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ÉPOCA DE REFLEXÃO

Isolamento social traz mudanças no comportamento e no modo de ver as dificuldades

No período, população tem descoberto mais sobre si e o mundo
13/04/2020 07:00 - Naiane Mesquita


 

O que aprendemos em tempos difíceis? Na história da sociedade ou nos desafios cotidianos pessoais seres humanos tendem a refletir sobre o processo que vivem e o que foram capazes de aprender nos momentos de crise. Por mais que o isolamento social para combater a Covid-19 não seja exemplar em Mato Grosso do Sul – temos um dos piores índices nacionais –, muita gente ainda se dedica a evitar aglomerações por si mesmo e pelo próximo – nesse processo tem descoberto mais sobre si e o mundo.  

Para a jornalista e empresária Elcilene Holsback, 36 anos, a parte mais difícil do isolamento foi desacelerar. Após passar um fim de semana em São Paulo para ver um show internacional, cancelado de última hora em razão dos casos de coronavírus, ela precisou retornar a Campo Grande e optou pelo autoisolamento. “Mudar minha rotina, que sempre foi bem agitada, e ficar longe dos amigos e família foi difícil. Passei mais de 15 dias sem ver minha mãe e agora vejo pouco, para evitar o risco”, explica.  

Neste processo de ver o mundo apenas pelo quintal de casa e pela tela do celular, as relações humanas ganharam outra dimensão. “Aprendi que a internet é, sim, uma importante ferramenta, mas que nada substitui o contato com pessoas queridas. É um momento de reflexão, independente mente de crença ou religião. Creio que tudo isso está nos mostrando o quanto é importante valorizar as pessoas e a vida. E [devemos] usar isso em benefício do próximo, já que neste momento há muitas pessoas precisando de ajuda”, explica.  

Como o trabalho permitia, todas as funções foram mantidas por home office. “O que ocupa boa parte do tempo”, afirma. Os animais de estimação, a culinária e as flores também foram essenciais para tranquilizar a mente. “Estou aproveitando para curtir meus bichos, que são minhas companhias, arrumar coisas da casa que sempre ficam para depois, assistir séries e cuidar do jardim, que é algo que adoro”, ressalta.

Depois de um tempo, a rotina precisou se adaptar, com pequenas saídas para reuniões de trabalho e visitas ao supermercado. “Falo diariamente com minha mãe por telefone e com os amigos pelo celular – até por chamadas de vídeo –, mas realmente nada substitui a presença das pessoas que amamos. Estou respeitando ao máximo o período. Tenho fé que não vai demorar muito e poderemos ter essas alegrias cotidianas de volta”, acredita.