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CULTURA

Com trabalhos reduzidos, artistas criam vaquinha, vendem brigadeiro e investem nas aulas on-line

Artistas estão entre os profissionais que mais sofreram com os impactos do novo coronavírus
01/07/2020 07:00 - Naiane Mesquita


 

Os artistas estão entre os profissionais que mais sofreram com os impactos do novo coronavírus no cotidiano. O fechamento de bares e restaurantes – posteriormente reabertos com limite de capacidade –, o cancelamento de grandes eventos e as restrições quanto a aglomerações tornaram as apresentações rentáveis suspensas durante meses.  

Por mais que editais de auxílio do governo do estado de Mato Grosso do Sul e da Prefeitura Municipal de Campo Grande tenham sido lançados durante a pandemia, nem todos os artistas conseguem se encaixar nos pré-requisitos para a obtenção do dinheiro.  

Para sobreviver, o jeito foi investir na solidariedade e na criatividade, com iniciativas diferentes e inovadoras.  

A banda de rock On The Road, por exemplo, antes da pandemia era figurinha carimbada de diversas casas de shows da cidade. Com as mudanças impostas pela luta contra a disseminação do coronavírus, investiu com tudo na internet e até na venda de brigadeiro gourmet.  

“Nós vivemos exclusivamente da música. Nesse momento contamos com várias pessoas, apoiadores da banda, que nos ajudaram muito [desde] muito antes da pandemia. Vendemos vários itens, como se fosse uma loja virtual da banda. No caso, brigadeiro, camisetas, buttons e chaveiros, que viraram a nossa fonte principal de renda”, explica Rafael Barros, 26 anos, vocalista da banda.  

Quando as medidas foram endurecidas e os shows cancelados de vez, a banda contou com a ajuda de parceiros para se manter, desde a mãe de Rafael, que produz os brigadeiros, até uma amiga que vendeu no trabalho. “Uma pessoa muito especial pra nós, chamada Gislane, que é profissional da saúde e não teve condições de parar de trabalhar, foi a primeira que chegou e ofereceu de vender os brigadeiros no hospital onde trabalha. Ela conseguiu, sozinha, praticamente ajudar toda a equipe da banda, vendendo e sem receber nada em troca. Somos muito gratos a tudo que ela faz por nós”, explica.  

Além dos brigadeiros gourmet, a banda investiu nas lives, com direito a apresentação no terraço de um prédio.  

“Sentimos que esse é o momento de reflexão e de desacelerar, mas principalmente de reinventar. Contudo, temos a certeza de que tudo que fazemos são medidas paliativas para amenizar o impacto financeiro que sofremos. O mais importante disso foi conseguirmos nos conectar ao nosso público e, principalmente, trazer um pouco de música para todos nesse momento que a gente precisa de alegria”, acredita Rafael.  

Agora, com a liberação da prefeitura para apresentações com número reduzido de músicos, o trio conseguiu encontrar uma forma de levar a banda até o público sem desrespeitar o isolamento social e as regras sanitárias. “Quando o prefeito liberou o decreto para tocar com apenas um músico no palco, tivemos a ideia do On The Road Conecte, em que eu vou, presencialmente e sozinho, no palco e a banda me acompanha de casa, sendo transmitida pelo telão”, conta.  

A experiência já rendeu uma agenda de shows: no dia 25 de junho, tocaram no Blues Bar; neste sábado, tocarão na Barbershop Ghuzerá; e domingo, na Rota Acústica. 

 
 

Aulas on-line

Com uma canção recém-lançada, “Vício Desmedido”, o músico Ton Alves, 32 anos, também não parou durante o isolamento social. Além de investir na divulgação do trabalho virtualmente, o músico entrou de vez no ramo das aulas on-line. “Eu mesclava as aulas com as minhas apresentações dentro e fora do Estado. Com a Covid-19, a nossa realidade mudou e tivemos de nos adaptar. Comecei a me dedicar integralmente às aulas e a me enquadrar no novo modelo de lecionar, aulas on-line. Atualmente estou quase sem horários. Ainda bem!”, celebra Ton.  

No entanto, o músico explica que o início foi bem difícil. “Sofri muito para captar mais alunos e meu orçamento caiu em 50%. Infelizmente nem todos os meus colegas tiveram a mesma sorte. Muitos estão passando por dificuldades, já que tocar na noite era a sua única fonte de renda”, conta.  

Vaquinha

O grupo Circo do Mato, que tem 15 anos de trajetória em Mato Grosso do Sul, também passou por dificuldades neste período de quarentena e, para ajudar nas contas básicas, como água, luz, telefone e aluguel do espaço, decidiram lançar uma vaquinha virtual. “A classe artística já vem sofrendo com problemas financeiros há algum tempo. Nunca foi fácil, na verdade, mas foi ficando cada vez mais e mais difícil”, explica a produtora cultural do grupo, Laila Pulchério.  

Na vaquinha virtual, o grupo pediu R$ 9 mil e, até agora, arrecadou R$ 7.875. “No início resistimos bastante a realizar a vaquinha. Tentamos outras alternativas, mas acabou dando supercerto. É uma alegria imensa poder contar com o reconhecimento e o auxílio de tantas pessoas”, acredita Laila.

Quem quiser contribuir, o link da vaquinha é https://www.vakinha.com.br/vaquinha/solidariedade-circo-do-mato.

 
 

Felpuda


Nos bastidores, há quem garanta que a única salvação, de quem está com a corda no pescoço, é ele aceitar ser candidato a vice-prefeito em chapa de novato no partido. Vale dizer que isso nunca teria passado por sua cabeça, uma vez que foi eleito com, digamos, “caminhão de votos”. Se aceitar a imposição, pisaria na tábua de salvação; se recusar, poderá perder o mandato. Ah, o poder!