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CAMPO GRANDE 121 ANOS

Sem público e com eventos cancelados, a cultura precisou se adaptar na pandemia

Shows, sessões de cinema, apresentações literárias e espetáculos teatrais foram cancelados, mas a reinvenção faz parte da essência da arte
26/08/2020 15:00 - Súzan Benites


Com o isolamento social imposto à sociedade, shows musicais, espetáculos teatrais, sessões de cinema, apresentações literárias e toda manifestação artística foi cancelada. 

Mas o artista por si só é uma criatura inquieta e que vive em constante transformação. 

Os representantes da cultura campo-grandense, não diferentemente, adaptaram-se, transformaram-se e levam para os próximos meses e anos as experiências adquiridas nos momentos enfrentados no presente.

Musicista, escritora e imortal pela Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL/MS), a campo-grandense Lenilde Ramos afirma que as pessoas não vão deixar de produzir cultura, porque isso é natural do ser humano. 

“Nossa cultura de hoje é o resultado do que consumimos ontem. E o que consumimos hoje será nossa cultura de amanhã. O grande Stephen Hawking dizia que, ‘inteligência é a capacidade de se adaptar à mudança’. E como a vida dele mudou, mas nem por isso ele deixou de realizar suas coisas", disse.

"Desde que fiz 60 anos, minha vida deu sinal de uma mudança irreversível, a velhice. Hoje estou perto dos 70 e, durante esse tempo, venho me adaptando ao meu novo momento. Antes eu tocava sanfona e dançava; hoje eu toco sanfona sentada. O momento me pede compreensão, paciência e criatividade. Fico feliz em ter hoje a profissão de escritora, que é um trabalho que faço em casa. Nesse período de quarentena, escrevi um livro de quase 300 páginas”, contou a artista.

Para Lenilde, a palavra-chave é promover o próprio trabalho e ter um olhar mais empreendedor. “Tem que agir como um empresário, tem que aprender a vender seu peixe. 

De outro lado, uma política pública inteligente é aquela que vê potencial na cultura e investe nela como produto de evolução cultural de sua cidade. 

Arte e cultura não são apenas lazer e entretenimento, são fontes de renda. Então espero que o pós-pandemia tenha mais essa visão empresarial da arte”, destacou.

 
 

Tecnologia

Assim como em muitos outros setores, a tecnologia foi a solução para manter a produção cultural na ativa. 

A produtora-executiva do grupo Circo do Mato, Laila Pulchério, ressalta que mais do que nunca os benefícios da tecnologia é que mantêm o grupo conectado.

“Fazemos nossas reuniões, leituras e discussões sobre novas montagens adaptados à nova realidade”, disse a produtora, que ainda ressaltou que a tecnologia deve permanecer por um período na vida dos grupos, mas que o teatro sobrevive com a presença do público.

“Aos poucos estaremos mais confiantes e necessitados de contato presencial, especialmente com a arte, a presença do público é insubstituível. Temos que acreditar em dias melhores. Apesar de difícil, essa fase é transformadora e de ensinamentos. É a hora de toda população rever seus valores e prioridades. A arte é um alento para tudo isso, para quem produz e consome”, enfatizou Laila.

A atriz e diretora do Grupo Casa, Lígia Pietro, diz que hoje a tecnologia tem sido aliada para continuar produzindo. 

“Os trabalhos que eu já fazia antes agora faço tudo on-line. As aulas, construções dos espetáculos, foram tudo para o computador. Eu acho que a necessidade de se manter é que movimentou o setor. Eu não tenho outra fonte de renda, meu trabalho é com arte, é com teatro”.

Para a artista, a principal estratégia foi entender o que o momento permite, não negar os problemas e olhar para frente e ver possibilidades. 

“Acredito que as ferramentas virtuais vão permanecer, a gente demorou para se entregar às redes sociais, mas tudo tem seus pontos positivos. Com essas ferramentas, conseguimos ter vínculo com o mundo inteiro sem sair de casa. Eu desejo que isso continue; eu consigo assistir coisas da França na minha casa e isso é grandioso”, salientou.

Nova realidade

O futuro da cultura em Campo Grande é desafiador, mas as artistas creem que, como sempre, a arte permanecerá em movimento e se transformando.

“Penso que é o novo normal que exige uma atitude lúcida. Daqui pra frente temos que provar até onde podemos ser inteligentes, resilientes, criativos e que tipo de sobreviventes podemos ser”, finalizou Lenilde.

Laila diz que é preciso que os poderes público e privado tenham um olhar especial para o setor, contribuindo para a classe artística ter melhores condições de criar.

“Será difícil no começo, mas, como seres humanos, vamos rapidamente nos adaptar e criar formas inovadoras. Já estamos trabalhando para novas formas de apresentar nosso fazer artístico”.

Para Lígia, é preciso que a sociedade perceba que a arte é fundamental. Que em momentos de isolamento o que entretêm as pessoas são os filmes, músicas e livros. 

“Os artistas estão encontrando formas de lidar com o próprio trabalho. Acho que vamos entender que a arte e o teatro existem em todos os lugares, que eu não preciso exatamente de um lugar. A gente resiste, insiste e segue fazendo o que sabe fazer”, finalizou.

 

Felpuda


Figurinha está trabalhando intensamente para tentar eleger a esposa como prefeita de município do interior.

Até aí, uma iniciativa elogiável. Uns e outros, porém, têm dito por aí que seria de bom tom ele não ensinar a ela, caso seja eleita, como tentar fraudar folha de frequência de servidores. 

Afinal, assim como ele foi flagrado em conversa a respeito com outro colega, não seria nada recomendável e poderia trazer sérias consequências. Só!