempo solitário, sem o contato social”, ressalta o escritor.  

Com um livro lançado recentemente, “Amálgama”, Quill também é escritor independente e sofreu com a perda de espaço durante o coronavírus. “Eu lancei meu novo livro no ano passado. Oficialmente, fui para a rua no começo do ano e o último evento foi um pouco antes da pandemia. Eu vendo muito em eventos, de mão em mão, e não dá para fazer isso atualmente. Como o livro está em lojas independentes, nem sempre as pessoas compram”, explica.  

Mercado

O mercado de livros sofreu com as vendas físicas, mas, pela internet, o isolamento até contribuiu para a disseminação de obras sul-mato-grossenses. “A venda mudou um pouco. Antes, as vendas eram mais pelas livrarias, agora estão mais focadas na internet. Só mudou um pouco a forma como a pessoa está comprando. Normalmente, as vendas cairiam após o Carnaval, e eu senti que elas cresceram. Acredito que esse período de pandemia, em casa, as pessoas têm procurado a leitura como uma forma de passar o tempo e de enriquecer o conhecimento”, acredita Valter Jeronymo, proprietário da Life Editora.  

Valter explica que também tem recebido informações de escritores que estão produzindo mais. “O que eu senti é que está sendo um período de grande produção. Muita gente que estava com o livro parado e não conseguia terminar está entrando em contato para dizer que finalizou. Novos autores também estão surgindo nesse período, eles acabaram escrevendo sobre o que estava acontecendo, sobre a pandemia, é um momento de grande produtividade”, frisa.  

Felpuda


Ex-cabecinha coroada anda dizendo por aí ser o responsável por vários projetos para Campo Grande, executados posteriormente por sucessor. 

Ao fim de seus comentários, faz alerta para que o eleitor analise atentamente de como surgiram tais obras e arremata afirmando que não foi “como pó mágico de alguma boa fada madrinha. 

Houve muito suor nos corredores de Brasília”. Então, tá!...