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CRÔNICA

Leia a crônica deste sábado da jornalista Theresa Hilcar, 12 de junho de 2021

A rejeição à máscara de proteção contra a Covid 19 é a mesma que sentimos com a obrigação do cinto de segurança
12/06/2021 13:20 - Theresa Hilcar


Eu vi. Ninguém me contou – é bom que se esclareça. Até porque, a bem da verdade, se tivesse apenas ouvido a história talvez ficasse meio na dúvida. Afinal, estamos vivendo tempos em que os fatos mudam facilmente de versão.  

Era um domingo de manhã, por volta de 09h, horário que me pareceu mais tranquilo e adequado para descer até a mercearia bem na esquina do prédio. Normalmente neste horário não há mesmo ninguém fazendo compras. No centro da cidade esta é uma hora reservada para os fiéis irem à missa.

Portanto, não havia realmente nenhum cliente à vista - respirei aliviada. Mesmo vacinada e munida de duas máscaras (pois é, sou prevenida) evito entrar em locais onde há muita gente. Mas o alívio, no entanto, durou pouco.  

No instante eu que escolhia algumas frutas, indecisa entre ameixas frescas e peras suculentas, percebi a chegada de três pessoas a uma gôndola de distância. Era um casal de meia idade e, logo atrás, mais uma senhora aparentando uns 70 anos.  

Observadora, quase uma fiscal de máscaras pode-se dizer assim, logo notei que dos três recém-chegados apenas uma pessoa usava máscara no lugar adequado. Um deles trazia a dita no queixo e a senhora desacompanhada talvez a trouxesse na bolsa, ou em casa. No rosto, nem pensar!

Como é de lei entrar nos lugares usando o acessório que nos protege da terrível Covid 19, percebi quando um funcionário abordou discretamente a mulher que usava roupas domingueiras, óculos de grife e bolsa idem.  

A discrição, no entanto, não foi recíproca. Logo ouvi os grunhidos raivosos seguidos de declarações tipicamente negacionistas: “Não uso, não preciso e ponto final”. O funcionário tentava explicar que era a lei, corria o risco de o estabelecimento ser multado. “Pode mandar a multa que eu pago”, esbravejou com dedo em riste.