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CRÔNICA

Leia a crônica desta semana de Theresa Hilcar: "Entre os ratos e os homens"

Os ratinhos personagens de histórias e desenhos animados, estão com os dias contados
28/11/2020 07:00 - Theresa Hilcar


Bye bye, Mickey, Minnie e Jerry. Adiós Speedy González. Addio, Topo Gigio. Au revoir, Remy. Lamento dizer, mas os ratinhos personagens de histórias e desenhos animados, que encantaram (e ainda encantam) a infância de muita gente, estão com os dias contados.

Infelizmente eles deram lugar outra espécie de rato que está invadindo o mundo. Principalmente o Brasil. E este está bem longe de ser animado, engraçadinho ou algo no gênero. A metáfora, aliás, já foi usada por John Steinbeck, em 1937, no clássico “Sobre Ratos e Homens”, numa reflexão perfeita e triste das relações do homem na sociedade. 

O eterno Cazuza também usou a analogia na música “O tempo não para” num verso cada vez mais contemporâneo: “A tua piscina tá cheia de ratos Tuas ideias não correspondem aos fatos. O tempo não para”. Na letra o cantor e compositor também dizia que o futuro repetiria o passado.

Mas acredito que nem Disney, Pixar, nem Steinbeck ou Cazuza poderiam prever que os ratos se transformariam em humanos e sairiam dos bueiros em fúria para dominar as cidades. Eles deixaram seus esconderijos e estão por todos os lados, à luz do dia.

Recentemente vimos alguns deles saindo dos porões para agredir Beto Freitas, no estacionamento do supermercado Carrefour em Porto Alegre. Outros assistiam passivamente o covarde espancamento, a asfixia e por fim o assassinato daquele homem, sem o menor gesto para tentar impedi-los. Alguns, claramente, estavam ocupados demais com suas câmeras filmando a cena.

Quem acompanha o noticiário, não as “notícias” do Whatsapp, percebe que a cada dia esse país se afunda na lama social. Os ratos saíram do esgoto para a barbárie. Só num final de semana, foram expostos à exaustão nas redes sociais cenas de três crimes de racismo, machismo e homofobia. 

Em um deles, aqui bem perto de nós, um espécime desses mamíferos roedores foi flagrado em vídeo de câmeras de segurança dando socos e chutes contra uma mulher – grávida -  que estava algemada. Também tivemos notícia de uma fêmea da mesma espécie que atacou, sem dó nem piedade, um humano com unhas, dentes e facas.

Outra fêmea também foi vista numa padaria, na capital paulista, emitindo guinchos agudos contra um atendente. Por sorte não houve ataque propriamente dito, já que alguns humanos tomaram iniciativa de chamar a polícia.

Contudo, há que se ficar muito atento, pois eles estão em toda parte, e em lugares inesperados. Eles nos interpelam de todas as maneiras. Pulam a nossa frente, ocupam filas, vão às compras, andam a esmo pelas ruas, entram nos nossos dispositivos eletrônicos, computadores, celulares. Em tudo. Sempre prontos para o ataque. Físico ou sonoro.

São organizados, raivosos, determinados e obedecem cegamente aos comandos, sejam quais forem. Também possuem características predominantemente furtivas e nunca estão presentes no caos. Não acodem nem seus próprios pares. Muito menos os apelos dos humanos.

Homens são superiores a ratos na maioria dos quesitos: maiores, mais fortes, mais racionais, comunicam-se melhor. Apesar de serem mais rápidos, mais ágeis e possuírem a capacidade de escalar paredes, os ratos estão cientes de que nós, homens, temos a vantagem num confronto. 

No entanto há um grande empecilho para eventual vitória dos humanos nesta barbárie que se desenrola: o vírus da ignorância que vem contaminando toda a população de Norte a Sul. E os ratos, claro, contam com esta arma poderosa para nos dizimar, nem que para isto tenham que o distribuir pessoalmente.

 Resta torcer para que este vírus não imite a Peste de Camus pois, ao contrário dos ratos, os humanos sabem que contra esta guerra não há pólvora possível. Apenas perdas. Nesta hora talvez outro verso de Cazuza possa nos dar alguma esperança; “Mas se você achar que eu tô derrotado; saiba que ainda estão rolando os dados; porque o tempo, o tempo não para”.

Felpuda


Comentários ouvidos pela “rádio peão”, em ondas curtas, são de que figurinha só ganharia apoio dos colegas caso pessoa agregada fosse “curtir a aposentadoria” de uma vez por todas. Como seu acordo político acabou naufragando nesta campanha, agora dito-cujo estaria querendo recuar e não ceder o lugar. 

Isso até poderia acontecer, se não fosse a sua, digamos, eminência parda. Afe!