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LUTO

Morre aos 73 anos vítima da Covid-19, o compositor e escritor Aldir Blanc

Blanc estava internado desde o mês passado em hospital do Rio de Janeiro
04/05/2020 09:16 - Bruna Aquino


Morreu na madrugada desta segunda-feira (4) vítima do novo coronavírus, o compositor e escritor Aldir Blanc aos 73 anos. Ele estava internado em estado grave desde o 10 de abril, no Hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro. 

A filha do compositor estava divulgando informações diárias enquanto o pai estava internado. A esposa de Blanc também chegou a ser internada com sintomas do novo coronavírus.

Considerado um dos maiores compositores da Música Popular Brasileira (MPB), ele compôs "O bêbado e a equilibrista" imortalizada na voz de Elis Regina, "Resposta ao Tempo" e em dupla com João Bosco, seu eterno companheiro, fez canções como “Mestre Sala dos Mares”, “Kid Cavaquinho”, “Nação”, “Tiro de Misericórdia”.

Publicou diversos livros, entre eles "Rua dos Artistas e Arredores" (Ed. Codecri, 1978); "Porta de tinturaria" (1981), "Brasil passado a sujo" (Ed. Geração, 1993); "Vila Isabel - Inventário de infância" (Ed. Relume-Dumará, 1996), e "Um cara bacana na 19ª" (Ed. Record, 1996), com crônicas, contos e desenhos.

TRAJETÓRIA

Aldir Blanc Mendes nasceu no dia 2 de setembro de 1946, no Estácio, mesmo berço dos compositores que, 17 anos antes, haviam formatado o samba como gênero urbano carioca. 

Aos 18 anos, formou o grupo Rio Bossa Trio. Em 1968, conheceu o parceiro Sílvio da Silva Júnior (1947). Dois anos mais tarde, a primeira composição dessa dupla, Amigo É pra Essas Coisas, é gravada pelo conjunto vocal MPB-4. Na mesma época, ao lado de outros compositores, como Ivan Lins, Gonzaguinha e Marco Aurélio, fundou o Movimento Artístico Universitário (MAU), e tornou-se conhecido por criar e integrar associações ligadas à defesa dos direitos autorais. Foi um dos fundadores da Sociedade Musical Brasileira (Sombras) - responsável pela arrecadação de direitos autorais -, da Sociedade de Artistas e Compositores Independentes (Saci) e da Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes (Amar).

Ela, sua composição em parceria com César Costa Filho (1944), foi gravada por Elis Regina (1945-1982), em 1971. No ano seguinte, a cantora gravou Bala com Bala, parceria com João Bosco (1946), e a canção Agnus Sei é lançada no Disco de Bolso, compacto que acompanha o jornal O Pasquim. A intérprete registrou diversos temas de Bosco e Blanc, como O Caçador de Esmeralda, Agnus Sei, Cabaré e Comadre, em 1973.  Em 1974, em outro LP, ela emplacou sucessos da dupla como O Mestre-Sala dos Mares, Caça à Raposa e Dois pra Lá, Dois pra Cá.

 

 
 

Com João Bosco, na década de 1970, Blanc teve algumas canções na trilha de abertura de novelas e séries, como Doces Olheiras (1975), Visconde de Sabugosa (1977), Coração Agreste (1979), Confins (1993), entre outras. 

Em junho de 1979, Elis Regina gravou O Bêbado e a Equilibrista no disco Elis, Essa Mulher. A canção, uma paródia com a estrutura de um samba-enredo e com todas as suas metáforas para falar do período de forte repressão militar, é adotada como o hino da anistia aos presos políticos.

Na década de 1980, os maiores destaques em termos musicais do letrista se dão ao lado de Maurício Tapajós (Querelas do Brasil, Colcha de Retalhos, Universos e Muy Amigos) e Moacyr Luz (Anjo da Velha-Guarda, Aquário, Centro do Coração, Choro das Ondas, Flores em Vida e Gotas de Luz). A partir de 1991, Blanc escreve uma série de composições elogiadas pela crítica após registros em discos do também carioca Guinga (Baião de Lacan, Canibaile, Catavento e Girassol, Vô Alfredo, Choro pro Zé, Chá de Panela, Nem Cais, Nem Barco, O Coco do Coco, Orassamba e Sete Estrelas). Gravou em 1996 o disco Aldir Blanc - 50 Anos, com participação de Edu Lobo (1943), Nei Lopes (1942), Ed Motta (1971), Nana Caymmi (1941), Danilo Caymmi (1948), Leila Pinheiro (1960), Ivan Lins (1945), MPB-4 e Paulinho da Viola (1942).

Em 2005, lançou Vida Noturna e, em 2010, foi convidado pelo jornalista e escritor Ruy Castro (1948) para compor, ao lado de Carlos Lyra (1939), a trilha do musical Era no Tempo do Rei, com direção-geral de João Fonseca (1964) e direção musical de Délia Fischer.


 

Com informações do portal Cultura e Enciclopédia Itau Cultural.

 

Felpuda


Candidato a prefeito em cidade do interior tremeu que só nas bases diante da decisão que tirou a corda do pescoço de adversário, liberando o dito-cujo para disputar a eleição.

Como acreditava que o pleito seria “um passeio”, estava até pensando no modelito que usaria no dia da posse.

Agora, teme nadar, nadar e morrer na beira da praia, deixando o terno pendurado no cabide.